Viva Assata Shakur! 70 anos de luta e resistência (16/31)

Há 70 anos nascia Assata Shakur. A mulher negra que vive em asilo político em Cuba, desde a década de 1980, e desde 2013 faz parte da lista de procurados do FBI é nossa homenageada no dia 16 do #julhodaspretas da Central das Divas. A publicação de uma autobiografia e a caçada do FBI a Shakur por mais de 40 anos nos dão um vasto material para este texto. O que é maravilhoso! É importante poder registrar e contar de forma mais completa possível a história de lutadoras negras. 



O nome de batismo de Assata Olugbala Shakur é JoAnne Deborah Byron. Após concluir sua graduação aos 23, Shakur se tornou membra do Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party (BPP)), que havia sido fundado em Oakland, Califórnia, e tinha uma filial em Nova York. Ela acabou se tornando uma importante membra no Harlem. Entretanto, ela acabou deixando o BPP devido às posturas machistas de seus membros e ao que ela denominou como "falta de conhecimento da história negra no EUA", como ela mesma relatou em sua biografia.

"O problema básico decorreu do fato de que o BPP não tinha uma abordagem sistemática para a educação política. Eles estavam lendo o Livro Vermelho, mas não sabiam quem eram Harriet Tubman, Marcus Garvey e Nat Turner. Falaram sobre intercomunidade, mas ainda acreditavam que a Guerra Civil foi travada para libertar os escravos. Muitos deles mal entendiam qualquer tipo de história, negra, africana ou de outra forma. [...] Essa foi a principal razão pela qual muitos membros do partido, na minha opinião, subestimaram a necessidade de se unir com outras organizações negras e lutar por várias questões comunitárias ". 

Ainda no incio da década de 1970, Chesimard mudou seu nome para Assata Olugbala Shakur. Em árabe (relacionado à tradição muçulmana na África Ocidental), Assata significa "ela que luta", Olugbala significa "amor para as pessoas", e Shakur significa "agradecido" (Além disso, "Abd Allah II ibn 'Ali' Abd ash-Shakur foi o último Emir de Harar na Etiópia.). Quanto ao sobrenome , Assata alegava que Chesimard era provavelmente um nome escravo. Além disso, sua vida era agora uma parte da cultura africana, portanto seu nome também deveria ser, como escreveu em sua biografia: 

"Parecia tão estranho quando as pessoas me chamavam de Joanne. Realmente não tinha nada a ver comigo. Não me sentia nenhuma Joanne, nem uma negra, nem uma americana. Eu me sentia como uma mulher africana ". 

Shakur se juntou ao Exército de Libertação Negra (BLA), descrito por The Guardian, em 2013, como "uma organização radical e violenta de ativistas negros". O principal objetivo do BLA era lutar pela independência e autodeterminação dos africanos nos Estados Unidos.

Em 1971, Shakur juntou-se à República da Nova Afrika. Esta organização nacionalista negra foi formada para criar uma nação independente da maioria negra composta pelos estados atuais do Alabama, Geórgia, Louisiana, Mississippi e Carolina do Sul, que tinham muitas áreas de maioria negra e uma forte história de sociedades escravas e africanos.

A perseguição a Shakur se intensificou durante toda a década de 1970. As acusações foram desde brigas a assaltos a banco. Em 1972, o FBI executou uma caçada nacional a ela, alegando que ela seria a direção de uma célula do Exército de Libertação Negra que havia conduzido uma "série de assassinatos de sangue frio de policiais da cidade de Nova York". Segundo a polícia, Shakur seria líder de fato e a "alma do Exército de Libertação Negra" após a prisão do cofundador Dhoruba Moore. Robert Daley, vice-comissário da polícia da cidade de Nova York, descreveu Shakur como "o fugitivo final desejado, a alma da gangue".

Entre 1973 e 1977, em Nova York e Nova Jersey, Shakur foi indiciada dez vezes, resultando em sete julgamentos criminais diferentes. Shakur foi acusada de dois roubos de banco, o sequestro de um traficante de heroína no Brooklyn, assassinato de dois policiais no Queens. Nestes julgamentos, três resultaram em absolvições, um em um júri suspenso, um em uma mudança de local, um em anulação por gravidez e um em uma condenação; de três acusações ela foi absolvida sem julgamento.

Shakur foi presa no Estado de Nova Jersey por 21 meses. Sua única filha de Shakur, Kakuya Shakur, foi concebida durante o seu julgamento e nasceu em 11 de setembro de 1974 na enfermaria psiquiátrica fortificada do Hospital Geral de Elmhurst, Queens. Em sua autobiografia, Shakur afirma que ela foi espancada e reprimida por várias por policiais depois de recusar um exame médico de um na prisão logo após o parto. Enquanto estava presa, Shakur apresentou uma ação relativa às condições de seu confinamento, no qual não teve êxito.

Em 2 de novembro de 1979, ela consegue fugir da prisão com o apoio de membros do Exército de Libertação Negra. Durante anos após a fuga de Shakur, movimentos, atividades e telefonemas de seus amigos e parentes - inclusive da filha - foram monitorados na tentativa de verificar seu paradeiro. 

Shakur foi exilada em Cuba em 1984. Em 1985, Kakuya se juntou a ela, após ter sido criada pela mãe de Shakur em Nova York. Em 1987, ela publicou Assata: Uma autobiografia, que foi escrita em Cuba. No livro, ela conta importantes passagens de sua vida começando com sua juventude no sul e Nova York. A biografia é incrível porque desafia estilos tradicionais de autobiografia literária e oferece ao público uma perspectiva em sua vida que não estava acessível ao público. O livro foi publicado pela Lawrence Hill & Company nos Estados Unidos e no Canadá. Em 1993, ela publicou um segundo livro, Still Black, Still Strong, com Dhoruba bin Wahad e Mumia Abu-Jamal (também presos injustamente).

Em 1997, o superintendente da Polícia do Estado de Nova Jersey, escreveu uma carta ao Papa João Paulo II solicitando que ele levantasse a questão da extradição de Shakur durante suas conversas com o presidente Fidel Castro. Em 1998, a mídia dos EUA divulgou amplamente as afirmações de que o Departamento de Estado dos Estados Unidos oferecendo a suspensão do embargo em troca e 90 fugitivos dos EUA, incluindo Shakur. 

Em 2 de maio de 2005, no 32 anos depois da prisão de Shakur, o FBI a classificou como uma terrorista , aumentando a recompensa por sua captura para 1 milhão de dólares, a maior recompensa concedida a um indivíduo na história de Nova Jersey. Os pedidos de extradição de Shakur aumentaram após a saída do poder de Fidel Castro. Em um discurso de televisão de maio de 2005, Castro chamou a Shakur de uma vítima de perseguição racial, dizendo "queriam retratá-la como terrorista, algo que era uma injustiça, Uma brutalidade, uma mentira infame". Em 2013, o FBI anunciou que Shakur era primeira  a mulher em sua lista de terroristas mais procurados. A recompensa por sua captura e retorno também foi duplicada para 2 milhões de dólares nesse ano. 


Atualmente, Shakur permanece em asilo nos EUA mesmo depois de mais de 40 anos de sua prisão. Durante as negociações para o fim do embargo à Cuba - já no governo Obama -, o governo norte americano propôs novamente a extradição de Assata Shakur, o que não foi atendido pelo governo de Cuba.  A perseguição a Assata, com o status de terrorista, é mais uma prova da política de encarceramento em massa dos negros, especialmente nos EUA, é mantida como uma política de Estado. 

Neste Link você pode assistir a um documentário "Olhos de Arco-íris", sobre Assata, legendado.
Abaixo, também disponibilizamos links com mais informações sobre Assata. Shakur.


VIVA ASSATA SHAKUR!
VIVA AS MULHERES NEGRAS!


No mês de julho vamos celebrar, conhecer, homenagear 31 mulheres no mês de julho! Sabemos que ainda é pouco, mas será um prazer rever a vida de algumas das nossas inspirações! Billie Holliday, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Ella Fitzgerald, Chimamanda Ngozi Adichie, Sueli Carneiro, TaiyeSelasi, Luiza Bairros... São tantas pretas maravilhosas que iremos homenagear! Não perca!!


Mais informações:
http://www.hebreunegro.com.br/2015/11/assata-primeira-mulher-negra-figurar.html

https://assatashakurpor.wordpress.com/

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