25 PALESTRAS IMPERDÍVEIS DE MULHERES NEGRAS NO TEDX

      O TED (sigla de Technology, Entertainment, Design) é uma série de conferências realizadas pelo mundo pela fundação Sapling, dos Estados Unidos, sem fins lucrativos, destinadas à disseminação de ideias – segundo as palavras da própria organização, "ideias que merecem ser disseminadas". Suas apresentações são limitadas a dezoito minutos, e os vídeos são amplamente divulgados na Internet.
       Em março de 2018, tive a oportunidade de ser uma das palestrantes do TEDx, que aconteceu em Campinas. Os organizadores entraram em contato comigo através de indicações e acharam interessante minhas contribuições como pesquisadora aliadas à minha trajetória na militância. Em conjunto, nós pensamos em uma palestra que pudesse questionar o status quo e levasse um pouco da minha trajetória para enriquecer as reflexões. O resultado foi uma palestra que abordou o "mito da meritocracia".
         Optei por questionar o que está por trás da ideologia do "quem quer consegue" que individualiza os sucessos e fracassos em uma sociedade que cria oportunidades desiguais para os diferentes grupos sociais. A partir da perspectiva da meritocracia, uma pessoa não atinge determinados objetivos por não ter se "esforçado" o suficiente. Entretanto, ao analisar os grupos que menos atingem os objetivos que socialmente são encarados como "sucesso", vemos que são os mesmos grupos que enfrentam barreiras como o racismo, machismo, homofobia e outras opressões. Seria coincidência? Acredito que não. Sem dar mais spoilers... o link do vídeo está aqui.
          Durante o processo de preparação da minha palestra, procurei assistir a outras palestras realizadas no TEDx e que dialogassem com meus interesses. Eu vi dezenas de palestras bacanas, por isso resolvi fazer uma coletânea de palestras proferidas por mulheres negras em uma playlist do YouTube. São palestras inspiradoras que me fizeram pensar muito, mas acima de tudo entender como as mulheres negras têm contribuído com um novo paradigma de sociedade. Este é o verdadeiro sentido do que diz a filósofa Angela Davis:

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”

           Abaixo, você encontra um pouco da descrição de cada palestra e/ou palestrante e aqui você encontra o link da playlist completa. Se você quiser, pode ver cada vídeo em separado clicando no título de cada um.

 VEJA, ESCUTE, LEIA MULHERES NEGRAS



Começo pela minha palestra que foi realizada em Campinas, em março de 2018. Mulher nordestina, negra, candomblecista, feminista e militante.  Mestra e doutora em Educação pela UNICAMP, concluí doutorado sanduíche na Universidade de Tecnologia de Braunschweig, Alemanha. Em 2015, estive na lista das 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil. 



Pesquiso sobre educação e ciência - a partir de uma perspectiva marxista, feminismo negro e estética. Também atuo como professora e afro-empreendedora através da Central das Divas.



Nataly fala da expectativa que envolve a menina negra em se tornar a "mulata", que seria uma preta mais "aceita socialmente"
Nátaly é estudante de Ciências Sociais na Unifesp, em São Paulo, tem interesses como moda e beleza. Seu canal no Youtube (Afros e Afins) é incrível e aborda diversos temas de interesse das mulheres, em geral, e em especifico das mulheres negras.



Essa palestra é incrível! Primeiro porque a Monique tem um jeito muito didático de falar e segundo porque acho que ela dialoga muito com o mito da meritocracia. 
Monique é uma das vozes do feminismo negro no Brasil e fala da veia empreendedora nas mulheres negras. Ela é formada Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, já foi capa da Revista Época, Repórter do Profissão Repórter, é Fundadora da Desabafo Social.



Essa é uma das palestras proferidas no TEDx mais assistidas em todo o mundo. Não é por pouco. A Chimamanda é uma escritora nigeriana que já ganhou prêmios no mundo inteiro por suas obras e tem seus livros traduzidos em 31 idiomas. Tudo isso, até os 40 anos de idade! 
Essa palestra é cheia de humor, mas ao mesmo tempo muito profunda e cheia de reflexões importantes. 


Outra excelente palestra da Chimamanda. Com mais de 3 milhões de visualizações, a autora chama atenção sobre a necessidade de compreender o mundo a partir de suas diversas variáveis, afinal nossas vidas, nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas.



Kimberlé W. Crenshaw é uma norte americana defensora dos direitos civis e uma dos principais intelectuais da teoria crítica da raça. Ela é professora em tempo integral na Faculdade de Direito da UCLA (Universidade da Califórnia) e na Columbia Law School. Crenshaw é conhecida pela introdução e desenvolvimento da teoria interseccional, que é o estudo de como identidades sociais sobrepostas ou interseccionadas, particularmente identidades minoritárias, se relacionam com sistemas e estruturas de opressão, dominação ou discriminação. No #julhodaspretas, em 2017, já escrevi um pouco sobre a Crenshaw aqui no blog. Você pode ler o texto completo neste link.
Nesta palestra, Kimberlé Crenshaw resgata a história de vítimas do racismo para falar sobre a importância da interseccionalidade. Esta é uma das três melhores palestras que já vi sendo proferidas no TEDx. 


Djamila é mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), já atuou como secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Ela também é colunista da revista Carta Capital e publicou os livros "O que é lugar de fala" e "Quem tem medo do feminismo negro".
Ouvir a Djamila falar é sempre ótimo. Ela tem objetividade sem tratar os temas de forma superficial. Dá sempre vontade de ouvir mais e mais.


Kenia Maria é atriz, roteirista e empresária. Kenia foi nomeada pela ONU Defensora dos Direitos das Mulheres Negras, em 2017. No YouTube, ela arrasa, desde 2013, com a filha Gabriela Dias, o marido Érico Brás, o filho Mateus Dias com o canal de Youtube. No vídeo, ela fala sobre as motivações que as levaram a criar o canal trazendo importantes reflexões sobre questões raciais.

Karina Vieira é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Gestão de Políticas Sociais pela Universidade Castelo Branco. Ela também atua como Consultora de Comunicação do Baobá – Fundo pela Equidade Racial e Diretora de Comunicação da AUR. 



No vídeo, Karina explana sobre a formação das identidades e o que envolve este processo.  Ela apresenta exemplos de mulheres e situações que estão contribuindo para a formação positiva desta identidade. Ela também reforça a importância da atuação coletiva. Tudo com aquele carisma incrível da Karina.


Apontada pela Forbes como um dos destaques brasileiros abaixo de 30 anos, Lisiane Lemos é co-fundadora da Rede de Profissionais Negros, coletivo que busca desconstruir barreiras entre profissionais negros e empresas por meio de políticas de diversidade e movimentos sociais. Lisiane fala sobre a descontruconstrução de estereótipos em seu trajeto. 


Carla Fernandes é angolana radicada em Lisboa. Formou-se em tradução das línguas inglesa e alemã. Em 2014, Carla criou o audioblogue Rádio AfroLis onde afrodescendentes que vivem em Lisboa partilham as suas estórias e falam sobre a sua visão pessoal da cidade.
A contribuição mais incrível de sua palestra é fazer a gente pensar sobre o que tem sido chamado "lugar de fala". Os diferentes lugares sociais são demarcadores dos posicionamento de mundo.


Karine de Souza é natural de Barra Mansa/RJ e é a criadora da Negrita Modas. Faz ativismo através da moda e da arte. No vídeo, ela fala sobre a (re)descoberta da identidade negra e como esse processo, em constante movimento, leva ao empoderamento não apenas seu mas de negros e negras que a rodeiam.


Marta Celestino é diretora de Marketing e Novos Negócios na Ebony English, gestora em educação e documentarista. Idealizadora do projeto Diaspora Connections, que visa reconectar a comunidade negra global num movimento de troca de experiências, celebração de conquistas e resgate cultural. 
Nesta palestra, Marta fala sobre coletividade e os aprendizados da ancestralidade.


Presidente do Instituto Das Pretas.Org, ativista social e blogueira. Priscila é uma das grandes referências do Espírito Santo quando o assunto é valorização da estética, autoestima, empreendedorismo e consumo negro. O Instituto que comanda já promoveu diversas ações, de maneira autônoma e independente, que ajudaram a espalhar a importância do empoderamento afrocentrado no coletivo.

15. Uma jornada na busca por identidade e propósito | Juliana Luna | TEDxUERJ

Juliana Luna é editora de estilo da Revista AzMina, estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural. Neste vídeo ela fala um pouco sobre a reconstrução de sua identidade como mulher negra. Através do depoimento dela, a gente descobre um monte de pequenas coisas sobre nós mesmas.


"Você entende porque ser negra é um problema?" foi a frase que ela ouviu ao tentar seguir a carreira de modelo. Neste vídeo, Luana fala sobre como começou a compreender o racismo a partir de sua experiência como modelo. Atualmente, ela é diretora executiva do ID_BR - Instituto Identidades do Brasil.


Alexandra Loras é ex-consulesa francesa. Ela é graduada com Mestrado em Gestão de Mídia pela escola de Ciências Políticas da França (IEP Paris), consultora e palestrante. Neste vídeo ela fala sobre a construção de estereótipos e seu papel na síndrome do impostor. Particularmente, tenho divergências com Loras - como ela afirmar que existe racismo reverso, por exemplo , mas acho essa palestra muito interessante para pensarmos no racismo como um fenômeno que atinge negros e negras nas diversas classes sociais e países. 



Adriana Barbosa é presidente do Instituto Feira Preta, formada em gestão de eventos, com especialização em gestão cultural pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC) da ECA – USP. Neste vídeo, com uma voz incrivelmente doce, ela fala sobre o empoderamento das mulheres negras a partir de histórias de vida de mulheres negras. 


Rosa Luz é cineasta, fotógrafa, poeta, rapper e trançadeira. Como uma mulher negra, trans, e periférica, ela é também ativista e através da arte luta contra todas as formas de opressão. Neste vídeo, com apenas 6 minutos, ela consegue falar sobre sua história de vida que se entrecruza com a história de muitas de nós. 

20. Eu Empregada Doméstica | Preta Rara | TEDxSaoPaulo

Preta Rara é graduada em história, rapper, poeta, cineasta, cantora, DJ... UFA! 
Neste vídeo, ela fala sobre sua experiência a frente da fan page Eu Empregada Doméstica. Eu já assisti a este vídeo tantas vezes que sei quase de cor! Acho a Preta super talentosa e carismática. Essa palestra é extremamente tocante e vale a pena cada minuto dele.



"O nosso legado, não é a escravidão. O nosso legado, passado de geração para geração, é o sonho da liberdade. E a gente vai mudar o mundo"
Amo este vídeo! A Didi Couto tem uma potência incrível. Ela é jornalista na TV Cultura e é uma figura que eu tive como uma referência importante quando apresentei um programa de TV. Nesta palestra, ela fala justamente sobre a representatividade. 




A Taís dispensa apresentações. Neste vídeo, ela fala sobre algo que as mães negras convivem: o medo de criar seus filhos em uma sociedade racista. O vídeo é muito bacana porque nos traz a dimensão de que o racismo afeta negros e negras independente da classe social. 



Stephanie é arquiteta, ativista feminista negra e colunista da Revista Marie Claire. Neste vídeo, ela se emociona ao falar sobre o papel de cura que a escrita teve em sua vida. Através da escrita ela se conecta com mulheres negras e com sua subjetividade. 

24. Desafiando diversas formas de opressão | Maíra Azevedo | TEDxRioVermelho

Maíra é a jornalista baiana, conhecida como Tia Má. Amo essa palestra! Além de amar a Maíra, como uma excelente comunicadora, como uma "brother" que me enche de orgulho, amo essa palestra porque ela também fala sobre meritocracia. Durante este vídeo, eu me emociono diversas vezes. A Maíra fala sobre nossas dores de forma muito certeira e por isso nos dá muita força.


Yasmin Thayná é cineasta e fez o maior barulho com seu filme "Kbela. Um filme sobre Ser mulher e tornar-se negra”. Na palestra ela fala sobre a experiência de fazer o filme com tão pouco dinheiro e a partir de uma narrativa marginalizada. Também lançou a plataforma Afroflix que é é uma plataforma que disponibiliza conteúdos audiovisuais online com uma condição: aqui no AFROFLIX você encontra produções que possuem pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. 

BÔNUS
Abaixo, ainda trago duas palestras que gosto muito. Ambas são em inglês e não contam com legenda em português. Mas, vale a pena tentar treinar o inglês porque são palestras muito legais!


Melz é recém-formada em Filosofia e Política pela Universidade de Leeds (uma das maiores universidades do Reino Unido). Ela é a pioneira da campanha "Por que meu currículo é branco?", no campus. Melissa também é uma artista, mais especialmente uma rapper. Para quem curte o debate sobre a educação como uma forma de resistência e combate à opressão, essa palestra é imperdível.



Brittany Jonee é uma jovem bahamense que vem sendo destaque nas artes e ciências no seu país, despontando como uma líder valiosa no campus. Além disso, Brittany é uma talentosa violonista. Nesta palestra, ela fala sobre como o violento processo de colonização determinou a vida nas Bahamas, apagando línguas, práticas e valores culturais ancestrais. 


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Termino minha lista por aqui, ou não termino nunca mais porque há muito material incrível produzido por mulheres negras na internet!
Tenho certeza que você também tem uma palestra incrível que não está nesta lista e que você gostaria de indicar. 

Comente aqui no blog aquela palestra que você acha imperdível!

THE CARTERS E APESHIT: AS MENSAGENS DIGNAS DE FECHAR O LOUVRE



Um dos assuntos da semana é o lançamento do novo disco de Beyoncé, no dia 16/06. Desta vez, ela lança um disco em parceria com seu companheiro, desde 2002, o rapper Jay-Z. Para o lançamento do álbum o casal se intitula "The Carters", que é o sobrenome de Jay-Z. Além do álbum, eles também divulgaram o clipe da música Apeshit, gravado apenas no Museu do Louvre, em Paris.


O clipe é uma sequência de beleza protagonizada não apenas pelos Carters, mas também por algumas obras de arte, um mundo de dançarinos e figurinos de tirar o fôlego. Mas, é muito mais que isso. É um tapa na cara nos padrões eurocêntricos de arte. A ideia do clipe, ao levar a música negra para o Museu mais famoso do mundo, é questionar a ausência da arte produzida por negros em premiações e exibições de arte. O recado fica bem explícito quando Jay-Z diz ao Superbowl e o Grammy que não precisa deles. É sempre bom lembrar que a Beyoncé é a mulher mais premiada no Grammy, MAS apenas 2 dos seus 20 prêmios foram em categorias gerais, aquelas não ligadas ao Hip Hop e ao R&B. Ou seja, a arte negra só é valorizada como arte negra, não como arte universal. Para completar o close, os Carters se colocam a frente da obra Monalisa, de Leonardo da Vinci para mostrar que estão no mesmo nível de importância do quadro. O Spartakus Santiago fez um vídeo incrível falando sobre o clipe. Vale a pena conferir, neste link.


Esta não é a primeira vez que Bey lança um álbum de surpresa. Em 2013, o álbum Beyoncé e em 2016, Lemonade, foram lançados da mesma forma. Lemonade foi um sucesso que até hoje a gente ainda não se recuperou. O álbum lançado esta semana é intitulado Everything is Love, tem 9 faixas e está disponível no TIDAL, plataforma stream  de Jay-Z. 

Como todo trabalho de Beyoncé, principalmente a partir de Lemonade (2016) a polêmica já está lançada. O debate sobre o tipo de poder para os negros que a cantora defende é sempre controverso. No clipe, por exemplo, o casal usa algumas das maiores grifes do mundo no figurino: Burberry, Versace, Peter Pilotto. Em Lemonade (2016) ela foi bastante criticada por "cultuar" o uso de marcas de alta costura como referência de poder. Ao mesmo tempo, Bey nunca se vendeu como alguém que milita questionando o poder econômico. Assim como qualquer pessoa branca, ela tem o direito de usar seu dinheiro como símbolo de poder. Mas, diferente de Beyoncé, os artistas brancos não são cobrados. É como se todos os atos de todas as pessoas pretas tivessem que passar pelo crivo de racistas que só caçam posicionamento politico quando é uma pessoa negra que se posiciona publicamente. 


Polêmicas a parte, o que a gente espera é que Everything is Love seja tão incrível quanto Lemonade, afinal é uma obra digna de fechar o Louvre, né, meu amor!?

PARA ALÉM DA TRANSIÇÃO CAPILAR: 30 INSPIRAÇÕES DE CABELOS CRESPOS E CURTOS (PARTE II)


Ano novo e mil promessas. A mulherada preta, em busca de uma qualidade de vida melhor e um cabelo livre de alisamentos, também promete passar pela transição capilar e adotar seu crespo natural.

Mas, o que precisamos saber é que a transição capilar não precisa ser um sofrimento. Ao contrário: deve ser um momento de redescoberta e auto amor. A gente sabe que é difícil, mas é possível. A primeira coisa é desconstruir o padrão de beleza ligado ao cabelão. É possível ser linda e feminina com cabelinho curtinho, sim! Por isso, vamos começar 2018 com uma postagem cheia de amor e inspiração com 30 cortes de cabelos crespos e curtos. É o segundo post deste tipo aqui no blog. Se você não viu o primeiro, entre neste link.

Ame-se
Inspire-se





















Remake de "Alice no País das Maravilhas" com elenco TODO negro!


A luta de negras e negros por representatividade nas artes parece que tem surtido efeitos incríveis. 


Você já está sabendo que estão refilmando o conto de fadas Alice no País das Maravilhas com um elenco de todos os negros? Quem deu a noticia em seu Instagram foi Duckie Thot:

"Nenhuma palavra pode descrever o que este fim de semana significou para mim. Reservei o meu trabalho dos sonhos depois de um ano de mudança para Nova York. Que honra para não só estar na capa do calendário @Pirelli, mas estrelar como Alice no primeiro All-Black  Alice no País das Maravilhas. Para sempre grata"

Duckie tem tido um ótimo ano, ela não é apenas conhecida como Black Barbie, mas ela é uma das caras da Fenty Beauty que lançou recentement sua linha de maquiagens. Então, como Duckie conquistou este papel incrível? De acordo com W Magazine, ela conseguiu o papel depois de se encontrar com Walker, o produtor que desenvolveu o conceito da refilmagem.

A atriz conseguiu o papel depois de passar apenas seis horas em Londres, onde conheceu Walker. Walker declarou que o debate é para além da diversidade que tem sido vista usada de forma comercial, por isso é controversa mesmo entre os negros e negras. O produtor quer contar a histíria de Alice como nunca antes foi vista.

Para nós, que crescemos vendo o belo como sinônimo de branquitude, poder ver um classico com elenco todo negro vai ser enriquecedor.   

O resto do elenco incluirá Naomi Campbell, RuPaul, Lupita Nyong'o, Whoopi Goldberg, Sean "Diddy" Combs, Adwoa Aboah e muito mais!

10 DICAS PARA VIAJAR SOZINHA E SEGURA!

No México/2016. Encontrei uma amiga, mas fui sozinha.
Conheci os painéis do Diego Rivera

Viajar sozinha pode parecer um pouco assustador, para quem nunca fez. A gente sabe que o machismo e o monte de casos de violência podem ser intimidadores, mas se organizar direitinho, você pode se divertir e muito! Além do que, após terminar a viagem, você vai ver como isso pode ser empoderador e reforçar seu contato com uma parte de si mesma que você ainda nem deve conhecer. O machismo não vai deixar de existir amanhã e enquanto combatemos ele temos que continuar nossas vidas, né?

Eu já viajei sozinha algumas vezes, inclusive para países muçulmanos - meu relato sobre minha viagem para o Marrocos está aqui - e posso dizer: vale a pena! O que são necessários são alguns cuidados a mais e tudo vai dar certo!

Viagem sozinha para Colônia/2016, na Alemanha

1. Planeje com antecedência

Se a a grana está pouca, compre as passagens antes. Não esqueça que as milhas podem ser uma excelente opção. Para viagens no Brasil, se você tiver até 29 anos e sua família estiver na faixa de renda prevista no programa, você pode se beneficiar com o ID Jovem. Neste link você encontra informações.
O mesmo vale para hospedagem. Os melhores hostels enchem logo. Se a sua opção é o couchsurfing, quanto antes você pedir, mais chance tem de arrumar alguém bacana. Aqui eu falo sobre couchsurfing.
Já fiz um post com dicas para economizar em viagens. Você encontra ele neste link. Outra dica é procurar saber se a época que você se planejou, é alta temporada para aquele destino. Se for, o planejamento com antecedência é ainda mais importante.
Um vez com passagens e hospedagem decididos, faça uma planilha com os detalhes e imprima todos os comprovantes de pagamento. Qualquer desorganização da empresa aérea ou hospedagem, você tem como provar.
Também guarde uma cópia deles em nuvem e envie para alguém de confiança.



Em Havana/2014, fui sozinha mas fiz uma amiga. Ela me recebeu em sua casa em 2016

2. Garanta que sua estadia será em um local seguro

O melhor jeito de saber se sua hospedagem é segura é lendo relatos de quem já se hospedou por lá, especialmente de mulheres. Sites como o Trip Advisor e o Hostel World 
oferecem opções de hotéis e hostels e mostram as avaliações e relatos de hóspedes. Tenha certeza que há armários disponíveis para você trancar seus itens pessoais. Somos mais visadas quando estamos sozinhas. Na dúvida, leve seu próprio cadeado. Nem precisa dizer que malas e mochilas devem estar com cadeado também.
Lembre-se de descobrir como chegar em sua hospedagem antes de sair da sua casa. Use o Google Maps, ou mande um email para o hostel.

3. Não esqueça seus documentos

Saiba com antecedência quais são os documentos necessários para o destino escolhido. Passaporte, visto, cartão de vacina...
Lembre-se que algumas vacinas devem ser tomadas com um tempo de antecedência. Não deixe para última hora. Estas são informações que você consegue na internet.
É importante também sempre andar com seus documentos, se possível em uma "doleira" (aquela bolsinha que fica presa ao seu corpo, por dentro da roupa). Tenha uma cópia autenticada e outra na nuvem (DropBix ou Googledocs são os que eu uso)



4. Consulte a previsão do tempo

Consulte a previsão do tempo do seu destino. É uma dica importante para que você possa organizar sua mala e seu roteiro com antecedência. Nada pior do que planejar ir à praia e chegar lá e dar de cara com chuva. Isso vai te ajudar a organizar uma mala mais compacta.

Eu de novo sozinha em Madrid/2016 

5. Organize um roteiro

Uma das piores coisas é perder tempo toda a manhã organizando cada coisa que vai fazer. Consulte com antecedência as principais atrações do destino. Tente usar um mapa para prever o que dá para fazer a pé. Lembre de levar em conta se o roteiro é turístico e se há movimento de pessoas para você fazer este roteiro com tranquilidade, sem se sentir ameaçada.
Uma dica é instalar o aplicativo Google Trips. Através dele, você consegue descobrir o que há por perto de sua hospedagem e fazer roteiros baseados no seu tempo disponível. Você também vê avaliações das atrações e se certifica de preços e a segurança do local. 


Viagem para Londres/2016 sozinha! Fotinho com pau de selfie (que não pode faltar na mala)

Compartilhe com alguém de confiança este roteiro. Mantenha esta pessoa informada nas mudanças de planos ou se você arrumou uma companhia, como um crush (tomara!), por exemplo. 

6. Tente levar o mínimo de coisas possível

Abra mão de coisas que você não vai usar. Sério! Nada de levar uma mala enorme porque você não vai ter pessoas para te ajudar a carregar.
Então, faça uma lista do que é fundamental, inclusive de medicamentos que você costuma usar. Saber o clima com antecedência vai te ajudar nesta missão.
Lembre-se: quanto menor a mala, mais fácil para guardá-la em hostels ou também de ocupar menos espaço na casa de quem te hospeda.


Na Cracóvia/2015, na Polônia, eu pedi para uma mina tirar uma foto do meu look "estou com frio". Sempre peço para mulheres fazerem minhas fotos quando estou sozinha. Como vocês podem ver no meu look, nada combina com nada, levei pouca roupa!

7. Tenha em mãos telefones úteis

Telefones da embaixada brasileira daquele local ou da polícia turística, em casos de viagens internacionais, devem estar em mãos. Também tenha o telefone e o endereço de onde você está hospedada. Anote em um papel e salve na nuvem também. Nada de confiar no celular. Se ele for roubado ou acabar a bateria, você fica na mão.


8. Administre bem seu dinheiro

É terrível ficar sem grana nos últimos dias, então cuidado para não ficar na mão. Se está com pouco dinheiro, vá em um mercado próximo e compre coisas para cozinhar. Faça roteiros a pé, se possível.
Para viagens internacionais, lembre que alguns cartões de crédito precisam de desbloqueio.
Não esqueça de verificar a moeda do local de destino e faça câmbio de alguns dólares ainda no Brasil. Nunca sabemos como é o câmbio em aeroportos. Existe também a opção de adquirir cartões pré-pagos. Verifique isso com antecedência.
Mais uma vez: lembre de levar a doleira e dividir seu dinheiro. Nunca coloque tudo que você tem em um lugar só. Já fui roubada e me levaram até os cartões de crédito. Ou seja: não viajo com tudo concentrado em um lugar só, muito menos na mochila!


9. Saiba algumas palavras do idioma local

Se o seu destino for internacional, anote e treine palavras importantes para se virar por lá. Perguntar como pegar ônibus, táxi, pedir informação em geral é fundamental quando você viaja sozinha. Se for ficar mais de uma semana, vale a pena comprar um dicionário de viagem.

10. APROVEITE!

O machismo é preocupante, mas não pode nos privar de levar uma vida normal. Estamos cada dia conquistando mais espaços, então vamos ter que aprender a administrar nossas conquistas.
Leve um livro, a música que você curte, uma máquina de tirar fotos (ou celular com pau de selfie) e aproveite. Nada de neuras. Com os cuidados acima você pode ter uma viagem segura e inesquecível
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26 looks da década de 1980 para as pretas se inspirarem

A década de 1980 está de volta! Para as fãs de brilho e glamour essa é uma grande notícia. Os looks deste período não poupavam brilho, transparência, cores e texturas. Ao mesmo tempo que você encontra looks monocromáticos - principalmente pretos, inspirados na tendência punk rock - você podia abusar do neon e das cores fortes quase sempre combinadas. Parece uma grande loucura, mas acredite: tem muita coisa linda!

Lembre que os croppeds e as jaquetas jeans que estão em alta a pelo menos duas estações são herança da década de 1980. Quer saber mais? Olha as inspirações abaixo. Unimos fotos atuais com fotos da década de 1980 e você vai ver que muita coisa que está nas vitrines veio direto do túnel do tempo.

1. Cintura alta





A cintura alta é uma marca das calças e shorts nos anos 1980. Seja jeans, de tecidos como linho ou seda, a cintura alta é uma marca das calças da moda anos 80.


2. Blusa Cropped




As blusas cropped eram usadas tanto como tops como blusas amarradas. Foram blusas que começaram a ganhar força na moda anos 1980 e se consolidaram na década de 1990. Para completar o visual, uma calça de cintura alta é perfeita.

3. Jaqueta Jeans




Na verdade, se era jeans estava no corpo. Jaqueta, blusa, calça, saia. Mas, as jaquetas, em especial, eram usadas em uma modelagem maior, no que a gente chama de oversized. Elas dão um ar despojado e podem ir com tudo: saia longa, short, camisão.

4. Leggings



Outra grande tendência nos anos 1980 eram as leggings. Elas saíram direto da academia de ginástica - como muitas das tendências do período - para as ruas. Para ficar ainda mais brilhante, o ideal é uma legging estampada ou de uma cor bem vibrante.

5. Moletom



O moletom é mais um item que saiu do mundo fitness para as ruas. Ele compõe um look street wear e é super confortável. Grande pedida para quem quer se inspirar na moda da década de 1980. Pode ser usado com salto, tênis, bota. Solte a imaginação e arrase.




Além dessas apostas, há algumas que podem ser arriscadas, mas quem faz a moda é você. Se você se sentir bem, use mangas bufantes, ombreiras, coletes e macacão, mix total de acessórios, shorts curtos e rasgados, botas de plástico, tênis coloridos, meias coloridas, polainas, pochetes, macacão jeans. Abra o seu guarda roupa e se inspire.

Espero que vocês tenham curtido! 


Kota Rifula: o poder da ancestralidade (31/31)

No último dia de julho, ainda estou cheia de vontade de contar histórias de centenas de mulheres, mas vou ter que concluir o #julhodaspretas. Para isso, trouxe mais uma biografia que não estava registrada na internet, como uma homenagem àquelas que vêm sendo silenciadas, que não têm suas histórias registradas, mas que merecem todo reconhecimento por diversas conquistas no cotidiano. No dia 31 dos 31 dias do #jullhodaspretas, trago a biografia de Ana Semião – conhecida como Kota Rifula (nome africano designado por sua posição no Candomblé): mulher negra, trabalhadora, feminista, periférica e do candomblé.



A juventude física e o papo leve não revelam que Kota Rifula é uma senhora de 75 anos. A leveza e alegria com que ela conta suas histórias é contagiante. Seu cabelo de dreads naturais mostram que ela é uma mulher com muita propriedade de sua história e que tem muito para nos ensinar.

Kota tem uma importante atuação no movimento de trabalhadoras domésticas e de mulheres negras nacionalmente. Nascida como Ana Semião, em 11 de junho de 1942, em Passos, no interior de Minas Gerais, ela vem construindo a luta pelos direitos das empregadas domésticas e das mulheres a cerca de 30 anos em Campinas, no interior de São Paulo.

A história de Kota Rifula em Campinas começa quando, com a morte dos pais, ela e as irmãs saem de Minas Gerais para trabalhar em serviços domésticos. Elas vivem uma história muito parecida àquelas de tantas outras garotas negras e que ainda se proliferam Brasil afora: elas vêm “morar” com uma família e são responsáveis pelo cuidado com a casa.  No caso de Kota Rifula, ela tinha apenas 10 anos de idade quando vem com uma família para São Paulo e vive como trabalhadora doméstica até os 27 anos de idade.



Do serviço doméstico, ela sai para o casamento. A história de seu casamento é contada de forma feliz. Ela revela que seu marido foi um bom companheiro, bom pai e muito trabalhador. Eles tiveram 6 filhos, apesar da morte de 3 deles. Além da morte dos filhos, Kota Rifula teve que lidar com o assassinato do companheiro. Após ficar viúva, ela não se casa novamente, mas, segundo ela, “namorou muito” a vida toda. Com a viuvez, ela retoma as atividades como trabalhadora doméstica, agora aliada à militância política. 

Por influência da irmã, Regina Simião (outra importante preta que pretendo fazer a biografia), ela se aproxima do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, que foi o primeiro sindicato a organizar as trabalhadoras domésticas no Brasil. Sua intervenção em defesa das trabalhadoras domésticas é histórica. Em 1997, Kota Rifula ajudou a fundar e foi a primeira presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD).

Ainda na década de 1990, Kota Rifula filia-se ao Partido dos Trabalhadores, permanecendo filiada até os dias atuais. Ela acha fundamental organizar-se em um partido de esquerda, principalmente quando consideramos os retrocessos do momento atual. 

Além da atuação no sindicato e partido, faz parte do FECONEZU (organização quilombola). A participação de forma democrática de homens e mulheres, com divisão de tarefas e a construção coletiva fazem com que o FECONEZU seja identificado por ela como sua principal atuação política.

Na década de 2000, já com mais de 60 anos, descobre o Candomblé e resolve se dedicar a ele. Sob a orientação de Mãe Dango, Ana Simeão renasce através de sua iniciação à religião e começa a responder por seu nome africano. Na mesma década, ela inicia sua atuação como Promotora Legal Popular, onde se aproxima ainda mais da luta feminista. O feminismo é um posicionamento que Kota Rifula faz questão de reafirmar como fundamental para as mulheres negras. Ela diz ser impossível transformar a sociedade sem o feminismo.


Antes de terminar a conversa Kota fez questão de falar do sucesso dos 3 filhos e da neta, já iniciada na religião. Duas mulheres e um homem que enchem ela de orgulho. Pra ela, eles são a prova de que as mulheres negras estão vencendo suas batalhas, afinal, há alguns anos, uma empregada doméstica não poderia sonhar em ter filhos formados em universidade pública e concursados. Kota não só sonhou como pode ver isso acontecer em sua própria casa. 

Conversar com Kota Rifula é ver a vida em movimento. Ela transmite uma confiança na mudança e no poder das mulheres que te contagia. Ela é uma daquelas mulheres que fazem com que tenhamos certeza de que é necessário e possível mudar o mundo.  Kota Rifula, obrigada por existir. Sua existência mostra o poder da ancestralidade!

VIVA KOTA RIFULA
VIVA AS MULHERES NEGRAS
  

Foram 31 dias de homenagens às mulheres negras. Cada biografia resgatada foi um resgate pessoal. Conhecer a história de vida destas mulheres foi como reconstituir minha própria história ou da minha mãe e das minhas tias. Temos em comum histórias de solidão, fome, violência... mas, de muito trabalho, luta e solidariedade. Atravessamos o oceano separadas, mas estamos nos reencontrando pouco a pouco, recontando histórias e memórias apagadas. Com a história de Kota Rifula, aproveito para anunciar que estamos fazendo parte de um projeto maior de registro de biografias de mulheres negras que têm construído nossa existência com luta e resistência, mas que estão anônimas. Depois de contar tantas histórias maravilhosas, ainda tive a oportunidade de terminar o mês nos braços de mulheres negras no festival Latinidades. Prometo que farei um relato especial sobre esta atividade. Mas, posso dizer que o mês de julho de 2017 foi marcante, renovador e encorajador. 
Viva as mulheres negras! Viva as mulheres negras das américas e do Caribe!