Transição capilar é aquele período em que você abandona os produtos químicos para modificar a estrutura dos fios de seu cabelo e o retorno ao seu cabelo natural, sem químicas. Muitas mulheres já decidiram que querem fazer as pazes com seu cabelo natural, mas só de pensar em passar meses com metade do cabelo com uma textura e a outra metade com outras, a maioria desiste especialmente pela necessidade de cuidados muito específicos. Mas, saibam: NO FINAL, VAI VALER A PENA!
Pensando nisso muitas meninas já descobriram as lace wigs, conhecidas popularmente como perucas, para auxiliar o processo de transição. E elas podem ser uma excelente opção. Mas, a gente tem que estar atenta a alguns detalhes ou em vez de ajudar, ela pode atrapalhar sua transição.
Primeiro eu vou dizer: não estou mais em transição.
Eu passei por transição a uns 6 anos atrás. Tive o apoio de tranças. Usei tranças por cerca de 2 anos. E cada vez que eu tirava a trança, eu cortava uma parte alisada do cabelo. Minha transição não foi por motivação política, foi por necessidade mesmo! Meu cabelo estava ralo, vivia caindo. Eu tinha uma relação ruim com meu cabelo. Uma relação que eu não gostava na verdade.
Então, estou dando estas dicas como alguém que já passou por transição e que usa laces hoje como uma alternativa para mudar, que coisa que eu amo!
Vamos as dicas:
1. Evite costurar a lace na sua cabeça. Se você pretende usar seu cabelo natural, você precisa cuidar dele. Se você costurar, terá muito mais trabalho para cuidar dele.
2. Evite usar uma lace muito diferente do seu cabelo. Imagina só: você está se adaptando a uma nova estética. Você precisa se acostumar com seu cabelo crespo e resolve usar uma lace lisa e comprida! Você nunca vai acostumar seu rosto com este visual! Quanto mais parecido com seu cabelo, melhor! Curta e cacheada é ideal.
3. Evite colar a lace na sua cabeça. Quando você cola, por mais cuidado que tenha, na hora de remover a cola, você acaba danificando os fios da frente. Lembre que eles estarão bem frágeis, então a tração na hora de tirar pode danificá-los.
4. Evite usar os pentes da lace para fixá-la na sua cabeça: A tração dos pentes todo dia no mesmo lugar quebra os cabelos. Use elastic band! Prometo fazer um vídeo ensinando, mas há muitos vídeos legais na internet ensinando.
5. Vá aumentando o tempo que você fica sem lace. Você precisa se ver e acostumar com seu cabelo. Então fique sem lace em casa, vá malhar sem lace... Enfim, se olhe, se admire, se ame!
Lembrem-se que cada experiência é única. O que funciona pra mim, pode não ser igual para vocês.
Se tiverem mais dicas, podem comentar aqui.
Se quiser ver um vídeo sobre este tema, conheça nosso canal no link abaixo!
A história se repete: logo depois da transição capilar, a gente toma coragem e encara o big chop.
"Uau, como sou vitoriosa! Consegui!"
Sim, conseguiu mesmo! Diante de padrões de beleza tão rígidos, e que não são feitos para as mulheres pretas, resolver mudar e voltar a usar seu cabelo natural é uma vitória e tanto! Mas, o que muitas vezes não sabemos é que voltar a usar o cabelo natural é aprender a cuidar e amar um cabelo que a gente muitas vezes nem sabe como é. É uma textura nova que vai tomando conta da sua cabeça. Um cabelo que muitas vezes a gente nem se lembrava como era. Então, são novos cuidados, novos penteados, novos cortes. E o maior prazer é ir amando cada fase do seu cabelinho! É necessário uma mudança de hábito e de padrões estéticos, ou você pode sucumbir e jogar toda sua dedicação fora!
Para amar esse cabelo novo que vai crescendo é importante que você pense em cuidados e cortes específicos para ele. Nada de colocar expectativa em um modelo "x" ou "y". Este é o seu cabelo. Ele é único! E cuidar dele é a melhor forma de amá-lo.
O cabelo crespo tem mil possibilidades! Que tal aproveitar e experimentar novos cortes? Agora que já desafiou o padrão "liso" que tal desafiar o padrão "longo"?
É possível ter um cabelo curto, lindo, estiloso e bem cuidado. Duvida?
Me conta depois de ver estas inspirações abaixo!
São cabelos curtissímos, curtos, coloridos, muito crespos, com cachos, sem cachos, grisalhos... É beleza de todos os tipos!
Sabemos da dificuldade que é voltar a usar nosso cabelo natural. Não porque ele é feio ou duro, como tentam nos convencer, mas sim porque existem muitas pressões, tanto externas como internas, para que a gente esteja adequada a determinada estética: branca e eurocêntica.
São muitos anos ouvindo que os cabelos crespos são difíceis de pentear, caros para serem mantidos, que são desarrumados, que precisamos de tempo para mantê-los bonitos.
Muitas imagens depreciativas ligadas ao cabelo crespo nos perseguem e se livrar delas é um desafio que não é individual mas coletivo porque se apóia no combate aos estereótipos que foram construídos sobre o povo negro e, consequentemente, se apóia na luta contra racismo.
Além disso, muitas de nós nem sabe como é seu cabelo natural. São tantos anos mudando a estrutura do nosso fio que dá até um frio na barriga de pensar que pode não se parecer com aquele cabelo lindo cheio de cachinhos que vimos na TV. Ou seja, um modelo ideal está sendo construído na nossa cabeça novamente e, ao invés de ajudar, ele também nos atrapalha. Afinal, nenhum cabelo é igual ao outro. E eleger um tipo de cabelo com o mais bonito nos coloca novamente em uma busca incessante ao que é "mais aceito socialmente". Resultado: mais prisão, mais sofrimento, auto estima detonada novamente.
Assumir seu crespo natural é algo que envolve coisas que muitas vezes nem temos em mente. que são para além de nossa força de vontade e escolha.
Por isso é tão difícil.
O que alegra é saber que tem muita gente passando pela experiência da transição e descobrindo um novo amor: um cabelo crespo, lindo e forte, cheio de possibilidades!
Cada mulher que resolveu assumir seu crespo teve uma experiência única e tem muito a compartilhar. Mas, só vivendo para saber.
Se você ainda tem dúvidas sobre tomar esta decisão, eu tenho uma listinha de motivos que me fazem afirmar todos os dias: assumir meu cabelo foi uma das decisões mais importantes que já tomei!
1. DIMINUIU A QUEDA
O uso de produtos químicos para mudar a estrutura dele (alisamentos, permanentes e afins) enfraquecem o cabelo. Por isso ele cai mais e também tem mais quebra dos fios. Às vezes, o uso de um acessório de cabelo era suficiente para quebrar centenas de fios. Em algumas partes da minha cabeça, meu cabelo já havia caído tanto que nem crescia mais. Sabe a cena de lavar a cabeça e ver aquele tanto de fios no ralo? Não sei mais o que é isso. Mesmo ao desembaraçar o cabelo não vejo tantos fios no pente e nem aquele mundo de cabelos pela casa! Alegria demais!
2. CRESCEU MUITO!
Ao contrário do que pode parecer, cabelo crespo cresce, cresce muito! Lembra que eu disse que não tinha mais cabelo em algumas partes da cabeça? Eles voltaram! Sim!!! Cada vez que vejo nascer cabelo onde não tinha mais, eu comemoro!
Uma semana de diferença!
3. PINTAR, PINTAR E PINTAR
Sem o uso de alisantes, tenho mais liberdade para mudar de cor. Todo mundo que usa algum produto químico para mudar a estrutura do fio sabe que tem limitações para usar outras químicas. Mesmo quem usa os produtos do Beleza Natural (não se enganem, a promessa de cachinhos também muda a estrutura do fio) não pode colorir o cabelo.
Desde que parei de alisar já fui platinada, azul, rosa (preferido!), ruiva. E tenho planos, muitos planos!
Cores
Muitas cores
Mais cores
4. MAIS LIBERDADE DE PENTEADOS
O cabelo crespo, ao contrário do que dizem, te dá mil possibilidades de penteado.
Temos mais liberdade também para uso de acessórios. Eles não escorregam ou caem do cabelo.
Para quem usa ele alisado, sabe que muitas vezes o uso de acessórios quebra os fios que já estão danificados.
Quer mais opções de penteados? Olha este vídeo!
5. ECONOMIA DE DINHEIRO
Você já fez as contas de quanto gasta por ano em alisantes? E nos cremes de manutenção? E nos cremes de tratamento para os danos do alisante?
Meu bolso agradeceu tanto quando parei de alisar. Economizei ao menos 15% do meu orçamento por mês!
Que tal colocar como meta uma viagem? Junte tudo que iria usar em seu cabelo quimicamente tratado em uma poupança e faça uma viagem para comemorar seu visual novo!
Você na praia arrasando de visual novo!
6. ECONOMIA DE TEMPO
Nem me lembro quantas horas eu passava no salão de beleza para fazer todo o processo. Na verdade, faço questão de esquecer! Imagina isso uma vez por mês durante anos da sua vida...
Poderia estar na praia, mas estava com aquele produto químico no meu cabelo. E depois ainda tem o processo de pentear: bastante creme, amassa para um lado, amassa para o outro e amassa mais um pouco...
Acordar mais cedo para pentear o cabelo, quem nunca?
Com meu cabelo natural eu economizei tempo! Isso porque não fico perseguindo um modelo para meu cabelo. Simplesmente, como a maioria das crespas, eu não preciso molhar o cabelo todo dia e desembaraço apenas no banho. Muitas de nós nem penteia todo dia. A verdade é que o cabelo crespo não precisa de pente. As mãos são excelentes aliadas!
7. SAÚDE PSICOLÓGICA
Vocês já devem ter passado pelas seguintes situações:
Desespero quando viu a raiz crespa crescer e não tinha dinheiro ou tempo para retocar.
Pânico após um corte químico. Apenas 5 minutos a mais e queda na hora. E agora?
Malhei e suei muito ( algo humano!)... meu cabelo se desmanchou.
Agora, me fala: quem merece viver sob uma pressão dessa?
Não tenho como relatar a sensação que é não ter medo da chuva, ou não entrar em desespero por que a cabeleireira não tem horário, ou ter que comprar um produto mais barato porque o orçamento não cabe aquele alisante que você se dá bem.
Essas situações eu não vivo mais. Vivo coisas do cotidiano com uma intensidade da qual eu era privada. Ou seja, alisar o cabelo pode nem ser tão confortável assim já que nos priva de um monte de coisas. E o pior é saber que já nos acostumamos a viver sem estas coisas. Mas, saiba: você não precisa viver assim!
8. NUNCA MAIS OUVI: VOCÊ NEM É TÃO PRETA ASSIM
Acredite: nunca mais tive que ouvir esta frase tão racista! Esta frase carrega uma carga racista explícita. Ela trata como se fosse uma ofensa identificar uma pessoa como negra. Quando eu usava cabelo alisado, eu ouvia isso frequentemente. Hoje, não escuto mais.
Eu imagino que isso se deva ao fato de que, socialmente, somos vistas como mais negras quando assumimos nossas características naturais. O que é uma bobagem, porque ninguém deixa de ser negra porque usa cabelo alisado.
Mas, os padrões estéticos também são políticos, mesmo que a gente não tenha consciência disso. E o cabelo crespo tem uma relação direta com a auto-aceitação. Assim, o racista (BABACA QUE É), quando vê seu cabelo alisado se sente na liberdade de te dizer "você nem é tão preta assim". É tipo um elogio: "você foi aceita no grupo dos brancos".
Obviamente, enfrento racismo todos os dias, mas em nenhum momento querem me dar carteirinha de branca.
Até porque, minha resposta seria bem delicada:
Rihana dedicando muito amor aos racistas!
9. AUTO EM ESTIMA EM ALTA
Não resisti ao trocadilho... ;)
Para tomar a decisão de assumir seu crespo você acaba enfrentando mil fantasmas. São pressões de diversos tipos como falei acima. Se você não estiver bem consigo mesma, não consegue seguir em frente. Você acaba colocando em cheque sua relação com você mesma. É um processo de aceitação diário.
Então, aprendi a me olhar com mais amor. E hoje cada vez que olho no espelho não consigo não me apaixonar por mim mesma!
10. AMOR POR MIM, AMOR PELAS OUTRAS
No meu processo de transição, mudei meu padrão de beleza. Comecei a me ver com outros olhos e a enxergar as mulheres negras com mais carinho e admiração. Cada vez que olho pra uma mulher negra vejo um pedacinho de mim nelas.
Sou, por que somos! UBUNTU
Mesmo eu sendo militante a alguns anos, assumir meu cabelo crespo me ajudou a resgatar coisas que estavam perdidas sobre minha ancestralidade. Meu olhar se ampliou e agora me sinto muito mais plena e segura quando vejo o sucesso de mulheres negras.
Esta é minha lista de motivos que me levam a acreditar que assumir meu crespo foi libertador.
Ninguém é obrigada a usar cabelo natural para ser mais negra. Mas, para centenas de mulheres usar seu cabelo natural tem sido um ato de libertação e encontro. Eu sou uma dessas.
Espero que nossa felicidade seja uma inspiração para que cada mulher que sente vontade de estar natural possa tomar coragem e ir em frente.
Minha decisão não foi repentina. Na
verdade, foi um processo que demorou cerca de 15 anos para acontecer. Na minha
adolescência, eu olhava para mulheres brancas e dizia: se meu cabelo fosse como
o seu, eu raspava.
Quando apareci de visual novo ( raspei em desde janeiro de 2015), um monte de
gente veio me perguntar o motivo. Sim, as pessoas ainda te questionam sobre
decisões exclusivamente pessoais. Mas, como entendo que a nossa aparência
física, a nossa estética, e os padrões estéticos não são apenas questão de
gosto, são também o resultado de nossa relação com o mundo e do mundo com a
gente, eu resolvi que o primeiro post do tão demoradoBlog da Central das Divastinha que ser sobre minha decisão de
raspar a cabeça.
As perguntas que me fizeram sobre meu novo
visual, em geral não foram invasivas, mas elas refletem um pouco da relação que
se faz entre feminilidade e o modo como você usa seu cabelo. Vejam algumas das respostas que dei e
tirem suas próprias conclusões: “eu não tive corte químico, nada deu errado nos
meus alisamentos, afinal, eu não aliso mais”; “eu não fiz big chop por causa da
minha transição capilar (processo que eu já havia passado, e demorou
alguns anos, mas é assunto para outro post); “eu não deitei para o santo, nem
fiz obrigação na minha religião (ainda... porque não vejo a hora!); “eu
não precisei de coragem, foi até fácil”; “eu não perguntei sua opinião” (esta
resposta foi para o indivíduo que veio me dizer: “EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ
ISSO”). Ou seja, em geral as pessoas imaginavam
que alguma força maior tinha me levado a raspar a cabeça. Como alguém tão
feminina como eu poderia continuar sendo feminina com o cabelo raspado? Mais do
que isso: como uma mulher negra, que vive em função da sua relação de amor e
ódio com seu cabelo pode acordar um dia e raspar a cabeça sem ter sido forçada
a isso? Na verdade, minha decisão de raspar foi
por um motivo maior sim: um amor que se consolidou nos últimos anos... O amor a
mim mesma. Do jeitinho que eu sou. Meu processo de enegrecimento me levou a me
olhar sucessivamente no espelho e ter certeza que minha boca carnuda é linda,
que meus olhos castanhos dizem coisas lindas, que o formato do meu rosto
combina com minha pele, meu nariz tem um formato que fica mais bonito quando eu
sorrio, minha testa grande dá uma expressão especial ao meu perfil, que meu
cabelo é meu e posso fazer com ele o que quiser! Percebi que eu não precisava
mais de cachos para emoldurarem meu rosto, ou esconderem meus traços de
africana da diáspora. Na verdade, posso ter moldura ou não, por que na verdade
o que vejo no espelho me agrada e muito! Este foi o grande motivo por trás da
minha decisão de raspar a cabeça. A profundidade com que minha auto-estima
estava se expressando dia após dia.
Cortar o cabelo não foi difícil. Difícil
foi mudar os padrões de beleza que estavam construídos e impregnados em mim.
Padrões que fazem com que passemos uma vida tentando ser diferentes do que
somos. Padrões que fazem mulheres negras se olharem no espelho e verem suas
características como algo feio, algo a ser transformado ou escondido. E ainda
tem a sessão de tortura: cabelo crespo é ruim de crescer, se cortar ele pode
crescer em um formato inesperado, negra de cabelo curto fica masculinizada. TUDO MENTIRA! E o
pior: não conseguimos nem perceber o quanto isso nos destrói. Precisamos
primeiro perceber que nossos olhos são treinados para encontrar a beleza apenas
em algumas formas e cores, hegemônicas, padronizadas. Esse é o primeiro
passo para a gente desconstruir estes padrões que nos perseguem e destroem.
Assim, finalmente poderemos treinar nossos olhos para ver e gostar do que somos
e de onde viemos.
Logo depois do corte e minha carinha de feliz com as cabeleireiras
E em janeiro de 2015, me sentindo plena e
bela como eu sou, acordei, entrei em um salão e disse: corta! Máquina 2, por
favor! Difícil foi a cabeleireira ter coragem!
Gravei um vídeo na hora e ela me perguntou sucessivas vezes se eu teria coragem
mesmo. Passou máquina 4, achando que eu não havia percebido e eu disse: corta
mais!
Eu amei o resultado. Passados 5 meses, não
estou alucinada para que meu cabelo cresça, esperando os cachinhos se formarem
a qualquer custo. Na verdade, eu já comprei minha própria máquina e quando
quero vou lá e raspo a cabeça novamente. Ou faço uma coloração, ou coloco mini
flores. Ou me turbanto. Ou simplesmente passo minutos me admirando, vendo o
quanto de mim está ainda mais negra depois que cortei meu cabelo. Às garotas e mulheres negras que sentem no
seu íntimo que precisam fazer algo por si mesma, que estão cansadas de se
olharem e não gostarem do que vêem no espelho, não se machuquem, não tenham
pressa... Não há nada de errado com você, nem com o espelho. São centenas de
anos de construção de padrões que nos degradam, não é nada fácil desconstruir
um padrão estético que é reforçado dia após dia: em novelas, comerciais, no
momento da paquera. Mas, temos muita preta linda amando seu cabelinho curto, exibindo ainda mais sua beleza preta e
isso já é uma forma de incentivo e valorização.
Mas, a valorização de nossa estética, da
estética do povo negro, não se dará separada da luta por melhores condições de
vida para nós. Cada vez que conquistamos espaços, e ocupamos estes espaços
assumindo as características de nossa ancestralidade temos mais condições de
bater na mesa e dizer NÃO, NÃO ME SUBMETEREI. E hoje, com meus cabelos crespos,
muito curtos e pintados num rosa intenso, em cada lugar que vou, eu dou o
recado, sem precisar nem abrir a boca: NÃO, NÓS NÃO NOS SUBMETEREMOS AOS SEUS
PADRÕES.
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