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E A GREVE GERAL?

Já tem um tempo que pensei em incluir outros conteúdos. Vamos falar da Greve Geral do dia 28/04 porque acreditamos que pra uma mulher preta não há como há como falar de estética e beleza sem falar dos padrões e condições impostos pela sociedade e nas nossas necessidades primordiais. A vida não é feita só de maquiagem e cabelo bonito. Pra divar de verdade você precisa ter condições, não só financeiras como também psicológicas! Afinal, não é possível "divar" sem ter emprego, ou sendo vítima de opressão todo dia. Vamos falar mais sobre isso em outro momento.

Nesta semana, o papo é sobre a Greve Geral que vai acontecer dia 28/04. Você já deve ter ouvido falar mesmo sem a cobertura das grandes mídias. Ela vai acontecer como forma de resistência às Reformas que estão sendo impostas pelo Governo Temer/Golpista.



Para nós, pretas e pretos este não é um tema menor. Ao contrário! Somos os que são mais atingidos porque somos os que temos menos direitos no Brasil desde sempre.

No vídeo que postei nesta quarta-feira falei um pouco mais dos motivos que me fizeram aderir a greve geral e porque eu acho que todas as pessoas negras devem estar nas ruas protestando neste dia.

Aqui embaixo, tem uma lista com informações sobre as mobilizações que vão ocorrer Brasil afora.

Dá uma olhadinha no vídeo no YouTube!
Se gostar, compartilhe!


INFORMAÇÕES SOBRE A GREVE GERAL POR ESTADO

  • ACRE 
Categorias : Rodoviários
Cidades: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Manoel Urbano, Brasiléia
10 h – Ocupação do Terminal Rodoviário Urbano

15 h – Ato em Frente ao Palácio Rio Branco

  • ALAGOAS 
Categorias: Professores da educação pública e particular , Bancários, Funcionaismo público federal, Empresas de transporte público 
Cidades:  Maceió
17h - Ato na Praça do Centenário 

  • AMAZONAS 
Categorias: Professores universitários, Petroleiros, Rodoviários, Bancários, Vigilante, Policia Civil, Construção Civil 
Cidades: Manaus

  • AMAPÁ 
Categorias: Urbanitários, Bancários, Educação, Rodoviários, Técnicos da Universidade, Servidores Federais, Professores Universitários, Polícia Civil, Servidores do MP, Servidores da Justiçaõ e Administrativos
Cidades: Macapá

08h – Concentração na Praça da Bandeira

16h – Ato na Praça Veiga Cabral

  • BAHIA
Categorias: Petroleiros, Policia Civil, Professores da Rede Pública de ensino, Trabalhadores da saúde, Professores da Rede Publica de ensino, Bancários, Metalúrgicos, Comerciários de Salvador, Irecê, Itabuna e Ilhéus, Servidores do Judiciários Estadual e Federal, Técnicos administrativos da universidades federais, Servidores públicos, estaduais,
Cidades:  Salvador
Petroleiros Fazem ato em frente ao EDIBA das 07h às 18h

18h - Concentração no Largo de Santana – Rio Vermelho

Balanço da Greve Geral – Largo de Santana – Rio Vermelho

  • CEARÁ 
Categorias:  Transportes, Petroleiros, Educação, Metalurgicos, Comercio, Construção civil, saude, serviço público 
Cidades: 20 cidades, além da capital Fortaleza
28/04 – Ato político – concentração praça da bandeira – Fortaleza/CE

  • DISTRITO FEDERAL 
Categorias:  Rodoviários, Bancários, Limpeza Urbana, Jornalistas, Sindicato dos Odontologistas, Professores da rede pública, Professores e técnicos da Universidade de Brasília, Limpeza urbana, Correios, Telecomunicações Departamento de Trânsito, Servidores municipais de várias cidades do entorno, Trabalhadores do Ramo Financeiro
Cidades: Brasília
11 hs No canteiro central, em frente à Rodoviária de Brasília, entre o Museu da República e o Teatro Nacional
  • ESPIRITO SANTO 
Categorias: Petroleiros, Saude, Comercio, Professores, Portuarios, Bancarios, Rodoviarios, Enfermeiros, Psicologos, Metalúrgicos, Servidores Públicos, Construção Civil. 
  • GOIAS 
Categorias: Professores municipais de Anápolis, Trabalhadores em Empresas de crematório e Cemitérios SINEF, Limpeza Urbana Stilurbs Servidores Públicos, Técnicos e trabalhadores nas Universidades e Institutos Federais
Cidades: Goiânia 08 h – Ato em frente a Assembleia Legislativa
  • MARANHÃO 
Categorias: Rurais, Municipais, Servidores Público Feral, Urbanitários, Comerciários, Previdenciários, Bancários, Metalúrgicos, Professores, Correios, Rodoviários, Saúde, Professores Universitários, Técnicos da Universidade
Cidades: São Luís, Ribamar, Paço do Lumiar, Raposa, Rosário, Bacabeira, Morros, Presidente Juscelino, Cachoeira Grande, Icatu, Humberto de Campos, Barreirinhas, Santo Amaro, Santa Rita, Anajatuba, Miranda do Norte, Cantanhede, Pirapemas, Itapecuru Mirim, Presidente Vargas, Vargem Grande, Nina Rodrigues, São Mateus, Bacabal, Pedreiras, Lago da Pedra, Lago do Junco, Lago dos Rodrigues, Santa Inês, Imperatriz, Açailândia, Presidente Dutra, Pinheiro, Caxias, Pastos Bons, São dos Patos, Colinas, São Domingos do Maranhão
15 h – Ato na Praça São Teodoro 
  • MATO GROSSO 
Categorias: Servidores públicos estaduais, Servidores da educação Pública, bancários, transporte púbico, judiciário 
Cidades: Cuiabá, Rondonópolis 15h - Ato na Praça Ipiranga
  • MATO GROSSO DO SUL 
Categorias: Educação, Construção civil, Transporte coletivo, Servidores públicos, Transporte de cargas, Bancários.
Cidades: Campo Grande
8h – Praça Ari Coelho
  • MINAS GERAIS 
Categorias: Correios, Petroleiros, MetrProfessores, Bancários, Municipais, Construção Civil, Vestuários, Rurais, Metalúrgicos 
Cidades:  Belo Horizonte, Juiz de Fora, Extrema, Contagem
9h - Concentração na Praça da Estação.
  • PARÁ 
Categorias: Portuários, Bancários, Construção Civil, Comércio, Servidores, Educação, Urbanitários.
Cidades: Belém, Marabá, Santarém, Altamira,,Limoeiro do Ajuru, Abaetetuba 9 hs Praça da República
  • RIO DE JANEIRO 
Cidades: Rio de Janeiro, Cinelândia 17 hs / Niterói: Avenida Visconde de Rio Branco 15 hs
  • SÃO PAULO 
Cidades: São Paulo,  Largo da Batata 17 hs/ Campinas, Largo do Rosário 16 hs


INFORMAÇÕES COLETADAS DO SITE DA CUT E DAS REDES SOCIAS

COMO A HASHTAG #BlackWomenAtWork FOI PARAR NO TRENDING TOPICS?

Nas últimas 24 horas, a #BlackWomenAtWork ficou entre os principais assuntos do twitter. O que motivou a criação da hashtag foram os ataques  públicos a duas negras norte americanas: a congressista norte americana Maxine Waters e o correspondente da Casa Branca, April Ryan.

Em primeiro lugar, Bill O'Reilly, da Fox, zombou da aparência de Waters em seu programa, dizendo: "Eu não ouvi uma palavra dela. Eu estava olhando para a peruca de James Brown. Se tivermos uma foto de James, é a mesma peruca. "

Maxine Waters

Mais tarde, ele - como todos os racistas com medo de represália - se desculpou pelos comentários desrespeitosos, alegando que ele tem "respeito" pela congressista Maxine Waters e só "fez uma brincadeira sobre seu cabelo, que era estúpido". E

Pouco tempo depois, o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spice, repreendeu April Ryan por ela balançar a cabeça enquanto ele falava durante uma conferência de imprensa.

As duas situações, nos lembram de uma coisa que é um fato para toda mulher negra: é um inferno ser uma mulher negra no local de trabalho.



Durante todo o dia, as mulheres negras começaram a compartilhar suas histórias sobre a discriminação no local de trabalho no Twitter usando a hashtag #blackwomenatwork o que prova que que o que Waters e Ryan vivenciaram não são novidades para nenhuma mulher negra. 
E você, já viveu alguma discriminação racial no seu ambiente de trabalho?



VOCÊ SABE PORQUE 21 DE MARÇO É O DIA INTERNACIONAL DE LUTA PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL?


O dia 21 de março tem sido lembrado mundialmente como o dia internacional de combate a discriminação racial. 

VOCÊ SABE PORQUE 21 DE MARÇO É O DIA INTERNACIONAL DE LUTA PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL?

A história que marcou esta data é tão triste que precisa ser lembrada. Há 57 anos, na África do Sul foram 69 mortos. 180 feridos. Todos negros.


No dia 21 de Março de 1960, ocorreu na cidade de Sharpeville, na província de Gauteng, na África do Sul, um protesto, realizado durante o Congresso Pan-Africano (PAC) contra a Lei do Passe

O passe ou caderneta existia há muito tempo e era um dos principais elementos do apartheid. Antes, o passe controlava as pessoas escravizadas. Com a instauração do apartheid ele servia como instrumento de controle do governo contra os negros. O documento era de porte obrigatório e continha foto, dados pessoais, números e registros profissionais e ficha criminal. 

Durante o Congresso Pan-Africanista (PAC), uma dissidência do CNA fundada no final de 1959, liderada por Robert Subukwe, se antecipou e organizou um protesto pacífico para o dia 21 de março. A ideia era uma manifestação não-violenta em que os africanos deveriam deixar os passes em casa e comparecer às delegacias de polícia para se entregarem e serem presos. Assim, provocariam uma pane no sistema político e econômico, uma vez que as prisões estariam lotadas e faltaria mão de obra.

Dia 21/03/1960 houve um comparecimento em massa ao protesto. Em Sharpeville, próximo à Johanesburgo, uma multidão de 5 a 7 mil pessoas se reuniu em frente ao distrito policial. A polícia, acoada, abriu fogo contra os negros que protestavam. Foram quase 70 mortos, além de 180 feridos. Nenhum policial foi condenado ou preso.


Logo após o massacre, os conflitos se acirraram no país. O governo baniu qualquer aglomeração pública em toda a África do Sul. Logo depois, os partidos de resistência negra, CNA e o PAC foram banidos e um estado de emergência foi declarado. Nelson Mandela abandonou a política de não-violência que vinha adotando contra o regime do apartheid, sendo preso em 12 de junho de 1964.

Podemos dizer que o Massacre de Sharpeville foi um marco na história do apartheid na África do Sul. e obrigou a comunidade internacional a se posicionar sobre as condições dos negros no país.

Para nós, negros, é mais um dia de combate diante das violências que a discriminação racial promove no mundo. Mais um dia para lembrarmos de irmãos e irmãs assassinados pelo racismo todos os dias. Mais um dia para a comunidade negra lutar pelo direito à vida!


VIDAS NEGRAS IMPORTAM!
BLACK LIVES MATTER!
NÓS QUEREMOS VIVER!

GUEST POST: Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária. - Por Sidélia Silva


Há muito tempo venho namorando alguns escritos de manas amigas para trazer para um post no Blog da Central das Divas. Se gosto de receber amigos na minha casa, porque não amaria receber aqui no Blog?

Para estrear a seção de Guest Post, tenho o maior orgulho de apresentar um texto da amiga querida: Sidélia Silva. Sobre um tema que sempre temos discutido e que aqui ela coloca um pouco pra fora.

Vale a pena cada palavra!
Comentem. Divulguem. Debatam!

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Academicismo negro e a falta de honestidade da hegemonia universitária
Por Sidélia Silva*

“A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”
(Conceição Evaristo)


Ultimamente, tenho recebido algumas ~acusações~ de ser “academicista” e isso tem vindo de gente branca, classe média e universitária, pessoas que reivindicam se o meu feminismo chega na periferia, como se na periferia não houvesse feminismo, sendo que nunca vi essas pessoas por lá. Vejam vocês! E isso tudo porque faço indicações de textos em conversas amenas. Quando o bixo pega na discussão, eu já tinha indicado o texto que se a pessoa quisesse mesmo saber sobre o assunto teria parado a discussão e ia ler, olhem bem! O que é isso? Privilégio! Quando você pode discorrer sobre diversos temas à vontade e confortavelmente a partir do alto do seu senso comum ao invés de voltar 2 casas e passar sua vez.

Não tenho nenhum remorso, vergonha ou peso na consciência de mandar um/a playboy ler um texto, principalmente se for da academia (porque eu tenho recorte de raça, classe e gênero, coerência), não faz mais que obrigação para entrar numa discussão, principalmente quando são discussões de acumulo e cunho politico.

Fico pensando onde a falta de honestidade e dignidade dessas pessoas chegam? Ao ponto de reivindicar a periferia? Estou falando de pessoas bem nutridas, estudadas, com a pele ~bonita~ e saudável, classe média que estão há anos na universidade e quando ouvem um conceito acadêmico proferido por mim (estou a 1 ano no feudo Unicamp) me ~acusam~ de “academicista” e me perguntam se isso chega na periferia. 

Eu fico na dúvida se essa pergunta é porque essas pessoas estão há anos na universidade e simplesmente não estudaram como deveriam e por isso não sabem do que eu estou falando e usam essas perguntas como um tipo de defesa desonesta? Ou se elas acham que são periféricas, ou ainda estão usando o conceito de classe contido em Marx como a separação dicotômica do proletariado e da burguesia e não sabem que desde 1970 tem um lugar ao sol no debate de classe marxista para a classe média (Décio Saes e Armando Boito Jr.) ou nova pequena burguesia (Poulantzas) na luta de classes marxista, viu gente?


A maior parte do que sei não veio da academia. PASMEM! Veio da formação em movimentos sociais que sabem que A PERIFERIA NÃO É BURRA e nem subestima a sua capacidade de cognição, de pensar, produzir conceitos, relacionar, argumentar, produzir conhecimento, refletir e sim, é capaz de absorver conceitos e construir um raciocínio lógico tranquilamente a partir da sua vivência (Conceição Evaristo) e do que acontece no seu cotidiano. E que a maioria dos movimentos sociais sabem que precisamos nos formar, dialogar e trocar informações entre o que está sendo construído como pensamento hegemônico por 2 motivos: 

a) o pensamento hegemônico também impacta na vida real das pessoas. Ao contrário do que se argumenta, a teoria não fica contida em si, ela impacta no modo de pensar das pessoas vide o ~favor~ que Gilberto Freyre nos fez;

b) para que haja contra argumentos desse pensamento hegemônico que muitas vezes é racista, classista, homofobico, transfobico, capacitista entre outras opressões que acabam por se naturalizar na prática através do discurso teórico;

Dissimular preocupação com a periferia, para além de desonesto é racista e classista também, quer dizer: “Vai para lá, lá é o seu lugar!” Quer dizer, olha a “argumentação” (~acusação~) que a galera branca, classe média e universitária está desenvolvendo!? No mínimo incompetente e no máximo tendencioso. 
E mais, dá fortes indícios que talvez a pessoa que se utiliza desse artifício desonesto nunca tenha dado uma formação ou trocado ideia com a periferia para além do seu objeto de pesquisa. Pois, a maioria dos conflitos que estudamos e refletimos na academia acontecem em alguma medida na vida dessas pessoas:

  • Pergunta para as meninas o que elas pensam com relação a sua posição no mundo enquanto mulheres e logo você verá que sim, existe feminismo na periferia;
  • Pergunta para a galera LGBTT periférica o que aflige eles e elas você ouvirá sobre lesbofobia, bifobia, transfobia, homofobia e as demais opressões que a heteronormatividade acarreta para essas pessoas;
  • Pergunta para um cara que tá chegando em casa do trampo o que ele acha do seu patrão você encontrará a luta de classes;
  • Pergunta para elas e eles como fazem a sua diversão, você verá que existe uma cultura própria na periferia;
  • Pergunta para galera sobre a polícia você verá que a maioria não vê sentido na polícia;

Isso aqui é saber popular, vivência, prática. 

O academicismo precisa de criticas mesmo, mas em outro sentido, no sentido de considerar saberes empíricos, no sentido de romper com a desigualdade entre a diplomação e a não diplomação, e não nesse sentido sujo de não saber como argumentar em um discussão que se inseriu. Percebo escuramente que a periferia tem me formado cada vez mais. A Unicamp vai me dar um diploma e os conceitos básicos para entender as construções teóricas existentes, mas a convivência com a periferia, ter estado e vivido me traz outras perspectivas e outro tipo de construção acadêmica, eu tenho a necessidade de transmitir isso e de absorver qual a percepção da periferia sobre os assuntos. Como diz Conceição Evaristo: “A nossa escrevivência não pode ser lida como histórias para “ninar os da Casa Grande” e sim para incomoda-los em seus sonos injustos.”

Não estou aqui também romantizando a periferia (nasci e vivi por 16 anos em uma periferia), todas as contradições colocadas pela hegemonia também a incorporam. Assim como os bairros de alto luxo, classe média etc. têm suas posições e ideologias, e dificilmente isso é questionado, a periferia por vezes reproduz esses posicionamentos, discursos e ideologias, e é o objeto de pesquisa, é o “diferente”, como se essas posições e discursos não fossem feitos para alcançar a periferia mesmo e desmobilizá-la enquanto classe.

Reproduzir o discurso de que um diploma não é importante para uma pessoa negras e/ou pobre que almejam entrar em um curso superior. JAMAIS! Vou ajudar no que puder para essa pessoa acessar a universidade, se quiser. Se as pessoas almejam se formar eu acho que temos que apoiar, mesmo sabendo das dificuldades da academia. Fomento isso, sim! Fazer o contrário é falta de responsabilidade com as minhas causas e convicções. 

Existe uma grande diferença entre privilégio e acesso. O privilégio é a vivência natural de uma classe específica (ex. viagens para o exterior, faculdade, carro, mesada etc.) Enquanto que acesso vem a partir da luta por direitos para que uma classe acesse algum direito ou cidadania que os é negado ou a inserção em instituições excludentes (ex. cotas raciais, cotas sociais, bolsas para cotistas se manterem na universidade, cotas em concursos públicos etc.)

Não é justo, muito menos honesto, cobrarmos purismo revolucionário da periferia, as pessoas que tem privilégios precisam se responsabilizar de fato e parar com essa desonestidade fetichista. Estou dizendo que na periferia as pessoas têm a noção e a dimensão mínima dos conflitos que as perpassam enquanto indivíduo ou grupo.  Conversa dois minutos da vida com qualquer pessoa de lá, sem chegar sorrindo estridentemente, mostrando a sua boa educação e como você é “humilde” e “simpático/a” para fingir o seu nojo de pobre que está na sua cara e seja você e trate as pessoas como você trata as pessoas converse com elas enquanto pessoas não quanto objeto de análise, não como ode à miséria, não como gestão da pobreza.

Aqui, penso na questão do diálogo, pessoas brancas, classe média e universitárias. Quando é que a periferia se tornou uma preocupação de diálogo para vocês, para além de seus objetos de pesquisas? É muita prepotência. Percebem que isso é apenas uma defesa de privilégio e mais uma vez disfarçada de preocupação? 

Negras, negros e periferia podem estar onde eles e elas quiserem: na periferia, na academia, na obra, na diretoria etc. Tenho lido muito e a maioria das minhas leituras não vão no sentido do que estudo na academia. Elas vão no sentido da minha militância nos movimentos sociais, de entender a questão de gênero, a questão racial e de classe que é o que perpassa por mim enquanto pessoa, enquanto militância e enquanto vivência e pela maioria das pessoas com as quais eu convivo. Tenho lido muito mesmo, tenho me aventurado até no francês (que ainda levo 5 vezes o tempo de leitura normal) e logo menos vou me aventurar no alemão para saber cada vez mais e poder transmitir isso para as formações nos movimentos sociais. 

Sua preocupação dissimulada não passará! Haverá cada vez mais, negros e negras da periferia acessando a universidade questionando sobre o seu aprendizado, absorvendo aprendizado e retransmitindo para a sua militância ou trazendo sua vivência para a academia e vice versa e tudo isso junto. 

“Não temos tempo para abrir mão de qualquer instrumento de luta. Se os brancos podem abrir mão do conhecimento sistematizado, eles que abram mão. Não deixarei nenhum dos nossos abrir mão do que a humanidade produziu e tomar este conhecimento para transformar a sua e a nossa realidade. Eu afirmo que, em nossas mãos, o conhecimento sistematizado pode tomar uma dimensão revolucionária. É tudo nosso e nada deles!” (PINHO, 2015)

Sigamos!








*Sidélia Silva compõe o Coletivo de Mulheres Negras Lélia González, a Frente de Mulheres Negras de Campinas e o Coletivo de Entretenimento Afrontamento Close. Ela lacra, brilha, fecha a boate e não sofre por amor.



Referências:

Custódio, Túlio. Amarras das letras: das criticas ao academicismo na militância. 2016. Disponível em <http://www.geledes.org.br/amarras-das-letras-das-criticas-ao-academicismo-da-militancia/>


HOOKS, bell. Intelectuais Negras. 1995. Disponível em < https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/viewFile/16465/15035>


PINHO, Carolina. Eu, mulher negra na universidade...academicista? 2015. Disponível em: <http://blogueirasnegras.org/2015/07/29/eu-mulher-negra-na-universidade-academicista/>


SANTOS, Sônia Beatriz. Feminismo Negro Diaspórico. 2007. Disponível em <http://www.revistagenero.uff.br/index.php/revistagenero/article/view/157/100>


OLIMPÍADA E A VITÓRIA DAS MULHERES NEGRAS: UM DESAFIO AO DISCURSO DA MERITOCRACIA

       Que as mulheres estão fazendo lindo nestas Olimpíadas a gente já percebeu. Mas, não dá para deixar de destacar o show que as MULHERES NEGRAS já deram em menos de uma semana de competição.
       Ainda que os jogos olímpicos tenham centenas de contradições - eu que sou trabalhadora e pesquisadora da área de esportes poderia tecer infinitas críticas - precisamos reconhecer que os atletas que estão que ali se submeteram a exaustivos treinamentos e se destacam suas modalidades. Imagina então o significado de estar ali para uma MULHER NEGRA que é aquela que mais sofre com todas as opressões que a gente conhece de perto: é machismo e racismo andando de mãos dadas.

Ou seja, não dá para não se emocionar com a participação das pretas nestes jogos!

Teve a Rafaela Silva, no judô, conquistando a primeira medalha de ouro para o Brasil. Ela tem uma origem humilde e enfrentou ataques racistas e depressão depois da sua eliminação nos jogos em 2012. Mas, venceu lindamente agora em 2016. 



Teve a Simone Biles quebrando todos os recordes e se consagrando como a ginasta mais completa do ano. Com apenas 19 anos, ela ganhou ouro na modalidade individual e também na disputa por equipes. Ela obteve a maior diferença para a segunda colocada da história! 


Para a gente ficar ainda mais orgulhosa, a nadadora Simone Manuel, com apenas 20 anos, ganhou o ouro nos 100 metros no nado livre, mancando um recorde mundial e sendo a primeira mulher negra a vencer uma prova olímpica na natação!


E é óbvio que a mídia correu para usar a vitória delas para reforçar o discurso meritocrático. Manchetes como "De infância difícil a supercampeã: o que torna a ginasta Simone Biles tão extraordinária" ou "Rafaela Silva vence racismo, pobreza e eliminação olímpica" ou "Rafaela Silva dorme menos de três horas após ouro e já projeta bi em Tóquio-2020".

O discurso do "quem quer consegue" ou do "esporte tira das drogas" encontra eco em um senso comum que precisa apenas de uma interpretação torta dos fatos para usar exceções como regra, para usar o sacrifício pessoal, que não deveria ser exemplo para ninguém, como um exemplo a ser seguido.

     Definitivamente, o esporte não tira ninguém das drogas, assim como não é apenas a boa vontade e dedicação que faz alguém ser o melhor atleta olímpico. Assumir estas premissas como verdade seria dizer que todos os outros que não conseguem é porque não se esforçaram ou se dedicaram o suficiente. Considerando que o perfil dos "vencedores" é branco, a conclusão é óbvia:  A FALTA DE VONTADE E DEDICAÇÃO É UMA ATRIBUTO DOS NEGROS E NEGRAS. Essa é uma das teses mais antigas que para a construção do pensamento racista. Inclusive foi fundamento da escravidão.
     Além disso, o discurso meritocrático ignora todas as outras variáveis históricas e sociais que fazem alguém chegar ao topo de sua carreira. É necessário dizer que as oportunidades e condições para chegar ao topo são diferentes e que o espaço no topo é restrito. Aquele ou aquela que não chega não o faz por falta de esforço. Imagina isso na cabeça das crianças negras... Imagina isso nas aulas de educação física...
       Mas, o que dá mais orgulho é ver que nossas mulheres negras  não estão reproduzindo o que a mídia espera. Mesmo sob pressão, elas tem se colocado de forma política e só nos enchem de orgulho.
Ver a Rafaela Silva dizer que "a Cidade de Deus não tem nada demais" é vê-la negar o discurso meritocrático.  Assim como é emocionante ver Simone Manuel afirmar "Significa muito para mim, mas essa medalha não é só minha. É de muitos afrodescendentes americanos que vieram antes de mim e me inspiraram, como Cullen Jones e Maritza Correia, pra citar apenas dois. Espero que eu também inspire muitos no futuro". Ela ainda completa:

"Eu acho que essa medalha representa muito nesse momento, com alguns problemas de brutalidade policial que têm acontecido. Essa vitória ajuda a trazer momentos de esperança"

Só podemos desejar que mais Simones e Rafaelas brilhem por elas e por nós.









10 ESTILOS PARA DIVAR COM TRANÇAS: conheça um pouco da história das tranças



Resolvi escrever sobre tranças. Elas são um penteado que amo. Já usei por mais de 8 anos e acho bonito, simbólico e prático. Mas, preciso falar que este post é para além do episódio racista que envolveu este penteado nesta semana. Porque este espaço é acima de tudo o espaço de uma mulher negra que quer falar com outra mulheres negras, portanto:

BRANCO, isso não é sobre você! É sobre a nossa história e a nossa beleza trançada! Apenas isso! 

O cabelo foi construído culturalmente, especialmente para as mulheres, como uma forma de comunicação e expressão muito importante. Para nós, ocidentalizadas, é até difícil entender que um penteado possa conter tantos elementos culturais, que tenha uma origem tão antiga e sobreviva até hoje como uma importante forma de manifestação de uma cultura. Ou seja, a afirmação de que a trança fica ótimo "para quem tem cabelo ruim" além de racista, demonstra que essa pessoa precisa estudar história!

Para se ter uma ideia o quão antiga é a prática de trançar cabelos, temos esculturas  com trancinhas  que datam do século V a.C. Esta escultura abaixo é da antiga é civilização Nok da Nigéria. Uma civilização que dominava a metalurgia e que pode ter influenciado todas as outras civilizações que usaram tranças, como os índios americanos.


Há indícios também de tranças em estátuas, como a de Vênus de Brassempouy (imagem abaixo) e a Vênus de Willendorf, datando de cerca de 22 mil anos antes de Cristo.


No Egito Antigo, temos a imagem de uma Cleópatra cheia de tranças. Indícios históricos mostram que este penteado era realmente seu preferido, pois demonstrava poder.

Na Idade Moderna, vemos uma grande variedade de estilos de tranças, especialmente nos países africanos, que vão desde as curvas complexas e espirais. Inclusive algumas baseadas em estudos geométricos! Com a escravidão, a trança atravessou o continente e sobreviveu na cabeça de mulheres e homens negros.

Elas apareceram como uma forma de resistência - black power, as tranças e os dreadlocks - no movimento pelos direitos civis na década de 1970 nos EUA. No movimento Hip-Hop elas também são fortemente difundidas e na década de 1990 elas retomaram força total em diversos grupos, inclusive no Brasil.

Acima de toda história coletiva, quando pensamos em cabelo trançados, lembramos de um momento de proximidade e carinho entre nós mulheres negras. 

Ou seja, temos muita história para contar e para nos inspirar. Temos muita coisa boa para nos orgulhar sobre as tranças.

Neste post, aproveito para homenagear algumas lindas amigas que usam, resistem e divam trançadas em 10 estilos diferentes:
  1. NATURAL
  2. LOIRA
  3. COLORIDA
  4. GRISALHA
  5. RUIVA
  6. SIDECUT
  7. CURTA
  8. COM ACESSÓRIOS
  9. COM TURBANTES
  10. ESTILO NAGÔ
Inspirem-se!
Por que trança é para quem tem cabelo bom!


1. NATURAL (uso de fibra sintética de cor próxima ao cabelo natural)

 Laura Astrolábio

 Mariana Santos



Djamila Ribeiro

Fayola Santos (trançadeira do Pérola Africana)

2. LOIRA (uso de fibra sintética totalmente loira ou misturada com cores escuras)


Daniele da Mata, muito ousada: colocou uma cor de cada lado! Ela é proprietária e idealizadora do espaço Damata Makeup

Bey, sendo Bey.

Euzinha, começando a usar fios loiros

3. COLORIDA (com fibras de cores nada tradicionais)



Karol Conka sendo Karol Conka


 Magá Moura 
 
Tássia Reis - Cantora

Taísa Ferreira

4. GRISALHA


5. RUIVA


  

6. SIDECUT (corte apenas do lado)



Ma Castor

7. CURTA



  
8. COM ACESSÓRIOS  

 Coroa de flores!

 Penteado com o Max Cordão da Xongani. Amo Muito!

Anéis envolvendo as tranças

Também dá para usar Hair Band
 (A partir de novembro, a venda na Central das Divas!)

9. COM TURBANTES (combinação perfeita)
 
A maravilhosa da Bea Caixeta. Administradora da página Meu Turbante, Minha Coroa

Eu e meu amor por tubantes. Com trança ou sem trança...


10. ESTILO NAGÔ (inspiração na tradição Nagô. São presas ao couro cabeludo)




Inspiração, a gente tem sobrando!
Arrasem por aí!

Referência: http://trancanago.blogspot.de/2010/02/origem-tranca-nago.html

P.S.: Se você quiser reivindicar direitos autorais nas fotos, entre em contato: centraldasdivas@gmail.com