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9 PRETAS QUE VOCÊ DEVE SEGUIR NO INSTAGRAM SE VOCÊ AMA TURBANTES

Amo turbante e isso não é novidade. Então, ando por aí sempre atrás de referências que também amam turbantes. A lista de mulheres que sigo e arrasam com seus turbantes é enorme. Muitas delas são gringas. A gente sabe que o uso das redes sociais para compartilhar informações entre as mulheres negras é um instrumento utilizado há muito tempo fora do país, especialmente nos Estados Unidos. 
Mas, no Brasil cada dia mais mulheres pretas aparecem maravilhosas falando sobre turbante, comercializando e nos inspirando. Fiz esta lista a partir de perfis que tratem o turbante como algo maior do que um acessório, elas mostram um pouco do significado cultural do turbante para o povo preto. 

É como um resgate ver tantas mulheres negras se apropriando deste adorno e ajudando a resgatar um patrimônio do povo preto.

É muita beleza ancestral, inspire-se!



Este perfil é administrado pela Diva Bea Caixeta que é da Baixada Santista. Lá você encontra fotos dela e de fãs da página. É um perfil politizado e bem humorado e está articulado com um grupo e com uma comunidade no Facebook: "O turbante é a nossa coroa, de amor, de resistência, de resgate, de afirmação."

@meuturbanteminhacoroa


2. CAROL DAMIÁ
A descrição do perfil da Carol é: "A Carol, A Rafa, as cores e os turbantes". Ou seja, além da lindeza inspiradora da Carol, você ainda se delicia com a fofura da Rafaela, filha dela. No perfil, a Carol brinca com as cores que estão a sua volta e nos encanta com alguns momentos da sua relação com sua filha linda que já ama turbantes e ama ser pretinha. Um delícia de ver!


3. BOUTIQUE DE KRIOULA
A Michele Fernandes é Krioula da Boutique de Krioula. A sua marca visa "valorizar as origens afro-brasileiras através de seus acessórios, vestuários e atitudes". Conheci a Michele bem no inicio do Boutique de Krioula, quando comprei uns turbantes, e fiquei super orgulhosa de ver sua correria para o seu empreedimento dar certo. E deu! Seu perfil tem mais de 15 mil seguidores! 


Perfil lindo de uma mulher que se auto intitula "Mulher Preta empoderada". A gente descobre o porquê quando vê o perfil dela no Instagram. O perfil é cheio de fotos inspiradoras suas, de suas clientes e dos produtos que ela comercializa. Recentemente, ela fez um ensaio com algumas peças e turbantes que ela vende. Ficou um luxo!


5. TURBANTE.SE
Este perfil é capitaneado pela Taís Muniz. Ela é uma baiana de Feira de Santana, radicada em Salvador. Sua apresentação em seu site até tira o fôlego: "é designer, diretora criativa & estratégica de projetos ligados a design, arte, cultura, moda e comportamento, com experiência em produção executiva, direção de arte e gestão de conteúdo para revista, tv, web e outros impressos. Entusiasta da cultura de rua, é amante de movimentos periféricos e independentes por considerá-los fonte de inovação genuína e inspiração." UFA! 
A gente tem que acompanhar, né?


6. CELYNHA MOREIRA

Conheci a Celynha nos grupos de turbantadas por aí. Ela postava tanta foto maravilhosa que corri atrás de acompanhar.  Ela é lindíssima, faz produções arrasantes e amarrações inspiradoras. De bônus, ela ainda posta fotos com a bela Letícia, sua filha.


7. LOO NASCIMENTO
A baiana Loo Nascimento é aquele tipo de pessoa que a gente nem tem vontade de falar nada, porque a imagem dela fala por si só. Ela é fundadora da Dresscoração (2012), junto com a também maravilhosa Luma Nascimento (sua irmã). O perfil dela é cheio de cores e inspirações para quem ama turbante, inclusive com estampas exclusivas de sua marca. É pra morrer de amor.

@loo_ana

8. NEGRA ROSA
A Rosangela foi a primeira blogueira negra que comecei a acompanhar, então tenho todo um carinho pelos canais dela.
Acho que ela é objetiva, vai direto ao ponto e não faz mistério. Dá dicas de verdade! Sobre os turbantes, o mais legal é que ela experimenta as amarrações das outras blogueiras e dá os créditos a quem a ensinou. Além disso ela é super ousada, tem sempre algo novo pra mostrar. Seguir a Rosa é se surpreender sempre!

@rosanegrarosa

9. CENTRAL DAS DIVAS
Olha eu! A Central das Divas surgiu da fome com a vontade de comer! Usando turbante desde muito cedo por motivos religiosos, quando comecei a tomar consciência da minha negritude e entendi como mulher negra, percebi o papel que o turbante tinha na minha vida e que podia ter na vida de outras mulheres. Como professora, pesquisadora da área de educação e militante eu compreendi que a estética também é um importante espaço de resgate para as mulheres negras.
Eram tantas amigas que pediam conselhos sobre como usar turbante, qual o tecido mais apropriado, os significados.... que acabei criando a página no Facebook, vendendo desde turbantes a acessórios que dialoguem com a estética afro-diaspórica, além de promover Oficinas de turbantes. 
A venda sempre foi realizada em feiras ou no boca a boca. No mês de novembro de 2015, vamos lançar uma loja on-line com acessórios e turbantes garimpados em diferentes países. Algumas de nossas peças são originárias do Marrocos, Tunísia, Mali, Cuba entre outros. Mesmo morando um ano na Alemanha, aproveitei para garimpar um monte de coisas exclusivas que vão fortalecer a Central das Divas. 
Vai rolar um sorteio lindo para quem curte e acompanha a página. Fiquem atentas!


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Sei que tem um monte de outros perfis baphônicos, com pretas maravilhosas e arrasantes com seus turbantes Esta lista seria infinita... E isso é que alegra. Saber que estamos ocupando mais lugares a partir das nossas necessidades sendo elas políticas, econômicas ou culturais me deixa feliz. Sigamos!!!


10 ESTILOS PARA DIVAR COM TRANÇAS: conheça um pouco da história das tranças



Resolvi escrever sobre tranças. Elas são um penteado que amo. Já usei por mais de 8 anos e acho bonito, simbólico e prático. Mas, preciso falar que este post é para além do episódio racista que envolveu este penteado nesta semana. Porque este espaço é acima de tudo o espaço de uma mulher negra que quer falar com outra mulheres negras, portanto:

BRANCO, isso não é sobre você! É sobre a nossa história e a nossa beleza trançada! Apenas isso! 

O cabelo foi construído culturalmente, especialmente para as mulheres, como uma forma de comunicação e expressão muito importante. Para nós, ocidentalizadas, é até difícil entender que um penteado possa conter tantos elementos culturais, que tenha uma origem tão antiga e sobreviva até hoje como uma importante forma de manifestação de uma cultura. Ou seja, a afirmação de que a trança fica ótimo "para quem tem cabelo ruim" além de racista, demonstra que essa pessoa precisa estudar história!

Para se ter uma ideia o quão antiga é a prática de trançar cabelos, temos esculturas  com trancinhas  que datam do século V a.C. Esta escultura abaixo é da antiga é civilização Nok da Nigéria. Uma civilização que dominava a metalurgia e que pode ter influenciado todas as outras civilizações que usaram tranças, como os índios americanos.


Há indícios também de tranças em estátuas, como a de Vênus de Brassempouy (imagem abaixo) e a Vênus de Willendorf, datando de cerca de 22 mil anos antes de Cristo.


No Egito Antigo, temos a imagem de uma Cleópatra cheia de tranças. Indícios históricos mostram que este penteado era realmente seu preferido, pois demonstrava poder.

Na Idade Moderna, vemos uma grande variedade de estilos de tranças, especialmente nos países africanos, que vão desde as curvas complexas e espirais. Inclusive algumas baseadas em estudos geométricos! Com a escravidão, a trança atravessou o continente e sobreviveu na cabeça de mulheres e homens negros.

Elas apareceram como uma forma de resistência - black power, as tranças e os dreadlocks - no movimento pelos direitos civis na década de 1970 nos EUA. No movimento Hip-Hop elas também são fortemente difundidas e na década de 1990 elas retomaram força total em diversos grupos, inclusive no Brasil.

Acima de toda história coletiva, quando pensamos em cabelo trançados, lembramos de um momento de proximidade e carinho entre nós mulheres negras. 

Ou seja, temos muita história para contar e para nos inspirar. Temos muita coisa boa para nos orgulhar sobre as tranças.

Neste post, aproveito para homenagear algumas lindas amigas que usam, resistem e divam trançadas em 10 estilos diferentes:
  1. NATURAL
  2. LOIRA
  3. COLORIDA
  4. GRISALHA
  5. RUIVA
  6. SIDECUT
  7. CURTA
  8. COM ACESSÓRIOS
  9. COM TURBANTES
  10. ESTILO NAGÔ
Inspirem-se!
Por que trança é para quem tem cabelo bom!


1. NATURAL (uso de fibra sintética de cor próxima ao cabelo natural)

 Laura Astrolábio

 Mariana Santos



Djamila Ribeiro

Fayola Santos (trançadeira do Pérola Africana)

2. LOIRA (uso de fibra sintética totalmente loira ou misturada com cores escuras)


Daniele da Mata, muito ousada: colocou uma cor de cada lado! Ela é proprietária e idealizadora do espaço Damata Makeup

Bey, sendo Bey.

Euzinha, começando a usar fios loiros

3. COLORIDA (com fibras de cores nada tradicionais)



Karol Conka sendo Karol Conka


 Magá Moura 
 
Tássia Reis - Cantora

Taísa Ferreira

4. GRISALHA


5. RUIVA


  

6. SIDECUT (corte apenas do lado)



Ma Castor

7. CURTA



  
8. COM ACESSÓRIOS  

 Coroa de flores!

 Penteado com o Max Cordão da Xongani. Amo Muito!

Anéis envolvendo as tranças

Também dá para usar Hair Band
 (A partir de novembro, a venda na Central das Divas!)

9. COM TURBANTES (combinação perfeita)
 
A maravilhosa da Bea Caixeta. Administradora da página Meu Turbante, Minha Coroa

Eu e meu amor por tubantes. Com trança ou sem trança...


10. ESTILO NAGÔ (inspiração na tradição Nagô. São presas ao couro cabeludo)




Inspiração, a gente tem sobrando!
Arrasem por aí!

Referência: http://trancanago.blogspot.de/2010/02/origem-tranca-nago.html

P.S.: Se você quiser reivindicar direitos autorais nas fotos, entre em contato: centraldasdivas@gmail.com

SAIBA MAIS SOBRE A LONGA TRADIÇÃO DO USO DE TURBANTES NO MARROCOS

Neste último ano tive a oportunidade de conhecer lugares que nem imaginava que poderia chegar. Aproveitando o tempo de estudos, fora de casa, eu também aproveitei para conhecer lugares que pudessem me oferecer algo a mais sobre meus interesses não apenas acadêmicos (na universidade), mas também sobre minha construção como mulher negra.

Das viagens que fiz uma me marcou especialmente: passei 7 dias no Marrocos. Estive em Marrakesh e Essaouira.


Amanhecer no Deserto do Saara

O Marrocos é um país que fica no continente africano, no extremo noroeste, fazendo fronteira ao norte com o Mar Mediterrâneo e com o estreito de Gibraltar, por onde faz fronteira marítima com a Espanha.  A leste, o país faz fronteira com a Argélia, e a sul com a Mauritânia, através do Saara Ocidental. Mesmo sabendo que eu não estava na África Negra, lugar de onde foram levados os negros para o Brasil, e de onde provavelmente vieram meus ancestrais, eu tive uma emoção que parecia sem explicação ao botar os pés no continente africano. Eu disse que "parecia" não ter explicação porque na minha cabeça também havia construída a imagem do norte do Continente Africano vinculada a um povo branco e europeizado. Algo que lembre os filmes americanos, como Cleópatra vivida interpretada pela Elizabeth Taylor. Inclusive algumas cenas do filme, de 1968, foram filmadas no Marrocos. Mas, logo nas primeiras horas percebi que a gente precisa desconstruir a ideia da África Setentrional (Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito, Saara Ocidental, Sudão, Sudão do Sul) como um lugar branco. Os avanços científicos e históricos conquistados pelo povo desta região são tão importantes para a humanidade, que o mundo eurocêntrico nos leva a desvincular o continente africano de tamanho progresso. E vincular este continente tão rico à pobreza, miséria e falta de civilidade. Tudo na tentativa de justificar a intervenção branca como potência civilizatória.



Cenário de muitos filmes, inclusive Cleópatra (1968)

Mas, em pouco tempo eu senti que estava sim na África! Muitas similaridades com o Brasil, especialmente o resultado da política de colonização e destruição que os países europeus promoveram. Foram pilhagens sem fim, o uso de povos e países inteiros como moeda de troca em pleno século XX. Inclusive no Marrocos, hoje um dos idiomas oficiais é o francês, assim como em outros países colonizados, o idioma oficial é o idioma do colonizador. As consequências mais visíveis disso são a destruição não só física, mas também na alma de muitas pessoas com que estive. Entretanto, nossas semelhanças positivas são tantas e tão profundas que me emocionaram: um povo extremamente acolhedor, alegre e que soube preservar suas tradições culturais mesmo com tantos ataques. O chá verde com hortelã servido no mesmo copo para todos os convidados é imperdível.

O guia que nos acompanhou, Mostafa Saara, (foto ao lado), grande apaixonado por seu país e guia desde os 16 anos, me ajudou a desmistificar centenas de coisas sobre o Islâmismo (maior religião do continente africano atualmente). Mais uma impressão que o ocidente tenta nos passar totalmente equivocada e cheia de segundas intenções. Uma religião, que tem suas especificidades, como todas as outras e é respeitada por seus seguidores. As mesquitas, em Marrakesh são proibidas aos turistas. Mas, nos horários de oração vemos os homens, se recolhendo para ir orar, respeitosamente. 

Obviamente, o que mais me encantou em Marrakesh foi a Medina! Eu não perdi a oportunidade renovar o estoque da Central das Divas. Percorri a Medina inteira em busca de tecidos, bijouterias e histórias! E trouxe muuuita coisa. Que em pouco tempo estará disponível para vocês!
Muitos acessórios chegando à Central das Divas

Achei coisas lindas, únicas, feitas com pedras que são encontradas apenas no Marrocos. O artesanato, muitas vezes, é feito ali na sua frente. Na mesma hora a gente se pergunta: onde as mulheres, que vestem burcas, usam essas jóias tão lindas? Soube que é permitido que elas usem acessórios em festas.

Diante de tanta coisa linda, tive que aprender outra coisa: a lei da pechincha! É algo cultural. Eles dão o preço mais alto e começa o jogo. Compramos coisas com até 70% do preço inicial. Outra característica que me fez sentir em casa: muitas cores e alegria! A Medina é um lugar divertido e bonito de se ver... Com uma diversidade de estampas, texturas e cheiros. Mas, não se engane... é lotado! Tem que ter paciência e muita boa vontade para andar muitos quilômetros naquele calor. É gente do mundo todo procurando coisa boa, autêntica e barata!


Além disso,  quem me lê, sabe que a minha paixão é o turbante, além de renovar o estoque da Central das Divas (ou seja, muita novidade chegando em breve) eu descobri histórias fantásticas sobre os turbantes no Marrocos. Em cada região, há uma tradição diferente sobre o uso do turbante. Ele não tem valor religioso, como em outras regiões do continente africano, mas é muito importante culturalmente e é usado como proteção contra o sol ou estético. É um acessório que tem seu uso preservado, especialmente pelos berbéres (primeiro povo a povoar o Marrocos) por cerca de 3000 mil anos! Pesquisei e conversei com os marroquinos sobre os turbantes e os principais detalhes que consegui descobri são:

  • Os berbéres (mais ao norte do país) usam turbantes curtos (até 2 metros) e amarelos.
  • No Anti -Atlas, também conhecido como Pequeno Atlas - que é uma cordilheira montanhosa no sudoeste do Marrocos - usa-se turbante preto mesmo no calor. O tamanho médio é de 6 metros. Oh, qual seria minha alegria conseguir um turbante de 6 metros!
  • Na região Daraa e Tafilalti, usa-se turbante colorido e o tamanho é entre 6 e 22 metros. Se ficaria feliz com um tecido de 6 metros, imagina então um com 22 metros Não tive sorte desta vez...
  • No deserto do Saara, o tamanho é no máximo de 6 metros, pode-se usar apenas branco, cinza ou preto.
  • Nas cidades médias, centros, especialmente por causa dos turistas, as pessoas mais jovens têm vergonha de usar. O uso é restrito à pessoas mais idosas.
 Outra curiosidade super interessante é a forma como os tecidos são coloridos. Eles são pintados artesanalmente com plantas da região: a alfafa dá a cor verde, a páprica dá o vermelho e o açafrão colore os tecidos amarelos. Para fixar as cores naturais, são usados vinagre e limão, depois se mantém o tecido por 3 dias no sol.
Depois de descobrir isso tudo, eu não poderia deixar escapar a oportunidade de ser turbantada por um marroquino. E fui! Estávamos em uma fábrica de tapetes, rumo ao deserto do Saara e o Mostafa me turbantou. O vídeo está aqui embaixo. A amarração não é fácil e é especifica para quem precisa proteger o rosto, do sol, do calor, do vento. Aprendi algumas outras típicas do Marrocos e em breve postarei no nosso canal no YouTube.


Aprender de perto coisas tão importantes pra mim e para o povo negro me fez pensar ainda mais em como desconhecemos o outro lado da história. O lado da história de um povo que foi atacado, vilipendiado, mas manteve sua alegria, força de trabalho e criação. Mais do que isso, andar nas ruas e ser confundida como uma africana, pra mim, foi um orgulho. Em nenhum lugar me diziam como brasileira. Tive orgulho, me senti pertencendo. Me fez pensar no quanto estamos separados, mas no quanto ainda temos em comum. 

Mesmo com tantos ataques estamos de pé e precisamos nos manter assim. Descobrindo as histórias de nossa ancestralidade por nós mesmos e fazendo com que elas cheguem às novas gerações de uma forma com que elas possam sentir orgulho desde cedo de suas origens!


Eu, devidamente turbantada!