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THE CARTERS E APESHIT: AS MENSAGENS DIGNAS DE FECHAR O LOUVRE



Um dos assuntos da semana é o lançamento do novo disco de Beyoncé, no dia 16/06. Desta vez, ela lança um disco em parceria com seu companheiro, desde 2002, o rapper Jay-Z. Para o lançamento do álbum o casal se intitula "The Carters", que é o sobrenome de Jay-Z. Além do álbum, eles também divulgaram o clipe da música Apeshit, gravado apenas no Museu do Louvre, em Paris.


O clipe é uma sequência de beleza protagonizada não apenas pelos Carters, mas também por algumas obras de arte, um mundo de dançarinos e figurinos de tirar o fôlego. Mas, é muito mais que isso. É um tapa na cara nos padrões eurocêntricos de arte. A ideia do clipe, ao levar a música negra para o Museu mais famoso do mundo, é questionar a ausência da arte produzida por negros em premiações e exibições de arte. O recado fica bem explícito quando Jay-Z diz ao Superbowl e o Grammy que não precisa deles. É sempre bom lembrar que a Beyoncé é a mulher mais premiada no Grammy, MAS apenas 2 dos seus 20 prêmios foram em categorias gerais, aquelas não ligadas ao Hip Hop e ao R&B. Ou seja, a arte negra só é valorizada como arte negra, não como arte universal. Para completar o close, os Carters se colocam a frente da obra Monalisa, de Leonardo da Vinci para mostrar que estão no mesmo nível de importância do quadro. O Spartakus Santiago fez um vídeo incrível falando sobre o clipe. Vale a pena conferir, neste link.


Esta não é a primeira vez que Bey lança um álbum de surpresa. Em 2013, o álbum Beyoncé e em 2016, Lemonade, foram lançados da mesma forma. Lemonade foi um sucesso que até hoje a gente ainda não se recuperou. O álbum lançado esta semana é intitulado Everything is Love, tem 9 faixas e está disponível no TIDAL, plataforma stream  de Jay-Z. 

Como todo trabalho de Beyoncé, principalmente a partir de Lemonade (2016) a polêmica já está lançada. O debate sobre o tipo de poder para os negros que a cantora defende é sempre controverso. No clipe, por exemplo, o casal usa algumas das maiores grifes do mundo no figurino: Burberry, Versace, Peter Pilotto. Em Lemonade (2016) ela foi bastante criticada por "cultuar" o uso de marcas de alta costura como referência de poder. Ao mesmo tempo, Bey nunca se vendeu como alguém que milita questionando o poder econômico. Assim como qualquer pessoa branca, ela tem o direito de usar seu dinheiro como símbolo de poder. Mas, diferente de Beyoncé, os artistas brancos não são cobrados. É como se todos os atos de todas as pessoas pretas tivessem que passar pelo crivo de racistas que só caçam posicionamento politico quando é uma pessoa negra que se posiciona publicamente. 


Polêmicas a parte, o que a gente espera é que Everything is Love seja tão incrível quanto Lemonade, afinal é uma obra digna de fechar o Louvre, né, meu amor!?

Um ano sem Luiza Bairros: o legado de uma guerreira (12/31)

Aproveitamos a homenagem às mulheres negras no mês de julho, para também lembrar que perdemos a militante e intelectual negra brasileira Luiza Bairros há 1 ano atrás. Ela deixa saudades, mas também deixa um legado forte e importante. 

Luiza Helena de Bairros, conhecida como Luiza Bairros (1953-2016), mulher negra, nascida em Porto Alegre, foi uma importante intelectual e ativista do movimento negro no Brasil. 

Luiza Bairros se formou em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fazendo seu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a dissertação O Negro na Força de Trabalho na Bahia, entre os anos 1950 -1980. Em seu estudo, ela destacou a discriminação racial no mercado de trabalho, indicando que quanto maior a ascensão dos negros mais acirrado é o racismo. Seu estudo de doutorado, em sociologia, foi realizado na Universidade de Michigan (USA).



Em seus estudos, Luiza Bairros realizou importantes pesquisas sobre a história do movimento negro brasileiro e de seus personagens, buscando sistematizar o legado da feminista negra Lélia Gonzalez.

Segundo Fernanda Pompeu, o que levou a gaúcha Luíza Bairros a trocar Porto Alegre por Salvador foi a concentração de afro-descendentes, sendo radicada em Salvador desde 1979. Em terras soteropolitanas, Luiza foi uma liderança do Movimento Negro Unificado (MNU); trabalhou em programas das Nações Unidas contra o racismo, em 2001 e em 2005 e foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia, de 2008 a 2010.  Entre os anos de 2011 e 2014, Luiza Bairros foi e ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial. Durante sua gestão, foi aprovado o estatuto da igualdade racial.

No vídeo abaixo, Luiza Bairros fala brilhantemente sobre a importância da sociedade se dedicar ao debate da igualdade racial.


Pude conhecer e ver a força de Luiza Bairros pessoalmente. Foi um momento de fortalecimento da importância de ouvir nossas mais velhas e aprender com elas.



VIVA LUIZA BAIRROS!
VIVA AS MULHERES AFRO LATINO AMERICANAS!

No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!


Leia o texto de Luiza Bairros, NOSSOS FEMINISMOS REVISITADOS





Mês da Mulher Afro-Latino Americana e Afro-Caribenha - Celebrando uma preta por dia!

No dia 25 de julho, as mulheres negras celebram o Dia Internacional da Mulher Afro-Latino Americana e Afro-Caribenha. A data foi criada em 25 de julho de 1992, durante o primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana, como marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. A data ganha ainda mais importância quando lembramos que ela foi criada a partir da auto determinação das mulheres pretas e não com motivos comerciais como a maioria das datas comemorativas. Ele é um dia de luta e celebração de nossa negritude.


No Brasil, esta data foi sancionada em 2014, por Dilma Roussef. É uma data nacional e foi instituído como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Aqui na Central das Divas, nós já falamos desta data em 2016, neste link. Este ano, resolvemos homenagear as mulheres negras durante todo o mês de julho. Vamos falar de uma mulher preta por dia! 



Celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!


Se você tiver alguma sugestão, pode comentar aqui e nos dizer: QUEM VOCÊ QUER HOMENAGEAR?

MULHERES NEGRAS TAMBÉM VIAJAM! 10 Perfis no Instagram que valem a pena seguir se você ama viajar!

Um dos temas que a gente sempre trata por aqui são viagens. Depois que descobri que posso viajar com pouco dinheiro, este se tornou meu maior hobby! Então, vivo buscando dicas e inspirações na internet sobre viagens. O problema é que a maioria das dicas são dadas por gente branca. 

A principal questão é que a gente busca representatividade. A gente quer ter alguém para se espelhar, que possa contar e mostrar a experiência de viagem para pessoas pretas. Pessoas brancas não sofrem com racismo. Pessoas brancas falam sobre viagem sem entender que viajar, muitas vezes, é privilégio. Pessoas brancas visitam a história de sua própria ancestralidade, e quando visitam o continente africano, ou lugares ligados à ancestralidade negra, o tratam a partir de uma perspectiva fetichizada. São significados diferentes.

Por isso, tenho seguido perfis no Instagram de pretas que estão por aí desbravando o mundo e resolvi compartilhar com vocês. Alguns são perfis de mulheres negras, outros de agências de viagens que se especializaram no público negro.

Infelizmente, são todos perfis gringos. Mas, a pesquisa por perfis de viagens dedicado ao público negro no Brasil segue firme. Se você souber de algum, indica aí nos comentários. Quem sabe sai a parte II deste post!


Perfil dedicado a inspirar mulheres negras para viagens e contar suas histórias pelo mundo. Se quiser aparecer por lá, marque #blacktravelist.

 Foto de @poitravels na Praça da Revolução

Foto de @heartsleevedbg, na Turquia


Tamara é comissária de bordo e registra sua passagem pelos lugares onde trabalha. Só fotografia arrasadora! 

 Tamara na Etiópia

 Tamara em Amsterdam


Perfil de uma agência de viagens que realiza viagens de alto luxo para o público negro, para destinos que tenham relação com o povo africano da diáspora ou do continente africano. Entre os destinos, eles têm pacotes para Salvador, Cuba, Zimbábue. Imagina então as fotos disponíveis neste perfil!


 México

Bali

Perfil dedicado a registrar viajantes negros que exploram o mundo. Marque #cocoatravelersintl  se quiser que eles publiquem sua foto.

 @luvleelioness em Havana

Podemos ir sempre mais longe. Olha a @thedramadiva na Muralha da China


Este perfil mostra as viagens de Jordyn e Kennedy. O destaque é que os pequenos tem apenas 3 e 1 ano de idade. A gente se derrete com tanta fofura!

Baby negro brilhando na Tailândia, em Wat Mahathat

Olha essa fofura em Coral Island Phuket

Wanderlust:  é uma expressão derivada do alemão: ‘’wandern’’, ‘’a vagar’’, e ‘’Lust’’, ‘’desejo’’. É comumente definido como um forte desejo de viajar, ou de ter um forte desejo de explorar o mundo. É a partir disso que este perfil é definido. Além do instagram, você pode também seguir a bonita no seu blog: www.knuckifyoubuckpoi.com. Lá ela registrou suas viagens em 4 continentes e 22 países.

 República Tcheca

É carnaval na Jamaica!


Também é o perfil de uma agência de viagens especializada no público negro. Aqui encontramos fotos de destinos diversos estreladas por gente preta e linda.

 @lesvermines na Jordânia

@tt_miss_ no Taj Mahal, Índia


Outra agência de viagens especializada em levar pretos e pretas para explorar o mundo. Vale a pena conferir. Tanto lugar lindo que dá até um aperto!

 @travelisse.816 explorando Batu Caves, Malásia

@rianna_gallery brilhando em Paris


Mais uma agência de viagem nos premiando com as melhores fotos de negras explorando muitos destinos pelo mundo. 

 Que tal passar o ano novo em Havana?

@bridgetmasinga acha pouco estar no Zimbabue, ainda tem que fazer pose ao lado de uma leoa!


Este é o perfil que mais gosto!
Se apresenta como: MULHERES NEGRAS VIAJAM TAMBÉM. A ideia é ser uma comunidade mundial com dicas e ferramentas para o empoderamento de mulheres negras que viajam.

 @beautifully.flawed.one no Castelo de São Felipe em Cartágena

Surra de @beautifully.flawed.one! Porque ela arrasa. Olha ela na Holanda

E aí, gostaram?
Se tiverem dicas de perfis brasileiros, mandem pra cá!

Beijos!

COMO A HASHTAG #BlackWomenAtWork FOI PARAR NO TRENDING TOPICS?

Nas últimas 24 horas, a #BlackWomenAtWork ficou entre os principais assuntos do twitter. O que motivou a criação da hashtag foram os ataques  públicos a duas negras norte americanas: a congressista norte americana Maxine Waters e o correspondente da Casa Branca, April Ryan.

Em primeiro lugar, Bill O'Reilly, da Fox, zombou da aparência de Waters em seu programa, dizendo: "Eu não ouvi uma palavra dela. Eu estava olhando para a peruca de James Brown. Se tivermos uma foto de James, é a mesma peruca. "

Maxine Waters

Mais tarde, ele - como todos os racistas com medo de represália - se desculpou pelos comentários desrespeitosos, alegando que ele tem "respeito" pela congressista Maxine Waters e só "fez uma brincadeira sobre seu cabelo, que era estúpido". E

Pouco tempo depois, o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spice, repreendeu April Ryan por ela balançar a cabeça enquanto ele falava durante uma conferência de imprensa.

As duas situações, nos lembram de uma coisa que é um fato para toda mulher negra: é um inferno ser uma mulher negra no local de trabalho.



Durante todo o dia, as mulheres negras começaram a compartilhar suas histórias sobre a discriminação no local de trabalho no Twitter usando a hashtag #blackwomenatwork o que prova que que o que Waters e Ryan vivenciaram não são novidades para nenhuma mulher negra. 
E você, já viveu alguma discriminação racial no seu ambiente de trabalho?



Taís Araújo e Lázaro Ramos na capa da Revista Veja: Representatividade para quem?

A Veja, a revista de maior circulação nacional divulgou no dia 23/02 sua capa da edição que será distribuída na próxima semana. É uma foto do casal Lázaro Ramos e Taís Araújo. A capa é de crescer os olhos e aquecer o coração, com uma legenda que deixa qualquer preta ou preto no Brasil cheio de orgulho:


Para as negras e negros do Brasil que há muito tempo batalham por representatividade, para ver referências positivas do seu povo, esta capa tem cheiro de vitória. Nós nos sentimos imbatíveis sim! Mas, chegando mais perto o cheiro é de podre, como tudo que vem da Revista Veja. É tanta coisa horrível que a gente nem sabe por onde começa a ter raiva!

Vamos começar pelo título e subtítulo: 

Taís Araújo e Lázaro Ramos: o casal mais poderoso do showbiz
 E ainda simbolizam a vitória do talento sobre a barreira racial"

A direita no Brasil, que tem suas ideias tão bem representadas nesta revista já não pode mais negar os danos causados pelo racismo aos pretos no Brasil. Dados científicos mostram que somos os mais atingidos pela violência e pobreza. No mesmo dia em que esta capa é divulgada, também são publicizados os dados do IBGE que mostram que a crise econômica e o desemprego atingem mais pretos e em especial as mulheres. A herança da escravidão não pode mais ser negada. Ela é comprovada por dados científicos e voz do povo preto não pode mais ser calada. Temos feito muito barulho! Para além disso, hoje temos acesso a instrumentos de comunicação que ajuda a acoar nossa voz: blogs, vídeos, redes sociais, mídias independentes. O que faz então a revista Veja? Reconhece que há uma barreira racial, mas ao mesmo tempo mostra um casal que simboliza que é possível vencer a barreira racial se você tiver talento! Ou seja: esta capa é um brinde à meritocracia. 

A Veja tenta transformar um exemplo a ser seguido alguém que teve melhores oportunidades do que a maioria da população. Transformando "melhores oportunidades" em uma corrida por "quem tem mais talento" ou "trabalha mais" para vencer as barreiras do racismo. Taís Araújo, por exemplo, estudou em boas escolas, teve oportunidades diferentes da maioria dos pretos e pretas brasileiros, como ela mesmo já relatou. Sabemos que também enfrentou a barreira do racismo - porque ele não escolhe suas vítimas - mas, teve muitos outros instrumentos para enfrentá-lo. 

Se depois disso, você ainda achar que vale a pena ler a revista - o que eu não indico - você pode ver uma parte da reportagem de capa na página da Veja. No subtítulo, mais uma pérola: 

"Par simboliza um ideal de país em que qualquer pessoa pode vencer pelo trabalho e pelo talento."

Vejam só: é tudo uma questão de trabalho e talento. Essa frase simboliza tudo o que o povo preto foi ensinado neste país: "se você não vence, é apenas uma fata de esforço e talento seu". A reportagem segue o mesmo tom:



"Mas, o fato é que eles atestam quanto o país mudou nas últimas décadas: a TV e a propaganda hoje reproduzem muito mais a diversidade brasileira. Para o público em geral, eles acenam com uma espécie de seguro contra a desesperança. Como bem definiu o ensaísta Eduardo Giannetti, a ideia de que o Brasil é uma democracia racial não se sustenta na realidade crua, mas é salutar que essa utopia seja perseguida como um ideal de país. O sucesso de Lázaro e Taís nos faz vislumbrar um Brasil de que se orgulhar: um lugar onde pessoas de qualquer classe ou cor de pele possam prosperar pelo talento e trabalho."

Ou seja, a revista Veja usa como exemplo UM HOMEM E UMA MULHER NEGROS para dizer que os outros dezenas de milhares que estão sendo assassinados pela polícia ou pelo tráfico, que engrossam as fileiras de desempregados, não tiveram talento ou não trabalharam o suficiente para superarem a barreira do racismo. 

Esta revista usa um casal que hoje é símbolo de resistência e representatividade para levantar a bandeira de algo tão nocivo e destruidor para nós como a meritocracia. Acreditar que as poucas pretas e pretos que conseguem ultrapassar a discriminação racial são exemplo de que esta barreira transponível para todos é uma ilusão que só serve àqueles que não precisam se preocupar com ela e que se beneficiam dela.


Se depois de tanta sujeira você ainda não tem certeza de que nem o talento e o trabalho são capazes de superar o racismo, entre na page do Facebook da Revista Veja e leia a chuva de cometários racistas como estes:




Aos irmãos, Lázaro Ramos e Taís Araújo, meu abraço. Todo meu respeito. Quem os acompanha sabe o trabalho de vocês para que seu sucesso não alimente o discurso meritocrático. Se o interesse desta revista é causar confusão entre nós pretas e pretos, saibam que nossos olhos estão abertos.

Essa capa é um desrespeito a artistas tão maravilhosos. Mas, é um desrespeito especialmente a todas às pretas e pretos neste país que trabalharam diuturnamente para ouvirem que apenas com talento, eles podem superar a "barreira racial". É um desrespeito à ancestralidade que foi arrancada do continente africano e que, por esta lógica, não teve talento para vencer.

Revista Veja, vocês não me surpreendem. Nada que venha de vocês representa a luta do povo preto deste país. 

GUEST POST: Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária. - Por Sidélia Silva


Há muito tempo venho namorando alguns escritos de manas amigas para trazer para um post no Blog da Central das Divas. Se gosto de receber amigos na minha casa, porque não amaria receber aqui no Blog?

Para estrear a seção de Guest Post, tenho o maior orgulho de apresentar um texto da amiga querida: Sidélia Silva. Sobre um tema que sempre temos discutido e que aqui ela coloca um pouco pra fora.

Vale a pena cada palavra!
Comentem. Divulguem. Debatam!

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Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária
Por Sidélia Silva*

“A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”
(Conceição Evaristo)


Ultimamente, tenho recebido algumas ~acusações~ de ser “academicista” e isso tem vindo de gente branca, classe média e universitária, pessoas que reivindicam se o meu feminismo chega na periferia, como se na periferia não houvesse feminismo, sendo que nunca vi essas pessoas por lá. Vejam vocês! E isso tudo porque faço indicações de textos em conversas amenas. Quando o bixo pega na discussão, eu já tinha indicado o texto que se a pessoa quisesse mesmo saber sobre o assunto teria parado a discussão e ia ler, olhem bem! O que é isso? Privilégio! Quando você pode discorrer sobre diversos temas à vontade e confortavelmente a partir do alto do seu senso comum ao invés de voltar 2 casas e passar sua vez.

Não tenho nenhum remorso, vergonha ou peso na consciência de mandar um/a playboy ler um texto, principalmente se for da academia (porque eu tenho recorte de raça, classe e gênero, coerência), não faz mais que obrigação para entrar numa discussão, principalmente quando são discussões de acumulo e cunho politico.

Fico pensando onde a falta de honestidade e dignidade dessas pessoas chegam? Ao ponto de reivindicar a periferia? Estou falando de pessoas bem nutridas, estudadas, com a pele ~bonita~ e saudável, classe média que estão há anos na universidade e quando ouvem um conceito acadêmico proferido por mim (estou a 1 ano no feudo Unicamp) me ~acusam~ de “academicista” e me perguntam se isso chega na periferia. 

Eu fico na dúvida se essa pergunta é porque essas pessoas estão há anos na universidade e simplesmente não estudaram como deveriam e por isso não sabem do que eu estou falando e usam essas perguntas como um tipo de defesa desonesta? Ou se elas acham que são periféricas, ou ainda estão usando o conceito de classe contido em Marx como a separação dicotômica do proletariado e da burguesia e não sabem que desde 1970 tem um lugar ao sol no debate de classe marxista para a classe média (Décio Saes e Armando Boito Jr.) ou nova pequena burguesia (Poulantzas) na luta de classes marxista, viu gente?


A maior parte do que sei não veio da academia. PASMEM! Veio da formação em movimentos sociais que sabem que A PERIFERIA NÃO É BURRA e nem subestima a sua capacidade de cognição, de pensar, produzir conceitos, relacionar, argumentar, produzir conhecimento, refletir e sim, é capaz de absorver conceitos e construir um raciocínio lógico tranquilamente a partir da sua vivência (Conceição Evaristo) e do que acontece no seu cotidiano. E que a maioria dos movimentos sociais sabem que precisamos nos formar, dialogar e trocar informações entre o que está sendo construído como pensamento hegemônico por 2 motivos: 

a) o pensamento hegemônico também impacta na vida real das pessoas. Ao contrário do que se argumenta, a teoria não fica contida em si, ela impacta no modo de pensar das pessoas vide o ~favor~ que Gilberto Freyre nos fez;

b) para que haja contra argumentos desse pensamento hegemônico que muitas vezes é racista, classista, homofobico, transfobico, capacitista entre outras opressões que acabam por se naturalizar na prática através do discurso teórico;

Dissimular preocupação com a periferia, para além de desonesto é racista e classista também, quer dizer: “Vai para lá, lá é o seu lugar!” Quer dizer, olha a “argumentação” (~acusação~) que a galera branca, classe média e universitária está desenvolvendo!? No mínimo incompetente e no máximo tendencioso. 
E mais, dá fortes indícios que talvez a pessoa que se utiliza desse artifício desonesto nunca tenha dado uma formação ou trocado ideia com a periferia para além do seu objeto de pesquisa. Pois, a maioria dos conflitos que estudamos e refletimos na academia acontecem em alguma medida na vida dessas pessoas:

  • Pergunta para as meninas o que elas pensam com relação a sua posição no mundo enquanto mulheres e logo você verá que sim, existe feminismo na periferia;
  • Pergunta para a galera LGBTT periférica o que aflige eles e elas você ouvirá sobre lesbofobia, bifobia, transfobia, homofobia e as demais opressões que a heteronormatividade acarreta para essas pessoas;
  • Pergunta para um cara que tá chegando em casa do trampo o que ele acha do seu patrão você encontrará a luta de classes;
  • Pergunta para elas e eles como fazem a sua diversão, você verá que existe uma cultura própria na periferia;
  • Pergunta para galera sobre a polícia você verá que a maioria não vê sentido na polícia;

Isso aqui é saber popular, vivência, prática. 

O academicismo precisa de criticas mesmo, mas em outro sentido, no sentido de considerar saberes empíricos, no sentido de romper com a desigualdade entre a diplomação e a não diplomação, e não nesse sentido sujo de não saber como argumentar em um discussão que se inseriu. Percebo escuramente que a periferia tem me formado cada vez mais. A Unicamp vai me dar um diploma e os conceitos básicos para entender as construções teóricas existentes, mas a convivência com a periferia, ter estado e vivido me traz outras perspectivas e outro tipo de construção acadêmica, eu tenho a necessidade de transmitir isso e de absorver qual a percepção da periferia sobre os assuntos. Como diz Conceição Evaristo: “A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”

Não estou aqui também romantizando a periferia (nasci e vivi por 16 anos em uma periferia), todas as contradições colocadas pela hegemonia também a incorporam. Assim como os bairros de alto luxo, classe média etc. têm suas posições e ideologias, e dificilmente isso é questionado, a periferia por vezes reproduz esses posicionamentos, discursos e ideologias, e é o objeto de pesquisa, é o “diferente”, como se essas posições e discursos não fossem feitos para alcançar a periferia mesmo e desmobilizá-la enquanto classe.

Reproduzir o discurso de que um diploma não é importante para uma pessoa negras e/ou pobre que almejam entrar em um curso superior. JAMAIS! Vou ajudar no que puder para essa pessoa acessar a universidade, se quiser. Se as pessoas almejam se formar eu acho que temos que apoiar, mesmo sabendo das dificuldades da academia. Fomento isso, sim! Fazer o contrário é falta de responsabilidade com as minhas causas e convicções. 

Existe uma grande diferença entre privilégio e acesso. O privilégio é a vivência natural de uma classe específica (ex. viagens para o exterior, faculdade, carro, mesada etc.) Enquanto que acesso vem a partir da luta por direitos para que uma classe acesse algum direito ou cidadania que os é negado ou a inserção em instituições excludentes (ex. cotas raciais, cotas sociais, bolsas para cotistas se manterem na universidade, cotas em concursos públicos etc.)

Não é justo, muito menos honesto, cobrarmos purismo revolucionário da periferia, as pessoas que tem privilégios precisam se responsabilizar de fato e parar com essa desonestidade fetichista. Estou dizendo que na periferia as pessoas têm a noção e a dimensão mínima dos conflitos que as perpassam enquanto indivíduo ou grupo.  Conversa dois minutos da vida com qualquer pessoa de lá, sem chegar sorrindo estridentemente, mostrando a sua boa educação e como você é “humilde” e “simpático/a” para fingir o seu nojo de pobre que está na sua cara e seja você e trate as pessoas como você trata as pessoas converse com elas enquanto pessoas não quanto objeto de análise, não como ode à miséria, não como gestão da pobreza.

Aqui, penso na questão do diálogo, pessoas brancas, classe média e universitárias. Quando é que a periferia se tornou uma preocupação de diálogo para vocês, para além de seus objetos de pesquisas? É muita prepotência. Percebem que isso é apenas uma defesa de privilégio e mais uma vez disfarçada de preocupação? 

Negras, negros e periferia podem estar onde eles e elas quiserem: na periferia, na academia, na obra, na diretoria etc. Tenho lido muito e a maioria das minhas leituras não vão no sentido do que estudo na academia. Elas vão no sentido da minha militância nos movimentos sociais, de entender a questão de gênero, a questão racial e de classe que é o que perpassa por mim enquanto pessoa, enquanto militância e enquanto vivência e pela maioria das pessoas com as quais eu convivo. Tenho lido muito mesmo, tenho me aventurado até no francês (que ainda levo 5 vezes o tempo de leitura normal) e logo menos vou me aventurar no alemão para saber cada vez mais e poder transmitir isso para as formações nos movimentos sociais. 

Sua preocupação dissimulada não passará! Haverá cada vez mais, negros e negras da periferia acessando a universidade questionando sobre o seu aprendizado, absorvendo aprendizado e retransmitindo para a sua militância ou trazendo sua vivência para a academia e vice versa e tudo isso junto. 

“Não temos tempo para abrir mão de qualquer instrumento de luta. Se os brancos podem abrir mão do conhecimento sistematizado, eles que abram mão. Não deixarei nenhum dos nossos abrir mão do que a humanidade produziu e tomar este conhecimento para transformar a sua e a nossa realidade. Eu afirmo que, em nossas mãos, o conhecimento sistematizado pode tomar uma dimensão revolucionária. É tudo nosso e nada deles!” (PINHO, 2015)

Sigamos!








*Sidélia Silva compõe o Coletivo de Mulheres Negras Lélia González, a Frente de Mulheres Negras de Campinas e o Coletivo de Entretenimento Afrontamento Close. Ela lacra, brilha, fecha a boate e não sofre por amor.



Referências:

Custódio, Túlio. Amarras das letras: das criticas ao academicismo na militância. 2016. Disponível em <http://www.geledes.org.br/amarras-das-letras-das-criticas-ao-academicismo-da-militancia/>


HOOKS, bell. Intelectuais Negras. 1995. Disponível em < https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/viewFile/16465/15035>


PINHO, Carolina. Eu, mulher negra na universidade...academicista? 2015. Disponível em: <http://blogueirasnegras.org/2015/07/29/eu-mulher-negra-na-universidade-academicista/>


SANTOS, Sônia Beatriz. Feminismo Negro Diaspórico. 2007. Disponível em <http://www.revistagenero.uff.br/index.php/revistagenero/article/view/157/100>


Beyonce é a artista mais premiada na história da MTV Music Award

Aqui no nosso Blog, falamos sempre das marcas que o racismo deixa na vida de pretos e pretas. Assim é no nosso cotidiano e vemos o resultado na falta de representatividade que temos em muitos lugares, como por exemplo o mundo da música pop.

Por isso, a noite do dia 28 de agosto de 2016 foi super especial para nós. Nesta noite, aconteceu a premiação do MTV Video Music Awards (VMA). O que vimos foi um desfile de talento. Rihanna cantou na abertura e encerramento da cerimônia.. Nicki Minaj também se apresentou com um visual arrasador.

Mas, a rainha da noite foi Beyoncé. Além de fazer uma apresentação maravilhosa, celebrando poder feminino, a cantora ganhou o prêmio de melhor vídeo do ano com "Formation" e saiu como a grande vencedora da festa realizada no Madison Square Garden de Nova York.



Além deste prêmio, o mais importante da noite, Beyoncé ganhou cantora levou para casa cinco prêmios por Formation (Melhor Edição, Direção, Cinematografia, Coreografia, Melhor Vídeo Pop), um por Hold Up (Melhor Vídeo Feminino) e Melhor Longametragem, por Lemonade.


Você vai dizer que perdeu a apresentação da Bey? Então veja aqui!




A outra protagonista da noite foi Rihanna, que recebeu o prêmio honorário Michael Jackson Video Vanguard.  Além disso, subiu quatro vezes ao palco para relembrar boa parte de sua carreira, incluindo grandes sucessos como "Diamonds", "Please don't stop the music" e "Only girl (In the world). 

Confira o vídeo de uma de suas atuações na noite de ontem.




Rihanna subiu quatro vezes ao palco para relembrar boa parte de sua carreira, incluindo grandes sucessos como "Diamonds", "Please don't stop the music" e "Only girl (In the world).


É para assistir mil vezes e morrer de amor!

DIA DAS IYÁS: 6 MÃES PRETAS QUE VOCÊ PRECISA SEGUIR NAS REDES SOCIAIS

Este post nem precisava de data especial para acontecer já que fala de amor. Mas, com o bombardeio da mídia sobre o dia das mães, a gente aproveita para falar de amor mais do que falar em presente. A gente resolveu fazer um especial "Dia das Iyás*: 6 mães pretas que você deve seguir nas redes sociais". 



Resolvemos listar os perfis no Instagram de mulheres pretas que compartilham sua maternidade e que acabam ajudando e inspirando outras mães pretas na luta diária que é ser mãe.

Luta porque a sociedade não facilita a vida das mulheres. Pesquisas apontam que as mulheres são submetidas a salários menores, apesar de trabalharem mais que o dobro do que os homens. São jornadas de trabalho exaustivas que envolvem cuidar de filhos, trabalhar fora, cuidar da casa e ainda assim ganhar salários menores. Somado a isto, sabemos que, apesar das mulheres ocuparem cada dia mais espaços, não tem havido uma redefinição dos lugares que ocupam os homens na sociedade, tanto no trabalho em casa como no trabalho fora de casa.

Quando falamos de mulheres negras a situação é ainda mais difícil: estudos recentes apontam que elas são as que recebem menores salários no mercado de trabalho. Além disso, as pretas enfrentam um desafio que muda toda a forma de enfrentar a realidade: o racismo. 

Neste quadro é que as mães pretas que vêm compartilhando sua rotina nas redes sociais acabam criando uma rede de apoio e ajuda mútua. Elas compartilham problemas e soluções que sempre estiveram em âmbito privado ajudando e inspirando outras pretas. Elas abordam e compartilham muitos temas que não são abordados sistematicamente mas, que são problemas diários como racismo, relações de gênero, violência, mas também criação afrocentrada, estética, empoderamento... É um ato de amor sem fim ver a luta de cada uma delas que na verdade expressa angústias e amores de cada uma de nós, mulheres pretas. 

Este post é uma homenagem a elas e outras mulheres pretas que inspiram e ajudam outras mães. Que mais mulheres pretas possam se fortalecer e se apoiar neste desafio que é ser mãe preta em uma sociedade racista como a que vivemos.

1. @Sá Ollebar (Preta Pariu)


Se liga no nome do Blog da gata: Preta Pariu. Nem precisa falar mais nada: no blog dela tem uma aba especial chamado cria. Também pudera: são 4 crianças! Nas redes sociais, ela fala de maternidade, beleza, política e tudo que der vontade. 
As crianças lindas sempre aparecem em suas postagens mesmo aquelas que não se relacionam com maternidade. Entre as postagens mais deliciosas sobre maternidade, podemos encontrar: Cuidados com as crias no verão e Desfralde Brincando – O momento certo. 
A Sá também já abriu espaço para a doula que fez seu parto falar no seu Blog. A Camila Aguar falou sobre O que faz a Doula?  Texto emocionante. Vale a pena.

2. @Mãe Nada Convencional (Priscilla Silva)


A Priscilla Silva é quem comanda o IG @mãenadaconvencional. Ela procura sempre mostrar o que há de mais bacana em referências positivas para sua filha linda, a Alyia. 
No IG da @mãenadaconvencional você vai sempre encontrar dicas de brinquedos e brincadeiras com recorte racial, além de fotos de crianças negras, produtos para cabelos de crianças negras e a divulgação de políticas raciais que envolvam interesses de mães e crianças negras como as "5 formas de combater o racismo na Infância"

3. @Preta Problema (Renata Morais)



Só de ler o nome do perfil já dá vontade de seguir, né? Alguém que se auto-denomina Preta Problema é digna, né, mores? Mas, a gente tem mais motivos pra seguir ela: a gata é Diretora de criação da Lulu e Lili e Coordenadora e Fotógrafa da Crespinhos S/A. 
A Lulu e Lili é uma marca especializada em acessórios para crianças com cabelos crespos e surgiu a partir da dificuldade que a Renata tinha em encontrar produtos para o cabelo da filha. A Renata foi quem idealizou aquele editorial super bombado em 2015 com meninas entre 3 e 4 anos arrasando. Sobre o editorial a Renata diz "quando estimulamos as meninas assim, elas se vêem bonitas e se empoderam. Se investimos em uma criança, criamos uma mulher empoderada." Alguém duvida? Nada melhor do que a realidade para comprovar: Renata é mãe da Elis Catanhede. Empoderada como a Elis? Só a mãe dela!

4. @Jaciana Melquiades (Era uma vez o mundo)


O IG da Jaci é pura sensibilidade. Não é a toa que ela é uma das criadoras da "Era uma vez o mundo" que atua na área de Produção de Identidade Visual, Brinquedos Criativos, Afirmativos e Educativos e tem a missão de "viabilizar elementos da imaginação que formam o indivíduo, desenvolvendo espelhos positivos e afirmativos que elevem a autoestima da criança, principalmente, criando representatividade".
A importância que a Jaci dá a questão da representatividade ganhou ainda mais destaque quando seu filho, Matias, 4, se encantou com o boneco do personagem Finn, de "Star Wars - O Despertar da Força". Até o ator que representa o personagem compartilhou a foto do Matias: 



5. Luciana Bento (Blog A Mãe Preta)


A Lu Bento é a mulher a frente do Blog A Mãe Preta. Ela se define como "mulher, negra, mãe, esposa, cidadã, professora, pedestre, motorista, filha, cientista social, estudante, livreira, neta, motorista, madrinha, consumidora, vizinha, telespectadora, leitora, blogueira… Todas elas juntas num só ser.". Ou seja, alguém aí se identificou? A Lu é uma mulher como nós, comum, que resolveu compartilhar suas descobertas como mãe preta no Blog e no Facebook. O blog tem um espaço muito bacana que chama "Lê pro Erê". A proposta é falar sobre livros. "Não só sobre livros infantis, mas também livros paradidáticos, quadrinhos, livros sobre criação de filhos, livros sobre educação e literatura em geral. A ideia do espaço é comentar e divulgar obras que de alguma forma contribuam para o empoderamento das mães pretas e de suas filhas e seus filhos." Gostoso, né?

6. @XanRavelli (Soul Vaidosa)


A Xan... Só amor, né? Ela encabeça o Soul Vaidosa que é um blog/vlog/perfil super bombado! Trata de moda, racismo, beleza negra, auto estima e também seus dois pimpolhos lindos. Uma das coisas mais legais impulsionadas pela Xan é o Conversa com Cachaça, no seu canal do Youtube. Sempre trazendo temas polêmicos, ela faz a gente se sentir em uma mesa de bar com as amigas pretas. Um dos temas recentes foi Maternidade Negra. Delícia mesmo!
Conheci a Xan em em debate que fizemos juntas. Foi um momento super emocionante, falamos de mulher negra, empoderamento e mídia... Todo mundo chorou.. Menos seus dois filhos! Eu fiquei impressionada com a independência das duas crianças! Uma delícia de ver que o poder e segurança que a Xan exala é transmitida para suas duas crianças pretas.

Além dessas mulheres maravilhosas, temos mais dois bônus. Bônus, porque se for falar de amor, a gente tem que pedir bis! 

Bônus 1
Iyá Maternância


É uma iniciativa de 4 mulheres pretas que estão nesta lista (Xan Ravelli, Sá Ollebar, Priscilla Silva, Luciana Bento) mas que é EXCLUSIVAMENTE voltado para a maternidade preta. Elas fizeram até um evento em abril de 2016 para lançar o projeto com o tema PORQUE FALAR SOBRE MATERNIDADE NEGRA?
É uma iniciativa super politizada que situa as dificuldades de ser uma mãe negra pelas pressões que sofremos tanto do machismo como do racismo. "A mulher preta é duplamente violentada na sociedade pelo racismo e pelo machismo, desde muito nova ela é instruída a ser forte, a simplesmente resistir a essa enxurrada de violência cotidiana a que sempre foram expostas. Existe uma naturalização dessas agressões na vida da mulher preta, quantas vezes já ouvimos frases do tipo É ASSIM MESMO, DEIXA ISSO PRA LÁ !"
Vale a pena conferir.

Bônus 2 
Ela se apresenta como mãe da Rafa. Eu pararia por aí se ela não fosse aquele mundo de mulher que só tem condição de ter uma filha tão maravilhosa porque é uma mulher maravilhosa.



Seguir a Carol é se apaixonar pelos registros super coloridos que ela faz da Rafa, mas também é se encantar com a relação de amizade que ela constrói com a filha. Ela relata alguns dos incríveis momentos de aprendizagem que ela e a filha tem. Acompanhar o perfil dela é ver ela e a filha se construindo como mulheres negras. E por fim, a Carol é a idealizadora deste post. Um belo dia acordei pela manhã com alguém me escrevendo: "Pretaaa, posso sugerir pauta para a Central das Divas? Que tal um especial "Dia das Iyás" para homenagear e fortalecer essas mulheres fodas que estão aí nadando contra a corrente?"
Eu adorei claro! Mas, eu não sou mãe... Como vou indicar quem fortalece a maternidade preta? E ela me deu todo o caminho. Eu já seguia todas as mulheres, mas a ajuda e a sensibilidade da Carol foi fundamental. Ou seja, o bônus é porque o perfil dela foi indicação minha! Surpresinha Carol! Larga de ser chorona! Muito Obrigada, querida!



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Que este post seja um abraço em todas as mães pretas, que enfrentam porradaria para criarem seus filhos.
Um abraço especial na minha mãe preta! Sou porque somos! UBUNTU!


*Iyá: vem do yorubá e quer dizer mãe.