5 DICAS PARA APROVEITAR MELHOR SUA EXPERIÊNCIA NO COUCHSURFING


Férias! Vamos viajar? 

Aqui no Blog já fizemos uma postagem sobre turismo. No post 
6 DICAS PARA FAZER VIAGENS BARATAS: DIVA TAMBÉM VIAJA falamos sobre como viajar gastando menos.

Neste segundo post sobre turismo, resolvi falar sobre Couchsufing. Já tive experiências lindíssimas através do CouchSurfing e fiz amizades maravilhosas!Se você já ouviu falar e não sabe o que é, continue aqui. Vamos ficar por dentro, porque é uma excelente oportunidade de deixar sua viagem mais legal, divertida e barata!


O Couchsurfing  (CS) é uma rede social que faz interliga ponte entre turistas que  precisam  de hospedagem durante uma viagem e pessoas que gostariam de receber esses visitantes. A ideia é interligar pessoas de diferentes lugares do mundo. O site surgiu em 2003 e o couchsurfing.org já tem 4 milhões de usuários.

Não tem nenhuma complicação, e é uma maneira barata e divertida de conhecer outros lugares ou gente do mundo todo. A tradução do termo literalmente é “surfe de sofá”, mas o é muito além do que disponibilizar um lugar para dormir. A ideia do projeto é integrar as pessoas e aproximá-las e não ser um "hotel gratuito". É uma forma de ampliar as relações humanas. Hoje já existem ramificações dele com grupos no Facebook específicos para mulheres, estudantes, mulheres negras. Não colocarei o link deles aqui porque alguns são secretos, por questão de segurança. Mas, converse com as amigues. Certamente, alguma delas te indicará.

O objetivo é proporcionar vivências intensas ao novo amigo baseadas na experiência do seu anfitrião, que deve servir como guia informal. É sempre bom conhecer o lugar a partir da perspectiva de quem vive na cidade.

Se você ainda tem dúvidas, dá uma lida nas principais perguntas que temos sobre o CouchSurfing.

1. Como garantir minha segurança no CouchSurfing?

Especialmente para mulheres, esta é uma questão fundamental. Lógico que não é 100¢ seguro especialmente porque vivemos em um mundo muito machista e violento, mas há formas de minimizar os riscos. É fundamental checar o perfil de quem oferece ou pede hospedagem, especialmente verificar as referências. Se informe também sobre questões de diferenças de cultura, aspectos religiosos, além das recomendações gerais relacionadas à segurança de cada lugar. No site do Couchsurfing há mecanismos de dar e fazer avaliações para saber sobre a pessoa. Quando puder, faça avaliações de quem você recebeu ou quem te recebeu. Isso ajuda outras pessoas a se sentirem seguras na plataforma. 

Por isso, é importante se cadastrar no site, mesmo que você tenha feito contato com as pessoas através do Facebook, por exemplo. Se você se sentir insegura, ameaçada ou em qualquer situação de perigo, contate as autoridades locais, como polícia ou serviços de emergência.

2. Como posso escolher onde ficar, ou quem vou receber na minha casa?

Apesar de o processo ser simples porque é só enviar o convite e esperar ser aceito, é bom sempre conversar com a pessoa antes. Conhecer bem a pessoa é fundamental para evitar ter que conviver com alguém que você não tem nenhuma afinidade. Você está viajando para se divertir, não se aborrecer.

A amada Bianca me recebeu duas vezes em Londres. Neste dia, saiu comigo para as compras (2016)

3. Como me cadastro no CouchSurfing?

Ao entrar no site do couchSurfing.org, você deve preencher seu perfil de forma mais detalhada possível para que as pessoas se disponham a te aceitar. Se possível, preencha em inglês. Dê detalhes sobre gostos alimentares, hábitos de viagens, religiosos.
Também é importante ter referências. Para isso, peça que amigos façam avaliação sobre você e falem um pouco como é a convivência com você.pode ser mais difícil que as pessoas te aceitem na casa delas, já que você não tem referências. 

 Família que me hospedou em Havana (Cuba). Amores!

4. Alguma dica pra me hospedar na casa de alguém?

Se você já escolheu a casa, foi aceita pegue as informações de endereço colhida a casa, pegue o endereço, orientações de como chegar e o telefone da pessoa. Não guarde essas informações apenas eletronicamente. Celular pode ser roubado, acabar a bateria... Já perdi um CS em Roma porque meu celular travou e eu não consegui entrar em contato com a pessoa! Informe dia e hora da chegada. e as informações sobre como chegar do aeroporto ou rodoviária até lá. 

Para ser um bom hóspede é fundamental se adaptar aos hábitos de quem te hospeda. Não deixe sua bagunça espalhada, respeite os horários e hábitos. Se puder, ajude com a limpeza. Costumo levar um presente da minha cidade para quem me recebe. Uma lembrancinha, como um doce ou algo típico do Brasil. 

Kat, querida amiga cubana que me recebeu na sua casa (2016)

5. Alguma dica me hospedar alguém na minha casa?

Primeiro lugar: Não cobre! O CS são é um serviço. É uma forma de aproximar as pessoas de forma solidária. Se alguém te cobrar, denuncie no site do CS. Se você precisar dividir alguma conta com quem vai hospedar, fale isso claramente e pense se você realmente pode hospedar alguém.

Passe todos os detalhes de endereço, ponto de referência e telefones de contato para quem você vai hospedar. Ajude com informações sobre horários de ônibus e funcionamento do comércio local.

Deixe as regras de funcionamento da casa bem explícitas. O combinado não sai caro! Fale sobre os hábitos de limpeza, fumo, horários, barulho.

Se puder emprestar lençol e toalha pro teu hóspede é legal, afinal a maioria das pessoas viajam com o mínimo de peso possível. Se sentir confiança, deixe uma cópia da chave com o teu hóspede, assim vocês não ficam reféns um do outro. 

Por último, tente reservar um tempo para turistar com ele ou ela, ao menos tomar um café. Aproveite para estabelecer novos vínculos e amizades! Tem lugar na nossa cidade que só quem mora conhece. Normalmente, são lugares mais baratos e que o turista vai conhecer a vida na cidade. 


Esta tabela abaixo tem algumas outras dicas. Ela foi publicada pelo www.mochilaotrips.com e é bem bacana!



E você, tem alguma experiência de CouchSurfing para contar?
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10 MOMENTOS EM QUE AS MULHERES NEGRAS DESAFIARAM A SUPREMACIA BRANCA EM 2016



O ano de 2016 não foi fácil no mundo inteiro, especialmente quando falamos das comunidades negras. No Brasil, a mortalidade de juventude negra continua batendo recordes. Além das medidas tomadas pelo governo golpista que atingem frontalmente a população negra, por estarmos nas posições mais frágeis no Brasil. Nos Estados Unidos, o assassinato dos negros gerou uma onda de mobilizações que rodou o mundo. A eleição de Dolnnald Trump também parece ser um forte indicio de que a situação de negros e latinos deve piorar por lá.
Mas, se falamos de opressão, falamos de resistência. E quando falamos de resistência falamos das mulheres negras que estão sempre demonstrando sua força pelo mundo todo.
Nesta postagem, que foi inspirada em um vídeo da página do Facebook do AfroPunk, trazemos 10 momentos simbólicos em que as mulheres negras desafiaram a supremacia branca em 2016. São momentos que aconteceram fora do Brasil, mas que são inspiradores e mostram que nunca aceitamos e nem aceitaremos o massacre do povo negro em nenhum lugar do mundo.

Inspirem-se!
Vidas negras importam!

1. Ieschia Evans sem medo de ser presa pela polícia de Baton Rouge, julho de 2016


Ieshia Evans é uma jovem enfermeira de 35 anos, mãe de um filho e moradora de Nova York. Ela viajou até Lousiana para participar do protesto contra o racismo da polícia norte-americana que vitimou Alton Sterling.  Durante o protesto, ela desafiou calmamente, a polícia que estava fortemente armada. Esta foto rodou o mundo, demonstrando a coragem das mulheres negras durante os protestos.
Segundo o New York Daily News, Evans passou a noite de sábado na prisão - segundo as autoridades, mais de 100 pessoas foram presas.

2. Tess Asplund se levantou fortemente contra a violência e supremacia branca do Movimento Nórdico de Resistência na Suécia, maio de 2016


Tess Asplund é uma ativista negra de 42 anos e enfrentou bravamente uma marcha organizada pelo Movimento de Resistência Nórdica (NRM) que é conhecida pelos seus ideias neonazistas, na cidade sueca de Borlänge. 
De punho cerrado e peito aberto, a ativista de 42 anos foi de encontro à manifestação organizada pelo Movimento de Resistência Nórdica (NRM), que seguia por uma das principais vias do município sueco Borlänge.

3. Aschley Williams confrontou Hillary Clinton "Eu não sou super-predadora", fevereiro 2016


Durante um evento de angariação de fundos em Charleston, na Carolina do Sul, a ativista Ashley Williams, da Black Lives Matter, fez um cartaz citando comentários da candidata presidencial Hillary Clinton feitos em 1996, quando ela incentivou a aprovação de leis que aumentam o encarceramento maciço, dizendo que os jovens negros eram "super-predadores"

Ashley foi taxativa e lacradora: "Eu não sou uma 'super-predadora', Hillary Clinton. Você pode se desculpar com os negros pelo encarceramento em massa?"

4. Simone Biles e a equipe norte americana de ginástica que foram treinadas por  "imigrantes ilegais"


Simone Biles é um fenômeno nunca antes visto no mundo da ginástica. Ela foi a primeira ginasta em seu gênero a ganhar três Campeonatos Mundiais consecutivos no individual geral, a primeira afro-americana a obter um título nessa prova. Em 2016, ela subiu ao pódio 5 vezes nas Olimpíadas do Rio de Janeiro com 4 medalhas de ouro e uma de bronze. 

Além do talento de destaque, Biles contou com o treinamento do casal romeno Bela e Marta Karolyi, que também treinaram Nadia Comaneci. Em tempos de eleição de Donald Trump, ver como atleta mais importante do EUA negra e ainda mais treinada por imigrantes é grande tapa na cara da sociedade.

5. Angela Davis lança  o livro "Freedom is a constant struggle" sobre a violência racial institucionalizada, fevereiro de 2016


Neste livro, ainda sem versão no português, Angela Davis aborda a violência racial na história ao redor do mundo e seus movimentos de resistência.
No Brasil, em 2016, tivemos o famoso livro da mesma autora publicado: Mulheres, Raça e Classe. O livro tem o prefácio de ninguém menos que Djamila Ribeiro,  e é um clássico da ativista negra norte-americana sendo publicado pela primeira vez no Brasil.

6. Lançamento de 13ª emenda, por Ava DuVenay


O documentário da NetFlix foi lançado em outubro de 2016 e é grande favorito na categoria documentário do Oscar 2017. 
Ava DuVenay, mesma diretora de Selma (2014), escreve, produz e dirige o documentário que leva o nome da décima terceira alteração na Constituição dos Estados Unidos, a qual, segundo o filme, foi uma alternativa de manter trabalhos braçais mesmo após a abolição da escravidão, com o processo de encarceramento em massa.

7. Julissa Ferreras-Copeland e seu projeto de distribuição de coletores menstruai, março de 2016


A vereadora Julissa Ferreras-Copeland lançou um projeto de distribuição gratuita de coletores menstruais nas escolas públicas, presídios e abrigos na cidade de Nova York. Além de prestar assistência às mulheres mais pobres o projeto visa combater os tabus que ainda envolvem a menstruação.

8. Leah Penniman e seus projetos de soberania alimentar

Leah é uma agricultora norte americana que desenvolve projetos educacionais para eliminar o que ela chama de "apartheid alimentar". Ela também é educadora na área de biologia e ciência ambiental em tempo integral. Isso permite que ela trabalhe no que ama - conectando os jovens ao mundo natural - e traz renda extra para sustentar a fazenda que é base do trabalho que ela desenvolve com jovens negros e latinos, oferecendo uma alternativa ao encarceramento e pauperização. Penniman acredita que a aprendizagem sobre o manejo da terra e a produção de alimentos ato suficiente é uma forma de redistribuição de riqueza. Isso sim é poder!

9. Entrevista de Chimamanda Ngosi Adichie, novembro de 2016


A autora foi convidada para discutir a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, com R. Emmet Tyrell, editor-chefe da American Spectator. Eles protagonizaram uma discussão sobre lugar de fala ao vivo na BBC Newsnight.

Ao ser contrariado, Tyrell tentou deslegitimar a fala de Chimamanda, para encerrar o assunto, a autora ainda tentou, mais uma vez, explicar ao editor o que era lugar de fala: “Não, você não senta aqui e diz que ele não é racista. Objetivamente falando, Donald Trump é racista. Isso não é sobre a sua opinião é sobre um fato”, disse. Bateção de cabelo puro, né?

10. Nascimento do Backing Black Business, a partir do Movimento Black Lives Matter, pelas mãos de Alicia Garza, Opal Tometi e Patrisse Cullors



O movimento "Black Lives Matter" foi fundado por três ativistas negras: Alicia Garza, diretora da National Domestic Workers Alliance (Aliança nacional de trabalhadoras domésticas), Patrisse Cullors, diretora da Coalition to End Sheriff Violence in Los Angeles (Coligação contra a violência policial em Los Angeles) e Opal Tometi, ativista pelos direitos dos imigrantes.
O grupo tem ações desde 2014 e este ano teve importante atuação nas mobilizações contra a violência da policia norte americana.
Em 2016, o grupo ampliou suas ações com a criação de uma iniciativa de valorização dos negócios empreendidos por negros e negras nos Estados Unidos da América: Backing Black Business. Fortalecer o comércio entre nós é uma grande forma de valorizar o afro-empreendedorismo. 


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Gostaram?
Estamos preparando um post sobre momentos importantes que as mulheres negras desafiaram a supremacia branca no Brasil.
Alguma sugestão?
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DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA PARA QUEM?

Eu havia prometido que não ia fazer postagem especial da consciência negra por dois motivos. O primeiro é que este blog já se dedica a questões raciais o ano todo. O segundo é porque gostaria de ler, ver e ouvir outras pessoas sobre o tema. Mas, depois de passar o dia 20 de novembro vendo tanta gente se manifestar pelo dia da consciência humana, meus dedinhos ficaram coçando... e me trouxeram até aqui.



Não pretendo fazer piada ou ironia sobre quem se dedicou a convocar o dia da "Consciência Humana" porque pretendo me dirigir a estas pessoas, especialmente aos negros e negras que ainda passam o dia 20 de novembro dizendo: SOMOS TODOS IGUAIS.

Preciso dizer que entendo quem afirma SOMOS TODOS IGUAIS. Esta afirmação, especialmente quando vem de pessoas negras, surge da urgência de se afirmar como alguém que tem tanta humanidade quanto um branco ou um asiático. Surge da necessidade de reforçar a ideia de respeito a si, mas ao outro também. Ou seja, ela é legítima. Mas, eu gostaria de dizer que apesar de não entender, eu não concordo. Por diversos motivos.

Primeiro é necessário entender a origem da data e os motivos se sua celebração. Dia 20 de novembro é a data de assassinato de um dos poucos líderes da luta negra que a história não apagou: ZUMBI DOS PALMARES. O líder do Quilombo dos Palmares foi assassinado nesse dia pelas tropas coloniais brasileiras, em 1695. Isso já seria motivo para a gente ter um feriado. 

Nunca vi ninguém questionando o Dia de Tiradentes, ou o dia de nascimento de Jesus, por exemplo. 


Mas, há uma outra questão: a instituição deste dia como feriado foi a partir da luta do movimento negro organizado. Reconhecer a importância deste dia é reconhecer a luta de Zumbi e dos movimentos negros no Brasil.
Quando você fala que é necessário dia da consciência humana e não consciência negra, você desconsidera o aspecto histórico e a luta dessas pessoas. Uma luta que foi responsável pela maioria das conquistas que tivemos até aqui. 

Ainda há algo mais profundo na celebração deste dia: ACREDITE, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS. Isso é bom. Os diferentes devem ser tratados como diferentes. Temos necessidades diferentes. Mas, para além disso, na nossa sociedade a maioria de negros e negras não são tratados como diferentes, eles são tratados como alguém sem humanidade, ainda hoje somos tratados como não humanos e afirmar que somos todos humanos não vai fazer com que mulheres negras deixem de morrer 54% a mais que as brancas. Afirmar que somos todos iguais não vai fazer com que negros e negras sejam tratados em pé de igualdade nos departamentos de recursos humanos. Afirmar que somos todos iguais não vai fazer com que os jovens negros sejam menos mortos pela polícia no Brasil e também nos Estados Unidos.


A sociedade nos trata como diferentes. Afirmar SOMOS TODOS IGUAIS não vai fazer com que a sociedade mude como em uma mágica.

A gente precisa enfiar o dedo na ferida. Desvendar o racismo, reconhecer onde e como ele funciona. Enquanto houver racismo deve haver Dia da Consciência Negra. Precisamos falar sobre as diferenças e mostrar que elas não nos fazem piores. Precisamos sim falar sobre a questão racial para comprometer a sociedade inteira com saídas efetivas para o racismo. Não falar sobre o racismo não vai resolver. Precisamos encará-lo de frente no dia 20 de novembro e no ano inteiro.

GUEST POST: Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária. - Por Sidélia Silva


Há muito tempo venho namorando alguns escritos de manas amigas para trazer para um post no Blog da Central das Divas. Se gosto de receber amigos na minha casa, porque não amaria receber aqui no Blog?

Para estrear a seção de Guest Post, tenho o maior orgulho de apresentar um texto da amiga querida: Sidélia Silva. Sobre um tema que sempre temos discutido e que aqui ela coloca um pouco pra fora.

Vale a pena cada palavra!
Comentem. Divulguem. Debatam!

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Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária
Por Sidélia Silva*

“A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”
(Conceição Evaristo)


Ultimamente, tenho recebido algumas ~acusações~ de ser “academicista” e isso tem vindo de gente branca, classe média e universitária, pessoas que reivindicam se o meu feminismo chega na periferia, como se na periferia não houvesse feminismo, sendo que nunca vi essas pessoas por lá. Vejam vocês! E isso tudo porque faço indicações de textos em conversas amenas. Quando o bixo pega na discussão, eu já tinha indicado o texto que se a pessoa quisesse mesmo saber sobre o assunto teria parado a discussão e ia ler, olhem bem! O que é isso? Privilégio! Quando você pode discorrer sobre diversos temas à vontade e confortavelmente a partir do alto do seu senso comum ao invés de voltar 2 casas e passar sua vez.

Não tenho nenhum remorso, vergonha ou peso na consciência de mandar um/a playboy ler um texto, principalmente se for da academia (porque eu tenho recorte de raça, classe e gênero, coerência), não faz mais que obrigação para entrar numa discussão, principalmente quando são discussões de acumulo e cunho politico.

Fico pensando onde a falta de honestidade e dignidade dessas pessoas chegam? Ao ponto de reivindicar a periferia? Estou falando de pessoas bem nutridas, estudadas, com a pele ~bonita~ e saudável, classe média que estão há anos na universidade e quando ouvem um conceito acadêmico proferido por mim (estou a 1 ano no feudo Unicamp) me ~acusam~ de “academicista” e me perguntam se isso chega na periferia. 

Eu fico na dúvida se essa pergunta é porque essas pessoas estão há anos na universidade e simplesmente não estudaram como deveriam e por isso não sabem do que eu estou falando e usam essas perguntas como um tipo de defesa desonesta? Ou se elas acham que são periféricas, ou ainda estão usando o conceito de classe contido em Marx como a separação dicotômica do proletariado e da burguesia e não sabem que desde 1970 tem um lugar ao sol no debate de classe marxista para a classe média (Décio Saes e Armando Boito Jr.) ou nova pequena burguesia (Poulantzas) na luta de classes marxista, viu gente?


A maior parte do que sei não veio da academia. PASMEM! Veio da formação em movimentos sociais que sabem que A PERIFERIA NÃO É BURRA e nem subestima a sua capacidade de cognição, de pensar, produzir conceitos, relacionar, argumentar, produzir conhecimento, refletir e sim, é capaz de absorver conceitos e construir um raciocínio lógico tranquilamente a partir da sua vivência (Conceição Evaristo) e do que acontece no seu cotidiano. E que a maioria dos movimentos sociais sabem que precisamos nos formar, dialogar e trocar informações entre o que está sendo construído como pensamento hegemônico por 2 motivos: 

a) o pensamento hegemônico também impacta na vida real das pessoas. Ao contrário do que se argumenta, a teoria não fica contida em si, ela impacta no modo de pensar das pessoas vide o ~favor~ que Gilberto Freyre nos fez;

b) para que haja contra argumentos desse pensamento hegemônico que muitas vezes é racista, classista, homofobico, transfobico, capacitista entre outras opressões que acabam por se naturalizar na prática através do discurso teórico;

Dissimular preocupação com a periferia, para além de desonesto é racista e classista também, quer dizer: “Vai para lá, lá é o seu lugar!” Quer dizer, olha a “argumentação” (~acusação~) que a galera branca, classe média e universitária está desenvolvendo!? No mínimo incompetente e no máximo tendencioso. 
E mais, dá fortes indícios que talvez a pessoa que se utiliza desse artifício desonesto nunca tenha dado uma formação ou trocado ideia com a periferia para além do seu objeto de pesquisa. Pois, a maioria dos conflitos que estudamos e refletimos na academia acontecem em alguma medida na vida dessas pessoas:

  • Pergunta para as meninas o que elas pensam com relação a sua posição no mundo enquanto mulheres e logo você verá que sim, existe feminismo na periferia;
  • Pergunta para a galera LGBTT periférica o que aflige eles e elas você ouvirá sobre lesbofobia, bifobia, transfobia, homofobia e as demais opressões que a heteronormatividade acarreta para essas pessoas;
  • Pergunta para um cara que tá chegando em casa do trampo o que ele acha do seu patrão você encontrará a luta de classes;
  • Pergunta para elas e eles como fazem a sua diversão, você verá que existe uma cultura própria na periferia;
  • Pergunta para galera sobre a polícia você verá que a maioria não vê sentido na polícia;

Isso aqui é saber popular, vivência, prática. 

O academicismo precisa de criticas mesmo, mas em outro sentido, no sentido de considerar saberes empíricos, no sentido de romper com a desigualdade entre a diplomação e a não diplomação, e não nesse sentido sujo de não saber como argumentar em um discussão que se inseriu. Percebo escuramente que a periferia tem me formado cada vez mais. A Unicamp vai me dar um diploma e os conceitos básicos para entender as construções teóricas existentes, mas a convivência com a periferia, ter estado e vivido me traz outras perspectivas e outro tipo de construção acadêmica, eu tenho a necessidade de transmitir isso e de absorver qual a percepção da periferia sobre os assuntos. Como diz Conceição Evaristo: “A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”

Não estou aqui também romantizando a periferia (nasci e vivi por 16 anos em uma periferia), todas as contradições colocadas pela hegemonia também a incorporam. Assim como os bairros de alto luxo, classe média etc. têm suas posições e ideologias, e dificilmente isso é questionado, a periferia por vezes reproduz esses posicionamentos, discursos e ideologias, e é o objeto de pesquisa, é o “diferente”, como se essas posições e discursos não fossem feitos para alcançar a periferia mesmo e desmobilizá-la enquanto classe.

Reproduzir o discurso de que um diploma não é importante para uma pessoa negras e/ou pobre que almejam entrar em um curso superior. JAMAIS! Vou ajudar no que puder para essa pessoa acessar a universidade, se quiser. Se as pessoas almejam se formar eu acho que temos que apoiar, mesmo sabendo das dificuldades da academia. Fomento isso, sim! Fazer o contrário é falta de responsabilidade com as minhas causas e convicções. 

Existe uma grande diferença entre privilégio e acesso. O privilégio é a vivência natural de uma classe específica (ex. viagens para o exterior, faculdade, carro, mesada etc.) Enquanto que acesso vem a partir da luta por direitos para que uma classe acesse algum direito ou cidadania que os é negado ou a inserção em instituições excludentes (ex. cotas raciais, cotas sociais, bolsas para cotistas se manterem na universidade, cotas em concursos públicos etc.)

Não é justo, muito menos honesto, cobrarmos purismo revolucionário da periferia, as pessoas que tem privilégios precisam se responsabilizar de fato e parar com essa desonestidade fetichista. Estou dizendo que na periferia as pessoas têm a noção e a dimensão mínima dos conflitos que as perpassam enquanto indivíduo ou grupo.  Conversa dois minutos da vida com qualquer pessoa de lá, sem chegar sorrindo estridentemente, mostrando a sua boa educação e como você é “humilde” e “simpático/a” para fingir o seu nojo de pobre que está na sua cara e seja você e trate as pessoas como você trata as pessoas converse com elas enquanto pessoas não quanto objeto de análise, não como ode à miséria, não como gestão da pobreza.

Aqui, penso na questão do diálogo, pessoas brancas, classe média e universitárias. Quando é que a periferia se tornou uma preocupação de diálogo para vocês, para além de seus objetos de pesquisas? É muita prepotência. Percebem que isso é apenas uma defesa de privilégio e mais uma vez disfarçada de preocupação? 

Negras, negros e periferia podem estar onde eles e elas quiserem: na periferia, na academia, na obra, na diretoria etc. Tenho lido muito e a maioria das minhas leituras não vão no sentido do que estudo na academia. Elas vão no sentido da minha militância nos movimentos sociais, de entender a questão de gênero, a questão racial e de classe que é o que perpassa por mim enquanto pessoa, enquanto militância e enquanto vivência e pela maioria das pessoas com as quais eu convivo. Tenho lido muito mesmo, tenho me aventurado até no francês (que ainda levo 5 vezes o tempo de leitura normal) e logo menos vou me aventurar no alemão para saber cada vez mais e poder transmitir isso para as formações nos movimentos sociais. 

Sua preocupação dissimulada não passará! Haverá cada vez mais, negros e negras da periferia acessando a universidade questionando sobre o seu aprendizado, absorvendo aprendizado e retransmitindo para a sua militância ou trazendo sua vivência para a academia e vice versa e tudo isso junto. 

“Não temos tempo para abrir mão de qualquer instrumento de luta. Se os brancos podem abrir mão do conhecimento sistematizado, eles que abram mão. Não deixarei nenhum dos nossos abrir mão do que a humanidade produziu e tomar este conhecimento para transformar a sua e a nossa realidade. Eu afirmo que, em nossas mãos, o conhecimento sistematizado pode tomar uma dimensão revolucionária. É tudo nosso e nada deles!” (PINHO, 2015)

Sigamos!








*Sidélia Silva compõe o Coletivo de Mulheres Negras Lélia González, a Frente de Mulheres Negras de Campinas e o Coletivo de Entretenimento Afrontamento Close. Ela lacra, brilha, fecha a boate e não sofre por amor.



Referências:

Custódio, Túlio. Amarras das letras: das criticas ao academicismo na militância. 2016. Disponível em <http://www.geledes.org.br/amarras-das-letras-das-criticas-ao-academicismo-da-militancia/>


HOOKS, bell. Intelectuais Negras. 1995. Disponível em < https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/viewFile/16465/15035>


PINHO, Carolina. Eu, mulher negra na universidade...academicista? 2015. Disponível em: <http://blogueirasnegras.org/2015/07/29/eu-mulher-negra-na-universidade-academicista/>


SANTOS, Sônia Beatriz. Feminismo Negro Diaspórico. 2007. Disponível em <http://www.revistagenero.uff.br/index.php/revistagenero/article/view/157/100>


TRANSIÇÃO E LACE WIGS: 5 dicas para passar pela transição capilar de lace wig


Transição capilar é aquele período em que você abandona os produtos químicos para modificar a estrutura dos fios de seu cabelo e o retorno ao seu cabelo natural, sem químicas. Muitas mulheres já decidiram que querem fazer as pazes com seu cabelo natural, mas só de pensar em passar meses com metade do cabelo com uma textura e a outra metade com outras, a maioria desiste especialmente pela necessidade de cuidados muito específicos. Mas, saibam: NO FINAL, VAI VALER A PENA!


Pensando nisso muitas meninas já descobriram as lace wigs, conhecidas popularmente como perucas, para auxiliar o processo de transição. E elas podem ser uma excelente opção. Mas, a gente tem que estar atenta a alguns detalhes ou em vez de ajudar, ela pode atrapalhar sua transição.

Primeiro eu vou dizer: não estou mais em transição.

Eu passei por transição a uns 6 anos atrás. Tive o apoio de tranças. Usei tranças por cerca de 2 anos. E cada vez que eu tirava a trança, eu cortava uma parte alisada do cabelo. Minha transição não foi por motivação política, foi por necessidade mesmo! Meu cabelo estava ralo, vivia caindo. Eu tinha uma relação ruim com meu cabelo. Uma relação que eu não gostava na verdade.

Então, estou dando estas dicas como alguém que já passou por transição e que usa laces hoje como uma alternativa para mudar, que coisa que eu amo!

Vamos as dicas:

1. Evite costurar a lace na sua cabeça. Se você pretende usar seu cabelo natural, você precisa cuidar dele. Se você costurar, terá muito mais trabalho para cuidar dele. 

2. Evite usar uma lace muito diferente do seu cabelo. Imagina só: você está se adaptando a uma nova estética. Você precisa se acostumar com seu cabelo crespo e resolve usar uma lace lisa e comprida! Você nunca vai acostumar seu rosto com este visual! Quanto mais parecido com seu cabelo, melhor! Curta e cacheada é ideal.

3. Evite colar a lace na sua cabeça. Quando você cola, por mais cuidado que tenha, na hora de remover a cola, você acaba danificando os fios da frente. Lembre que eles estarão bem frágeis, então a tração na hora de tirar pode danificá-los.

4. Evite usar os pentes da lace para fixá-la na sua cabeça: A tração dos pentes todo dia no mesmo lugar quebra os cabelos. Use elastic band! Prometo fazer um vídeo ensinando, mas há muitos vídeos legais na internet ensinando.

5. Vá aumentando o tempo que você fica sem lace. Você precisa se ver e acostumar com seu cabelo. Então fique sem lace em casa, vá malhar sem lace... Enfim, se olhe, se admire, se ame!

Lembrem-se que cada experiência é única. O que funciona pra mim, pode não ser igual para vocês.

Se tiverem mais dicas, podem comentar aqui.


Se quiser ver um vídeo sobre este tema, conheça nosso canal no link abaixo!




UM CULTO AO CABELO CRESPO: A OBRA DE PIERRE JEAN-LOUIS


Provavelmente, você já viu estes retratos deslumbrantes e nem faz ideia de onde eles vieram.

Eles são parte de uma série do artista Philly Pierre Jean-Louis, que é de Nova York. Ele usou um aplicativo chamado Enlight para promover arte através de fotografias de cabelos naturais. 

Ele se inspirou no movimento de mulheres negras pela aceitação e orgulho da textura natural de seus cabelos.  Para decorar as coroas ele abusou de elementos da natureza e deu ainda mais brilho na cabeleira crespa das pretinhas! Jean-Louis espera poder destacar o poder e a beleza das mulheres negras. 

"Eu quero que o mundo inteiro saiba que a Mãe Natureza é realmente negra e nós não estaríamos aqui sem ela. "










Muita beleza, né?
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Beyonce é a artista mais premiada na história da MTV Music Award

Aqui no nosso Blog, falamos sempre das marcas que o racismo deixa na vida de pretos e pretas. Assim é no nosso cotidiano e vemos o resultado na falta de representatividade que temos em muitos lugares, como por exemplo o mundo da música pop.

Por isso, a noite do dia 28 de agosto de 2016 foi super especial para nós. Nesta noite, aconteceu a premiação do MTV Video Music Awards (VMA). O que vimos foi um desfile de talento. Rihanna cantou na abertura e encerramento da cerimônia.. Nicki Minaj também se apresentou com um visual arrasador.

Mas, a rainha da noite foi Beyoncé. Além de fazer uma apresentação maravilhosa, celebrando poder feminino, a cantora ganhou o prêmio de melhor vídeo do ano com "Formation" e saiu como a grande vencedora da festa realizada no Madison Square Garden de Nova York.



Além deste prêmio, o mais importante da noite, Beyoncé ganhou cantora levou para casa cinco prêmios por Formation (Melhor Edição, Direção, Cinematografia, Coreografia, Melhor Vídeo Pop), um por Hold Up (Melhor Vídeo Feminino) e Melhor Longametragem, por Lemonade.


Você vai dizer que perdeu a apresentação da Bey? Então veja aqui!




A outra protagonista da noite foi Rihanna, que recebeu o prêmio honorário Michael Jackson Video Vanguard.  Além disso, subiu quatro vezes ao palco para relembrar boa parte de sua carreira, incluindo grandes sucessos como "Diamonds", "Please don't stop the music" e "Only girl (In the world). 

Confira o vídeo de uma de suas atuações na noite de ontem.




Rihanna subiu quatro vezes ao palco para relembrar boa parte de sua carreira, incluindo grandes sucessos como "Diamonds", "Please don't stop the music" e "Only girl (In the world).


É para assistir mil vezes e morrer de amor!