Mostrando postagens com marcador taís araújo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador taís araújo. Mostrar todas as postagens

25 PALESTRAS IMPERDÍVEIS DE MULHERES NEGRAS NO TEDX

      O TED (sigla de Technology, Entertainment, Design) é uma série de conferências realizadas pelo mundo pela fundação Sapling, dos Estados Unidos, sem fins lucrativos, destinadas à disseminação de ideias – segundo as palavras da própria organização, "ideias que merecem ser disseminadas". Suas apresentações são limitadas a dezoito minutos, e os vídeos são amplamente divulgados na Internet.
       Em março de 2018, tive a oportunidade de ser uma das palestrantes do TEDx, que aconteceu em Campinas. Os organizadores entraram em contato comigo através de indicações e acharam interessante minhas contribuições como pesquisadora aliadas à minha trajetória na militância. Em conjunto, nós pensamos em uma palestra que pudesse questionar o status quo e levasse um pouco da minha trajetória para enriquecer as reflexões. O resultado foi uma palestra que abordou o "mito da meritocracia".
         Optei por questionar o que está por trás da ideologia do "quem quer consegue" que individualiza os sucessos e fracassos em uma sociedade que cria oportunidades desiguais para os diferentes grupos sociais. A partir da perspectiva da meritocracia, uma pessoa não atinge determinados objetivos por não ter se "esforçado" o suficiente. Entretanto, ao analisar os grupos que menos atingem os objetivos que socialmente são encarados como "sucesso", vemos que são os mesmos grupos que enfrentam barreiras como o racismo, machismo, homofobia e outras opressões. Seria coincidência? Acredito que não. Sem dar mais spoilers... o link do vídeo está aqui.
          Durante o processo de preparação da minha palestra, procurei assistir a outras palestras realizadas no TEDx e que dialogassem com meus interesses. Eu vi dezenas de palestras bacanas, por isso resolvi fazer uma coletânea de palestras proferidas por mulheres negras em uma playlist do YouTube. São palestras inspiradoras que me fizeram pensar muito, mas acima de tudo entender como as mulheres negras têm contribuído com um novo paradigma de sociedade. Este é o verdadeiro sentido do que diz a filósofa Angela Davis:

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”

           Abaixo, você encontra um pouco da descrição de cada palestra e/ou palestrante e aqui você encontra o link da playlist completa. Se você quiser, pode ver cada vídeo em separado clicando no título de cada um.

 VEJA, ESCUTE, LEIA MULHERES NEGRAS



Começo pela minha palestra que foi realizada em Campinas, em março de 2018. Mulher nordestina, negra, candomblecista, feminista e militante.  Mestra e doutora em Educação pela UNICAMP, concluí doutorado sanduíche na Universidade de Tecnologia de Braunschweig, Alemanha. Em 2015, estive na lista das 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil. 



Pesquiso sobre educação e ciência - a partir de uma perspectiva marxista, feminismo negro e estética. Também atuo como professora e afro-empreendedora através da Central das Divas.



Nataly fala da expectativa que envolve a menina negra em se tornar a "mulata", que seria uma preta mais "aceita socialmente"
Nátaly é estudante de Ciências Sociais na Unifesp, em São Paulo, tem interesses como moda e beleza. Seu canal no Youtube (Afros e Afins) é incrível e aborda diversos temas de interesse das mulheres, em geral, e em especifico das mulheres negras.



Essa palestra é incrível! Primeiro porque a Monique tem um jeito muito didático de falar e segundo porque acho que ela dialoga muito com o mito da meritocracia. 
Monique é uma das vozes do feminismo negro no Brasil e fala da veia empreendedora nas mulheres negras. Ela é formada Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, já foi capa da Revista Época, Repórter do Profissão Repórter, é Fundadora da Desabafo Social.



Essa é uma das palestras proferidas no TEDx mais assistidas em todo o mundo. Não é por pouco. A Chimamanda é uma escritora nigeriana que já ganhou prêmios no mundo inteiro por suas obras e tem seus livros traduzidos em 31 idiomas. Tudo isso, até os 40 anos de idade! 
Essa palestra é cheia de humor, mas ao mesmo tempo muito profunda e cheia de reflexões importantes. 


Outra excelente palestra da Chimamanda. Com mais de 3 milhões de visualizações, a autora chama atenção sobre a necessidade de compreender o mundo a partir de suas diversas variáveis, afinal nossas vidas, nossas culturas são compostas de muitas histórias sobrepostas.



Kimberlé W. Crenshaw é uma norte americana defensora dos direitos civis e uma dos principais intelectuais da teoria crítica da raça. Ela é professora em tempo integral na Faculdade de Direito da UCLA (Universidade da Califórnia) e na Columbia Law School. Crenshaw é conhecida pela introdução e desenvolvimento da teoria interseccional, que é o estudo de como identidades sociais sobrepostas ou interseccionadas, particularmente identidades minoritárias, se relacionam com sistemas e estruturas de opressão, dominação ou discriminação. No #julhodaspretas, em 2017, já escrevi um pouco sobre a Crenshaw aqui no blog. Você pode ler o texto completo neste link.
Nesta palestra, Kimberlé Crenshaw resgata a história de vítimas do racismo para falar sobre a importância da interseccionalidade. Esta é uma das três melhores palestras que já vi sendo proferidas no TEDx. 


Djamila é mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), já atuou como secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Ela também é colunista da revista Carta Capital e publicou os livros "O que é lugar de fala" e "Quem tem medo do feminismo negro".
Ouvir a Djamila falar é sempre ótimo. Ela tem objetividade sem tratar os temas de forma superficial. Dá sempre vontade de ouvir mais e mais.


Kenia Maria é atriz, roteirista e empresária. Kenia foi nomeada pela ONU Defensora dos Direitos das Mulheres Negras, em 2017. No YouTube, ela arrasa, desde 2013, com a filha Gabriela Dias, o marido Érico Brás, o filho Mateus Dias com o canal de Youtube. No vídeo, ela fala sobre as motivações que as levaram a criar o canal trazendo importantes reflexões sobre questões raciais.

Karina Vieira é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Gestão de Políticas Sociais pela Universidade Castelo Branco. Ela também atua como Consultora de Comunicação do Baobá – Fundo pela Equidade Racial e Diretora de Comunicação da AUR. 



No vídeo, Karina explana sobre a formação das identidades e o que envolve este processo.  Ela apresenta exemplos de mulheres e situações que estão contribuindo para a formação positiva desta identidade. Ela também reforça a importância da atuação coletiva. Tudo com aquele carisma incrível da Karina.


Apontada pela Forbes como um dos destaques brasileiros abaixo de 30 anos, Lisiane Lemos é co-fundadora da Rede de Profissionais Negros, coletivo que busca desconstruir barreiras entre profissionais negros e empresas por meio de políticas de diversidade e movimentos sociais. Lisiane fala sobre a descontruconstrução de estereótipos em seu trajeto. 


Carla Fernandes é angolana radicada em Lisboa. Formou-se em tradução das línguas inglesa e alemã. Em 2014, Carla criou o audioblogue Rádio AfroLis onde afrodescendentes que vivem em Lisboa partilham as suas estórias e falam sobre a sua visão pessoal da cidade.
A contribuição mais incrível de sua palestra é fazer a gente pensar sobre o que tem sido chamado "lugar de fala". Os diferentes lugares sociais são demarcadores dos posicionamento de mundo.


Karine de Souza é natural de Barra Mansa/RJ e é a criadora da Negrita Modas. Faz ativismo através da moda e da arte. No vídeo, ela fala sobre a (re)descoberta da identidade negra e como esse processo, em constante movimento, leva ao empoderamento não apenas seu mas de negros e negras que a rodeiam.


Marta Celestino é diretora de Marketing e Novos Negócios na Ebony English, gestora em educação e documentarista. Idealizadora do projeto Diaspora Connections, que visa reconectar a comunidade negra global num movimento de troca de experiências, celebração de conquistas e resgate cultural. 
Nesta palestra, Marta fala sobre coletividade e os aprendizados da ancestralidade.


Presidente do Instituto Das Pretas.Org, ativista social e blogueira. Priscila é uma das grandes referências do Espírito Santo quando o assunto é valorização da estética, autoestima, empreendedorismo e consumo negro. O Instituto que comanda já promoveu diversas ações, de maneira autônoma e independente, que ajudaram a espalhar a importância do empoderamento afrocentrado no coletivo.

15. Uma jornada na busca por identidade e propósito | Juliana Luna | TEDxUERJ

Juliana Luna é editora de estilo da Revista AzMina, estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural. Neste vídeo ela fala um pouco sobre a reconstrução de sua identidade como mulher negra. Através do depoimento dela, a gente descobre um monte de pequenas coisas sobre nós mesmas.


"Você entende porque ser negra é um problema?" foi a frase que ela ouviu ao tentar seguir a carreira de modelo. Neste vídeo, Luana fala sobre como começou a compreender o racismo a partir de sua experiência como modelo. Atualmente, ela é diretora executiva do ID_BR - Instituto Identidades do Brasil.


Alexandra Loras é ex-consulesa francesa. Ela é graduada com Mestrado em Gestão de Mídia pela escola de Ciências Políticas da França (IEP Paris), consultora e palestrante. Neste vídeo ela fala sobre a construção de estereótipos e seu papel na síndrome do impostor. Particularmente, tenho divergências com Loras - como ela afirmar que existe racismo reverso, por exemplo , mas acho essa palestra muito interessante para pensarmos no racismo como um fenômeno que atinge negros e negras nas diversas classes sociais e países. 



Adriana Barbosa é presidente do Instituto Feira Preta, formada em gestão de eventos, com especialização em gestão cultural pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC) da ECA – USP. Neste vídeo, com uma voz incrivelmente doce, ela fala sobre o empoderamento das mulheres negras a partir de histórias de vida de mulheres negras. 


Rosa Luz é cineasta, fotógrafa, poeta, rapper e trançadeira. Como uma mulher negra, trans, e periférica, ela é também ativista e através da arte luta contra todas as formas de opressão. Neste vídeo, com apenas 6 minutos, ela consegue falar sobre sua história de vida que se entrecruza com a história de muitas de nós. 

20. Eu Empregada Doméstica | Preta Rara | TEDxSaoPaulo

Preta Rara é graduada em história, rapper, poeta, cineasta, cantora, DJ... UFA! 
Neste vídeo, ela fala sobre sua experiência a frente da fan page Eu Empregada Doméstica. Eu já assisti a este vídeo tantas vezes que sei quase de cor! Acho a Preta super talentosa e carismática. Essa palestra é extremamente tocante e vale a pena cada minuto dele.



"O nosso legado, não é a escravidão. O nosso legado, passado de geração para geração, é o sonho da liberdade. E a gente vai mudar o mundo"
Amo este vídeo! A Didi Couto tem uma potência incrível. Ela é jornalista na TV Cultura e é uma figura que eu tive como uma referência importante quando apresentei um programa de TV. Nesta palestra, ela fala justamente sobre a representatividade. 




A Taís dispensa apresentações. Neste vídeo, ela fala sobre algo que as mães negras convivem: o medo de criar seus filhos em uma sociedade racista. O vídeo é muito bacana porque nos traz a dimensão de que o racismo afeta negros e negras independente da classe social. 



Stephanie é arquiteta, ativista feminista negra e colunista da Revista Marie Claire. Neste vídeo, ela se emociona ao falar sobre o papel de cura que a escrita teve em sua vida. Através da escrita ela se conecta com mulheres negras e com sua subjetividade. 

24. Desafiando diversas formas de opressão | Maíra Azevedo | TEDxRioVermelho

Maíra é a jornalista baiana, conhecida como Tia Má. Amo essa palestra! Além de amar a Maíra, como uma excelente comunicadora, como uma "brother" que me enche de orgulho, amo essa palestra porque ela também fala sobre meritocracia. Durante este vídeo, eu me emociono diversas vezes. A Maíra fala sobre nossas dores de forma muito certeira e por isso nos dá muita força.


Yasmin Thayná é cineasta e fez o maior barulho com seu filme "Kbela. Um filme sobre Ser mulher e tornar-se negra”. Na palestra ela fala sobre a experiência de fazer o filme com tão pouco dinheiro e a partir de uma narrativa marginalizada. Também lançou a plataforma Afroflix que é é uma plataforma que disponibiliza conteúdos audiovisuais online com uma condição: aqui no AFROFLIX você encontra produções que possuem pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. 

BÔNUS
Abaixo, ainda trago duas palestras que gosto muito. Ambas são em inglês e não contam com legenda em português. Mas, vale a pena tentar treinar o inglês porque são palestras muito legais!


Melz é recém-formada em Filosofia e Política pela Universidade de Leeds (uma das maiores universidades do Reino Unido). Ela é a pioneira da campanha "Por que meu currículo é branco?", no campus. Melissa também é uma artista, mais especialmente uma rapper. Para quem curte o debate sobre a educação como uma forma de resistência e combate à opressão, essa palestra é imperdível.



Brittany Jonee é uma jovem bahamense que vem sendo destaque nas artes e ciências no seu país, despontando como uma líder valiosa no campus. Além disso, Brittany é uma talentosa violonista. Nesta palestra, ela fala sobre como o violento processo de colonização determinou a vida nas Bahamas, apagando línguas, práticas e valores culturais ancestrais. 


...................................................................................................................

Termino minha lista por aqui, ou não termino nunca mais porque há muito material incrível produzido por mulheres negras na internet!
Tenho certeza que você também tem uma palestra incrível que não está nesta lista e que você gostaria de indicar. 

Comente aqui no blog aquela palestra que você acha imperdível!

Taís Araújo e Lázaro Ramos na capa da Revista Veja: Representatividade para quem?

A Veja, a revista de maior circulação nacional divulgou no dia 23/02 sua capa da edição que será distribuída na próxima semana. É uma foto do casal Lázaro Ramos e Taís Araújo. A capa é de crescer os olhos e aquecer o coração, com uma legenda que deixa qualquer preta ou preto no Brasil cheio de orgulho:


Para as negras e negros do Brasil que há muito tempo batalham por representatividade, para ver referências positivas do seu povo, esta capa tem cheiro de vitória. Nós nos sentimos imbatíveis sim! Mas, chegando mais perto o cheiro é de podre, como tudo que vem da Revista Veja. É tanta coisa horrível que a gente nem sabe por onde começa a ter raiva!

Vamos começar pelo título e subtítulo: 

Taís Araújo e Lázaro Ramos: o casal mais poderoso do showbiz
 E ainda simbolizam a vitória do talento sobre a barreira racial"

A direita no Brasil, que tem suas ideias tão bem representadas nesta revista já não pode mais negar os danos causados pelo racismo aos pretos no Brasil. Dados científicos mostram que somos os mais atingidos pela violência e pobreza. No mesmo dia em que esta capa é divulgada, também são publicizados os dados do IBGE que mostram que a crise econômica e o desemprego atingem mais pretos e em especial as mulheres. A herança da escravidão não pode mais ser negada. Ela é comprovada por dados científicos e voz do povo preto não pode mais ser calada. Temos feito muito barulho! Para além disso, hoje temos acesso a instrumentos de comunicação que ajuda a acoar nossa voz: blogs, vídeos, redes sociais, mídias independentes. O que faz então a revista Veja? Reconhece que há uma barreira racial, mas ao mesmo tempo mostra um casal que simboliza que é possível vencer a barreira racial se você tiver talento! Ou seja: esta capa é um brinde à meritocracia. 

A Veja tenta transformar um exemplo a ser seguido alguém que teve melhores oportunidades do que a maioria da população. Transformando "melhores oportunidades" em uma corrida por "quem tem mais talento" ou "trabalha mais" para vencer as barreiras do racismo. Taís Araújo, por exemplo, estudou em boas escolas, teve oportunidades diferentes da maioria dos pretos e pretas brasileiros, como ela mesmo já relatou. Sabemos que também enfrentou a barreira do racismo - porque ele não escolhe suas vítimas - mas, teve muitos outros instrumentos para enfrentá-lo. 

Se depois disso, você ainda achar que vale a pena ler a revista - o que eu não indico - você pode ver uma parte da reportagem de capa na página da Veja. No subtítulo, mais uma pérola: 

"Par simboliza um ideal de país em que qualquer pessoa pode vencer pelo trabalho e pelo talento."

Vejam só: é tudo uma questão de trabalho e talento. Essa frase simboliza tudo o que o povo preto foi ensinado neste país: "se você não vence, é apenas uma fata de esforço e talento seu". A reportagem segue o mesmo tom:



"Mas, o fato é que eles atestam quanto o país mudou nas últimas décadas: a TV e a propaganda hoje reproduzem muito mais a diversidade brasileira. Para o público em geral, eles acenam com uma espécie de seguro contra a desesperança. Como bem definiu o ensaísta Eduardo Giannetti, a ideia de que o Brasil é uma democracia racial não se sustenta na realidade crua, mas é salutar que essa utopia seja perseguida como um ideal de país. O sucesso de Lázaro e Taís nos faz vislumbrar um Brasil de que se orgulhar: um lugar onde pessoas de qualquer classe ou cor de pele possam prosperar pelo talento e trabalho."

Ou seja, a revista Veja usa como exemplo UM HOMEM E UMA MULHER NEGROS para dizer que os outros dezenas de milhares que estão sendo assassinados pela polícia ou pelo tráfico, que engrossam as fileiras de desempregados, não tiveram talento ou não trabalharam o suficiente para superarem a barreira do racismo. 

Esta revista usa um casal que hoje é símbolo de resistência e representatividade para levantar a bandeira de algo tão nocivo e destruidor para nós como a meritocracia. Acreditar que as poucas pretas e pretos que conseguem ultrapassar a discriminação racial são exemplo de que esta barreira transponível para todos é uma ilusão que só serve àqueles que não precisam se preocupar com ela e que se beneficiam dela.


Se depois de tanta sujeira você ainda não tem certeza de que nem o talento e o trabalho são capazes de superar o racismo, entre na page do Facebook da Revista Veja e leia a chuva de cometários racistas como estes:




Aos irmãos, Lázaro Ramos e Taís Araújo, meu abraço. Todo meu respeito. Quem os acompanha sabe o trabalho de vocês para que seu sucesso não alimente o discurso meritocrático. Se o interesse desta revista é causar confusão entre nós pretas e pretos, saibam que nossos olhos estão abertos.

Essa capa é um desrespeito a artistas tão maravilhosos. Mas, é um desrespeito especialmente a todas às pretas e pretos neste país que trabalharam diuturnamente para ouvirem que apenas com talento, eles podem superar a "barreira racial". É um desrespeito à ancestralidade que foi arrancada do continente africano e que, por esta lógica, não teve talento para vencer.

Revista Veja, vocês não me surpreendem. Nada que venha de vocês representa a luta do povo preto deste país.