Afeni Shakur: quem era a "Dear Mama" de Tupac (15/31)


No dia 15 dos 31 dias do #julhodaspretas, falamos de Afeni Shakur, empresária e ativista política norte-americana. Afeni nasceu como Alice Faye Williams, em Lumberton na Carolina do Norte. Afeni foi mãe de Tupac Shakur que compôs um dos seus maiores sucessos, "Dear mama", de 1995, em homenagem a sua mãe.

Afeni foi detida em 1969, enquanto estava grávida de seu filho Tupac, por reter informações do grupo "Pantera 21". Ela foi libertada no mesmo julgamento de outros membros dos Panteras Negras. Após Tupac nascer, ela casou-se com Mutulu Shakur, e tiveram uma filha. 


Sua força foi citada muitas vezes por Tupac* como um dos grandes incentivos que o rapper tinha para cantar. Em uma canção do álbum Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z., ele afirma: "Minha mãe costumava me dizer: se você não consegue encontrar algo para o que valha a pena viver, é melhor que ache algo para o que valha a pena morrer.".

Após a morte de Tupac, Afeni fundou a Tupac Amaru Shakur Foundation, para preservar seu legado. Com a fundação, abriu o Centro de Artes Tupac Amaru Shakur (TASCA), em Stone Mountain, Georgia, em junho de 2005. 

Afeni também é creditada pelo número altíssimo de vendas do seu filho, que lhe rendeu até recorde no Guinness Book.


Afeni veio à falecer em 02 de maio de 2016. Sofria de problemas no coração desde o falecimento do filho Tupac em 13 de setembro de 1996. Morreu de um infarto. Ela tinha 69 anos. 






VIVA AFENI SHAKUR!
VIVA AS MULHERES NEGRAS!


No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, TaiyeSelasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!
*Tupac foi morto com um tiro em 7 de setembro de 1996, em Las Vegas, quando tinha apenas 25 anos. Após seis dias internado no hospital, não resistiu e morreu. O assassino nunca foi descoberto.

Jovelina Pérola Negra: não podemos contar a história do samba sem esta mulher (14/31)

No dia 14 do #julhodaspretas vou falar de uma das pretas mais fantásticas que esse Brasil já viu: Jovelina Pérola Negra. Nascida no Rio de Janeiro em 1944, seu nome de batismo foi Jovelina Farias Delford. Com uma voz rouca, forte e marcante, Jovelina foi uma cantora e compositora que marcou o samba no Brasil. 


Antes de sua tardia estreia, em 1985, com 40 anos, Jovelina trabalhou entre outras coisas como empregada doméstica  e vendedora ambulante de linguiça. Em pouco tempo, foi considerada como herdeira natural de Clementina de Jesus na dinastia das grandes vozes femininas do samba.
Jovelina foi uma das peças mais importantes na condução do samba de fundo de quintal e do pagode para a linha de frente da MPB.

Morram de amor com um dos poucos registros de Jovelina em vídeo. Mulher, preta e pobre. Não podemos contar a história do samba sem esta mulher! 


Ao todo, Jovelina gravou cinco discos individuais tendo conquistando um Disco de Platina. Depois de sua morte, com 54 anos, em 1998, muitas coletâneas com suas músicas foram gravadas. Artistas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Leci Brandão fizeram gravações de músicas de Jovelina. São sucessos da artista: "Feirinha da Pavuna", "Bagaço da Laranja", "Luz do Repente", "No Mesmo Manto" e "Garota Zona Sul", entre outros. 


Jovelina faleceu no dia 2 de novembro de 1998, aos 54 anos, de infarto no bairro do Pechincha.


VIVA JOVELINA PÉROLA NEGRA!
VIVA AS MULHERES NEGRAS!

No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, TaiyeSelasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!

Maria Felipa: Heroína da Independência (13/31)

No dia 13 dos 31 no #julhodaspretas nos dedicamos a falar da biografia de Maria Felipa de Oliveira, conhecida a “Heroína Negra da Independência” pela população da Ilha de Itaparica na Bahia. Poucos sabem, mas esta mulher foi uma importante lutadora no processo de independência da Bahia, único estado em que a independência se deu por luta armada no Brasil.

No livro chamado Maria Felipa de Oliveira – Heroína da Independência da Bahia, a professora Eny Kleyde Vasconcelos de Farias  defende que Maria Felipa foi esquecida nos livros de história porque era mulher, negra e pobre e, portanto, foi injustiçada. Entretanto, sua história foi repassada oralmente na ilha de Itaparica, na Bahia. De geração em geração, a imagem da negra alta e forte, que vestia saias rodadas, bata, torso e chinelas foi preservada. 


Sabe-se que Maria Felipa liderou um grupo de mulheres e homens de diferentes classes e etnias e construiu trincheiras nas praias, organizando o envio de mantimentos para o Recôncavo Baiano (região geográfica localizada em torno da Baía de Todos-os-Santos. As principais cidades são: Santo Antônio de Jesus, Santo Amaro, Amargosa, Nazaré, Salinas da Margarida, Cachoeira, Jaguaripe, São Félix, Castro Alves, Maragojipe e Cruz das Almas). Este grupo também organizou vigias nas praias, feitas dia e noite, prevenindo o desembarque de tropas inimigas além de participar ativamente de vários conflitos. Durante as batalhas, seu grupo ajudou a incendiar inúmeras embarcações: a Canhoneira Dez de Fevereiro, em 1º de outubro de 1822, na praia de Manguinhos; a Barca Constituição, em 12 de outubro de 1822, na Praia do Convento; em 7 de janeiro de 1823, liderou aproximadamente 40 mulheres na defesa das praias de Itaparica. Armadas com peixeiras e galhos de cansanção surravam os portugueses para depois atear fogo aos barcos usando tochas feitas de palha de coco e chumbo.

Além da importante liderança, Maria Felipa era simbolo de transgressão de padrões impostos pela sociedade por ser mulher e liderar um grupo armado e, sendo negra e pobre, reivindicar direitos mesmo após o fim da guerra.

Celebrar Maria Felipa é celebrar a importância que as mulheres negras têm assumido nas lutas, mesmo sendo submetidas às piores condições de vida. A existência de mulheres como Maria Felipa na memória negra é prova de que nossa história não será apagada. 

Viva Maria Felipa
Viva as Mulheres Negras



No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!

Um ano sem Luiza Bairros: o legado de uma guerreira (12/31)

Aproveitamos a homenagem às mulheres negras no mês de julho, para também lembrar que perdemos a militante e intelectual negra brasileira Luiza Bairros há 1 ano atrás. Ela deixa saudades, mas também deixa um legado forte e importante. 

Luiza Helena de Bairros, conhecida como Luiza Bairros (1953-2016), mulher negra, nascida em Porto Alegre, foi uma importante intelectual e ativista do movimento negro no Brasil. 

Luiza Bairros se formou em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fazendo seu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a dissertação O Negro na Força de Trabalho na Bahia, entre os anos 1950 -1980. Em seu estudo, ela destacou a discriminação racial no mercado de trabalho, indicando que quanto maior a ascensão dos negros mais acirrado é o racismo. Seu estudo de doutorado, em sociologia, foi realizado na Universidade de Michigan (USA).



Em seus estudos, Luiza Bairros realizou importantes pesquisas sobre a história do movimento negro brasileiro e de seus personagens, buscando sistematizar o legado da feminista negra Lélia Gonzalez.

Segundo Fernanda Pompeu, o que levou a gaúcha Luíza Bairros a trocar Porto Alegre por Salvador foi a concentração de afro-descendentes, sendo radicada em Salvador desde 1979. Em terras soteropolitanas, Luiza foi uma liderança do Movimento Negro Unificado (MNU); trabalhou em programas das Nações Unidas contra o racismo, em 2001 e em 2005 e foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia, de 2008 a 2010.  Entre os anos de 2011 e 2014, Luiza Bairros foi e ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial. Durante sua gestão, foi aprovado o estatuto da igualdade racial.

No vídeo abaixo, Luiza Bairros fala brilhantemente sobre a importância da sociedade se dedicar ao debate da igualdade racial.


Pude conhecer e ver a força de Luiza Bairros pessoalmente. Foi um momento de fortalecimento da importância de ouvir nossas mais velhas e aprender com elas.



VIVA LUIZA BAIRROS!
VIVA AS MULHERES AFRO LATINO AMERICANAS!

No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!


Leia o texto de Luiza Bairros, NOSSOS FEMINISMOS REVISITADOS





Zeferina: a força vinda de Angola (11/31)

No 11º dia do #julhodaspretas, resgatamos a história de Zeferina. A angolana, sequestrada do continente africano e trazida para o Brasil ainda criança, teve sua história delineada na região de Pirajá, parte de Cajazeiras e Cabula, regiões periféricas e que foram redutos de resistência quilombola na Cidade do Salvador-Ba. Neste local é que foi fundado, por Zeferina, o Quilombo do Urubu.



Registros dizem que ela foi uma importante liderança, responsável pelas estratégias de luta do quilombo. Assim, ela organizava índios e escravizados que fugiam. Mas, Zeferina tinha grandes planos e acreditava que era necessário se unir com os nagôs, invadir a cidade e matar os brancos escravocratas para constituir uma liberdade plena para todo o povo negro.

Planejava a invasão da cidade para o dia 25 de dezembro de 1826, no entanto, um acontecimento fez com que a revolta tivesse o seu início antecipado. Alguns capitães do mato tentaram surpreender, pensando que havia poucas pessoas na mata do Urubu, e se depararam com cinquenta mulheres e homens aquilombados com espingardas, facas, arcos e flechas e fações, que sobre o comando de Zeferina os derrotaram. Assim, três capitães do mato foram mortos e outros três saíram gravemente feridos. Após muita luta, Zeferina foi capturada e assassinada.

Sabe-se que Zeferina protagonizou não apenas esta luta mas também a consolidação do Quilombo do Urubu como espaço de resistência. Uma história que precisa ser contada porque nos enche de coragem e orgulho.


Viva Zeferina!

Viva as mulheres negras!


No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!

Gloria Richardson Dandridge: resistência em Cambridge! (10/31)

Você provavelmente já deve ter visto esta foto. O que você sabe sobre a preta que protagoniza esta imagem? A homenageada número 10 do #julhodaspretas é Gloria Richardson Dandridge. Ela é é um ícone do movimento dos direitos civis, conhecida por liderar o Movimento de Cambridge de 1960 em Cambridge, Maryland.


Inicialmente, Dandridge era  relutante em participar de ações organizadas pelo Comitê de Coordenação Não-Violenta de Estudantes. Ela discordava dos regulamentos de não violência, entretanto, acabou tornando-se porta-voz do movimento e ajudou a criar o Comitê de Ação Não Violenta de Cambridge, o primeiro afiliado liderado por adultos da Comitê de Coordenação Não-Violenta de Estudantes para combater a segregação na cidade.

O Movimento de Cambridge começou com residentes negros fazendo pequenas movimentações, mas logo se toernou uma luta completa pelos direitos econômicos na cidade empobrecida. Esses protestos cresceram em uma revolta em junho de 1963, com o governador J. Millard Tawes impondo a lei marcial e enviando a Guarda Nacional. Foi durante essa revolta que a famosa foto de Dandridge que empurrou uma baioneta para fora do rosto dela foi disparada. Naquele outono, escolas, ônibus e hospitais foram todos desagregados.

A disposição do Movimento de Cambridge em abraçar a autodefesa armada e seu foco na economia sinalizou o início da fase do poder negro do movimento dos direitos civis. 

E hoje, no dia 10 de julho, Dandrigde completou 94 anos de idade.

Viva Gloria Richardson Dandridge!
Viva as mulheres negras!






No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!

Thereza Santos: a força da teatróloga, atriz, professora, filósofa, carnavalesca e militante (09/31)

Nossa homenageada no nono dia do #julhodaspretas nasceu como Jaci dos Santos, mas escolheu o nome artístico de Thereza Santos. A teatróloga, atriz, professora, filósofa, carnavalesca foi uma importante militante pelas causas dos povos africanos da diáspora e dos afro-brasileiros.


Nascida em 1938, Thereza Santos conheceu cedo a discriminação racial e firmou compromisso com a militância em sua participação na Juventude Comunista. Em episódios como os que conhecemos até hoje, cada vez que Thereza propunha abordagem da questão racial, sempre recebia a resposta dos integrantes de que a questão era social e não racial. Então, ela ingressa o Partido Comunista, do Núcleo do Centro Popular de Cultura (CPC), que possuía visão semelhante à da Juventude Comunista em relação às questões raciais.

Quando estudava na Faculdade Nacional de Filosofia (atual UFRJ), tornou-se integrante da União Nacional dos Estudantes (UNE).  Começou a fazer teatro de rua, com perspectiva no engajamento político. Na década de 1960, participa do Movimento pela Libertação dos Povos Africanos de Expressão Portuguesa. Chegou a ser presa por sua relação com o PCB na década de 1970. Ao ganhar liberdade, Thereza deixou o Brasil e optou por morar no continente africano, durante aproximadamente cinco anos, onde trabalhou como educadora, contribuindo para a reconstrução cultural de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Thereza integrou o Teatro Experimental do Negro (TEN), do Rio e depois de São Paulo. No final da década de 1960, participou como cofundadora do Centro de Cultura e Arte Negra (Cecan). Na década de 1970, durante a ditadura militar, juntamente com o sociólogo Eduardo de Oliveira, escreveu e encenou a peça E agora falamos nós, iniciativa esta considerada uma das primeiras peças teatrais para um grupo exclusivamente formado por negros e negras. Cabe salientar que este foi um dos principais trabalhos da carreira de Thereza como atriz.
Na década de 1980, foi a primeira negra a ser nomeada para o Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo. Foi assessora de Cultura Afro-Brasileira da Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo entre 1986-2002.

Em 1986 foi indicada pelo Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo a concorrer ao cargo de deputada estadual pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Porém, não foi eleita. Por indicação do vereador Vital Nolasco, do Partido Comunista do Brasil (PC do B), recebeu, em setembro de 1993, o título de Cidadã Paulistana.

Thereza, ativista e estudiosa dos temas raciais e de gênero, é autora de diversos artigos sobre cultura e a mulher negra. Em 2008, publicou o livro Malunga Thereza Santos: a história de vida de uma guerreira, onde apresenta aspectos da história de sua vida. A família numerosa, a infância, a militância. Thereza militou no Movimento Negro por mais de 50 anos, e sua trajetória de luta não deixa dúvidas de que é um dos nomes mais importantes e influentes no Movimento Negro Brasileiro.

Thereza faleceu em 19 de dezembro de 2012. Lutava contra um câncer de bexiga e insuficiência renal crônica.



Viva Thereza Santos!
Viva as mulheres negras!


No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, Taiye Selasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!



Informações de: http://www.mulher500.org.br/acervo/biografia-detalhes.asp?cod=859